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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ninevah Barreiros: “Todo mundo levou um susto”





por Lívia Machado


Ela tem 22 anos. É baiana, estudante de psicologia e reside no bairro Jardim de Alah, em Salvador (BA). As características de Ninevah Barreiros fazem dela uma pessoa comum, mas o fato de ela ter se convertido ao islamismo, em outubro de 2008, traz à sua vida um diferencial em relação aos demais, afinal, a religião muçulmana é ainda pouco difundida na Bahia.
Nesta entrevista, a jovem muçulmana explica os motivos que a fizeram se interessar pela religião mais professada no Oriente Médio. Ela comenta a respeito da curiosidade que as pessoas demonstram devido a sua opção religiosa, relata as diferenças referentes ao padrão de vida antigo em relação ao atual, voltado para a crença nos ensinamentos do profeta Mohamed, registrados no Alcorão.

LIVIA MACHADO - O que te levou a ser muçulmana?
NINEVAH BARREIROS- O islã em si. É uma religião completa, nela se encontra resposta pra todos os assuntos da vida, os conceitos e as explicações são tudo muito claro e lógico não existe contradição no que o islã diz, nem na relação do islã com a vida diária. E toda a organização e disciplina que existe na religião, a verdade nos ensinos... Não foi uma coisa só, mas todo o aprendizado da religião e sua aplicação me fizeram ter certeza de que não podia ser outra coisa se não muçulmana.

L.M- Como você enfrenta o preconceito?
N.B- O preconceito não é tanto, as pessoas demonstram mais curiosidade do que atitudes ofensivas. Às vezes me incomoda que as pessoas fiquem me olhando quando saio, mesmo que seja só por curiosidade. Mas tem dias que é muito incômodo ter certeza de que todo mundo está olhando pra mim.

L.M- Quais foram às reações de sua família e seus amigos depois de se converter?
N.B-A princípio todo mundo levou um susto e achou absurdo. Agora eles já estão se acostumaram a minha mãe é quem me dá mais apoio, e até me ajuda a comprar roupas adequadas e véus. Um dos meus irmãos também acha legal, às vezes vai comigo no centro islâmico. O resto da família ainda é contra, meu pai não gosta que eu use véu na forma tradicional e mais conhecida como islâmica, então quando saímos tenho que usar de um jeito que pareça ser apenas um lenço. E minha avó tem uma idéia bem errada do islã, igualzinha a todas as pessoas que acham que muçulmanos são terroristas. Isso é horrível porque ela liga pra minha casa dizendo que está rezando para eu sair da religião ela acha que me converti pra chamar atenção (Risos). Já meus amigos acharam meio estranho no começo, mas nunca foram preconceituosos.

L.M- Quais foram às grandes mudanças de sua vida depois que você se converteu?
N.B- Parei de fazer muita coisa. Não fico mais bebendo as bebidas alcoólicas estou mais paciente, menos estressada. Agora sou mais feliz comigo e com minha vida. Aprendi a me valorizar mais, a me respeitar mais, como pessoa e como mulher também. E incrivelmente me tornei uma pessoa muito lógica e coerente em meus discursos, em meus questionamentos, em minhas atitudes. É como ser mais sincera comigo mesma e com todas as outras pessoas.

L.M - Por que ser mulçumana?
N.B - Li um pouco sobre algumas crenças, não todas, mas nenhuma me fez pensar que ela era a certa e a mais completa tanto quanto o islã. Fora que essas doutrinas criadas pela cabeça do homem nunca fez sentido pra mim. Eu gostava um pouco do espiritismo, mas depois de conhecer o islã e buscar a lógica das coisas, comecei a achar que faltava alguma coisa no espiritismo.

L.M – Quando foi que você se converteu?
N.B- Oficialmente, desde 28 de dezembro de 2007, mas já estava decidida desde novembro e comecei a rezar como diz o islã desde outubro do mesmo ano.

L.M- Teve algum momento em que você sofreu algum tipo de preconceito?
N.B- Teve certa vez que uma mulher me perguntou se eu era muçulmana, e o porquê que eu era muçulmana e ela não se conformou quando eu disse que era por minha escolha. Então ela me disse com muito desdém ‘ mas a gente vê cada coisa nesse mundo’... Saí de perto pra não responder.

L.M- O fato de ser muçulmana te impõe alguma dificuldade?
N.B- É, só as já mencionadas mesmo, um pouco de calor, difícil achar roupas... Mas às vezes é bem difícil para eu lidar com a crença das outras pessoas, quando soam sem lógica. Bem, como muçulmana a verdade pra mim é o islã, outras religiões pra mim não são sinônimo de verdade à respeito de Deus. Às vezes ouço absurdos ilógicos e as pessoas só reproduzem o que ouvem à respeito de Deus, não questionam a validade dos argumentos... Isso me deixa nervosa.

L.M - Você pode deixar uma mensagem em árabe (com a tradução) para o nosso leitor?
N.B- LA ILAHA ILA ALLAH! – Não existe divindade que não seja ALLAH! É a coisa mais importante no islã, a unicidade de Deus.

No fim do mundo





por Lívia Machado


Lá vou eu de novo a fim de conhecer outros bairros da cidade.Por curiosidade em relação ao nome, fui para a Praça do Anjo Mau, localizada no Bairro de Beiru. Da minha casa até o destino final dá cerca de 40 minutos de ônibus e 20 minutos de carro, dessa vez, quis conhecer o local indo de ônibus para observar os detalhes da praça, as pessoas, o comércio e se há crianças brincando em parquinhos, se há namorados que fazem juras de amor eterno no banquinho da praça debaixo da árvore, ou idosos caminhando para manter a saúde equilibrada.
Entre tantos pensamentos lembrei-me da questão da Apocalipse e continuei seguindo em direção a Praça do Anjo Mau. Entre tantos pensamentos vieram algumas questões: será uma praça onde tem uma concentração de pessoas que curtem som de rock e punk e colocam o som nas alturas? É Chamada assim por ter muitas assombrações e maldições no local? Em vez de ser uma praça é uma ladeira inclinada que não permite segurança nenhuma para o motorista? E entre tantas questões de certa forma me deixou com medo, mas a curiosidade foi maior e continuei dentro do ônibus.
O lugar parece mesmo, regido pela energia negativa, os carros transitam pelas ruas sem respeitar os pedestres e vice versa, as pessoas que freqüentam ficam com expressões de estarem eternamente de mau humor, existem poucas crianças e existem grandes católicos com uma folha de palmeira em uma das mãos e na outra a bíblia. A Praça de Anjo Mau não é bem uma praça como a do bairro do Campo Grande onde existem elementos que nos fazem lembrar uma praça da cidade ou até mesmo dos pequenos interiores do estado.
Pode ser até engraçado, mas a Praça do Anjo Mau não tem banquinho, não existem arvores para dar sombra, não tem pessoas vendendo cachorro-quente ou algodão doce para as crianças, não tem casais fazendo promessas de casamento ou a escolha do nome dos filhos, existem muito comércio e uma barraquinha voltada para os fieis do candomblé vendendo contas, folhas para a purificação e imagens de esculturas dos orixás.
Sentada em um bar e observando as pessoas, o local e o costume daqueles que nos cercam chamei o garçom cujo nome era de anjo também, Gabriel, um negro, alto, forte e com os olhos castanhos claros e nada de sorriso, como de costume de todos aqueles que vivem na Praça do Anjo Mau. Pedi ao garçom um refrigerante.
Depois de ele trazer o refrigerante comecei a questionar o porquê do nome da praça.
- Amigo você sabe o porquê o nome dessa praça?
Um senhor, barbudo, com camisa azul, calça branca, aparentemente deveria ter 72 anos, bebendo cerveja, estava sentado atrás de mim, se meteu na conversa e disse que aquele local foi chamado assim no inicio da década de 80 onde haviam muitos acidentes de carros, atropelamentos e os maiores índices de furtos de veículos e carteiras se localizavam ali e depois disso o local só é conhecido em todo bairro Beiru como a Praça do Anjo Mau.
Questionei mais uma vez com outra pergunta:
- Onde ficam os policiais nesta questão? E os políticos?
Gabriel olhou e mandou eu levantar da cadeira e pediu para que observasse a rua e falou com uma voz rouca como estivesse triste:
- Senhora, Deus se esqueceu de nós, agora imagine os policiais e os políticos?
Agora, quem ficou calada fui eu e parei para observar o que ele havia falado. Realmente, Deus e os homens de poder deveriam olhar mais aquele local castigado pela prefeitura. As ruas não têm uma sinalização para os motoristas, os pedestres andam quase no meio da rua devido a algumas barracas de camelô que ficam vendendo de bijuterias até objeto para decoração da casa, música alta na luz do dia não respeitando a lei do silêncio e alto índice de roubos, pensei como Gabriel tinha razão.

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