Unidas por um monumento

por Jéssica Brandão
Os raios do sol ao nascer, em contato com as paredes amarelas e as vidraças do Elevador Lacerda, acordam toda a enseada ao redor do Centro Histórico. As catracas, gradualmente, vão cedendo passagem a comerciantes, trabalhadores, estudantes, funcionários, turistas e moradores da região. Subir ou descer agora é apenas uma consequência da utilidade deste meio de transporte.
Situado no Centro Histórico de Salvador, entre a Cidade Alta e Baixa, o Elevador Lacerda além de ser um dos mais belos cartões postais do Brasil, é também um dos principais meios de transporte, afirma o supervisor do elevador, Jorge Oswaldo da paixão, 55 anos: “O elevador é muito importante somente no subir e descer, já pensou se a gente não tivesse esse recurso? A alternativa seria ir à Avenida Contorno para poder subir a cidade”.
Utilizados por mu
itos como meio de transporte, o Elevador é muito conhecido por ser ágil e barato. A viagem pelas cabines demora em torno de 30 segundos e o custo da passagem é de apenas R$ 0,05. “Eu o vejo como um meio de passagem de pessoas da Cidade Alta pra Cidade Baixa, ele pode ser também um ponto turístico, mas a maior parte da população soteropolitana o utiliza para se locomover”, afirma o estudante Rodnei Costa, 20 anos.Projetado entre as rochas da Ladeira da Montanha, o Elevador foi construído com o intuito de facilitar o tráfego das pessoas e mercadorias entre as duas cidades. Hoje, no entanto, passados alguns anos após sua inauguração, tornou-se também um dos maiores patrimônios culturais do país. E apesar das reformas, ele continua com a estrutura física intacta mediante a degradação de boa parte do Centro Histórico.
Segundo Anna Trinchão, tetraneta de Antônio Lacerda, parte da conservação do Elevador é proveniente também da luta de sua irmã Gláucia Trinchão. Recentemente a prefeitura do município, um dos responsáveis pela conservação do elevador queria modificar as cabines existente em suas torres, substituindo-as por cabines de visão panorâmica. “Esta mudança modificaria toda a estrutura do elevador” afirma Trinchão.
A má preservação e as reformas realizadas nestas áreas culturais, às vezes acabam por modificar parte da estrutura histórica da cidade. Com relação ao aspecto visual, parte da estrutura arquitetônica sofre alterações do mundo contemporâneo, transformando assim os nossos sítios históricos. “A história da cidade está sendo destruída, tem um lugar no qual só tem a fachada, a cidade não está sendo preservada”, diz a estudante de história Imália Rios Barreto, 19 anos, depois de apresentar o Centro Histórico e o Elevador Lacerda a duas primas de Feira de Santana.
Elevado mesmo sendo desconhecido
A história da Bahia passa despercebida aos olhos das pessoas acostumada com a passagem, explica a analista de Recursos Humanos (RH) Hildete Monte Verde, 40 anos, “Culturalmente é importante saber como tudo isto foi feito e tal, mas a gente nunca sabe, as vezes o soteropolitano se transforma num turista, pois não conhece a cidade”.
Poucas pessoas conhecem a construção e a história deste monumento. A estagiária da Emtursa e estudante de turismo Lívia Barbosa, 25 anos, é uma das raras exceções. “Eu conheço a história do elevador através da faculdade, pois tem uma matéria chamada História da Bahia”. Segundo Barbosa esse conhecimento a ajuda muito, tanto para crescimento pessoal como para orientar os turistas: “Eles querem saber sobre a Cidade Baixa, e a gente acaba explicando sobre a história do Comércio, do Mercado Modelo e o valor cultural do Elevador”.

Postar um comentário