Mostrando postagens com marcador Ingreth Capistrano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ingreth Capistrano. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Amigos da quadra para o bem de todos





por Ingreth Capistrano


Os Amigos da Quadra (AQUA) é um pequeno grupo de moradores do Condomínio Costa do Atlântico, fundado por Rosana Cerqueira, moradora do Condomínio Costa do Atlântico no bairro Costa Azul. Os moradores uniram-se em agosto de 2006 para revitalizar a quadra poliesportiva da área privada do condomínio. A quadra se encontra em decadência, suja e abandonada. As reuniões do AQUA são realizadas duas vezes ao mês, sendo os síndicos de cada prédio avisados previamente. Eles espalham avisos nos prédio, mesmo assim aparecem poucas pessoas nas reuniões.
Não se conseguiu verba suficiente para a revitalização, foram realizadas caminhadas sem o apoio dos moradores do condomínio, comenta Rosana Cerqueira, 42 anos, componente assídua do grupo: “Reclamaram do barulho, jogaram ovo, no Brasil existe um povo descansado, essa é a verdade”.
Para a arrecadação de verbas, aconteceram também aulões com o morador e professor de educação física Marcos Mattos, 39 anos, decepciona, ele declarou “Eu abdiquei do meu domingo, único dia sem trabalho, o dia disponível para meus filhos, justamente por uma boa causa, venho aqui dar aula para a minha ‘comunidade’ e aparecem três pessoas, é chato, mas não podemos desistir”.
O espaço é dedicado aos moradores do condomínio e está sendo utilizado por jovens para uso de drogas e aliciamento de menores. A mãe de uma das crianças não quis se identificar, mas disse: “Aqui é um condomínio fechado, pago para isso e cadê a segurança? É necessário construir algo nesse espaço, coloquem luzes, e é muito triste pois este imenso espaço poderia ser muito bem aproveitado, mas está sendo abandonado, e os moradores não ligam e os mobilizadores são criticados”.
O AQUA conseguiu apoio de Hendrik Aquino, 44 anos, ex-líder comunitário e fundador do jornal do bairro “Jornal Local”, mas infelizmente até agora a quadra ainda é a mesma. Tinha poucos integrantes no AQUA, para um condomínio com 2.304 moradores. A população está despreocupada, o descaso foi grande e o grupo voltado para a revitalização da quadra, se desfez por falta de patrocínio e apoio dos próprios moradores.
Os síndicos dos seis prédios existentes no Condomínio não se interessaram, muito menos ajudaram os AQUA, não havendo uma interação. O grupo necessitava de mais componentes, voluntários, jovens revolucionários e essas exigências não foram atendidas.

Apartheid no carnaval de Salvador





por Ingreth Capistrano

"Apartheid disfarçado todo dia, quando me olho não me vejo na TV, quando me vejo estou sempre na cozinha... Será que um dia eu serei a patroa,sonho que um dia isso possa acontecer..." Adão Negro.

Carnevale, quer dizer "o tempo em que se tira o uso da carne", noite anterior à Quarta-Feira de Cinzas. Assim como o futebol, é a maior manifestação de cultura popular no Brasil. Cerca de dois milhões de foliões, sendo 400 mil estrangeiros, participam da maior festa popular do planeta, além de contribuir com a renda e o turismo da capital baiana, o carnaval soteropolitano tende a expansão a cada ano que passa. O prefeito João Henrique disse que quer ver no próximo ano, uma maior participação popular, mas para isso ocorrer, haverá o recuo de camarotes e ampliação das arquibancadas populares, para que o povo possa brincar e ter mais espaço, sem deixar de exercer o seu direito de democracia. Lógico que há todo um interesse político-capitalista por trás disso, carnaval da Bahia igual a propaganda, igual a turismo, igual a renda para a cidade.
Foram realizados cerca de 220 mil empregos temporários, dentre cordeiros, ambulantes e montadores das estruturas carnavalescas. A indústria do carnaval movimenta em torno de um bilhão, mas será mesmo necessário desviar dinheiro das merendas escolares?! Enquanto muitos reúnem roupas, alimentos e remédios para as vítimas de Santa Catarina vemos a seca do nordeste, crianças morrendo de fome, sem saneamento básico, vivendo em condições precárias, e vemos também uma central enriquecer, a central de um carnaval. O comércio do carnaval foi tema de palestras para empreendedores, o tema chegou a ser comparado com o império do Walt Disney. O carnaval de Salvador deveria ser a maior festa de participação popular do planeta, uma manifestação livre, criada pelo povo e não por indústrias, máquinas de fazer dinheiro.
Antes, as pessoas que possuíam carros, era quem tinha as maiores condições financeiras, enfeitavam seus automóveis e convidavam seus amigos para desfilarem pelas ruas. Os negros brincavam com os brancos, sendo que esses podiam atingi-los com águas sujas, farinhas, enquanto os negros só poderiam fazê-lo entre si. Com o passar do tempo, o carnaval de Salvador se resumiu a grandes diversões em pequenos clubes, com reuniões no Baiano de tênis, Associação Atlética, Clube Espanhol, para a disputa do melhor baile carnavalesco da cidade. Hoje os clubes foram para as ruas, tornaram-se verdadeiros shoppings, passarelas de glamour, o carnaval virou um produto a ser comercializado por uma indústria viril, a alegria passou a ser comercializada, comprada por um preço alto, um comércio ávido e separatista.
É o momento em que dois "Brasis" desfilam na avenida, de um lado camarotes luxuosos, com boate, salão de beleza e customização de camisas, cinema, internet 24h, ótimos bares e restaurantes, ar-condicionado, uma opção em que boa parte da população de Salvador não pode desfrutar, o passeio público de Salvador é loteado por seis dias, tirando-se a conclusão de que o carnaval da Salvador foi feito para o turista. O Apartheid fica explícito, quando vemos, os VIP’s (Pessoas muito importantes) nas sacadas dos camarotes de vários andares, onde bebida e comida é livre, e além de artistas, políticos também são convidados. Do outro lado, o povo, a "pipoca", pessoas espremidas, sendo delimitados poucos metros para se moverem. Lá se encontram pessoas que estão tirando o seu pão para comer, cordeiros que ganham R$ 26,00 por dia, catadores de latas, ambulantes, um grupo que aceita essa segregação, um carnaval que protege a elite e dificulta a participação do povo, discrimina o pobre, onde cordas são usadas para separarem os bacanas que compram blocos de R$ 500,00 a 2.500,00. O povo não tem condições financeiras para ‘comprar’ um carnaval digno. E quando passa o carnaval, seguranças e cordeiros são encontrados em programas de TVs locais para cobrarem a diária de trabalho que ainda não foi recebida. Essa é a realidade, o homem é um animal! Mas ainda há esperança, porque há de haver democracia.                     
Carnaval é uma festa do povo. O Ministro da cultura todo ano faz um camarote onde, artistas e pessoas importantes são convidadas. O lema do governo é: "Brasil; Um país para todos!", um país que tem um município chamado Manari, menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, onde a lei permite um abono em torno de R$ 1.500,00 do auxílio maternidade do governo federal para quem for agricultor, sendo que este abono acaba sendo usado como um ‘incentivo’ para as mulheres parirem. Um lugar que não possui nem água tratada, essa situação só vai mudar, quando a população deixar de votar, aí sim os governantes enxergarão algo de errado e solucionarão o problema. Apesar de juntos, eles estão separados, o pobre e rico caminham por estradas diferentes, onde pobres e conseqüentemente negros, procuram confusões, brigas para serem notados por questão de segundos, não deixa de ser uma forma de aclamar a atenção de todos, principalmente das autoridades, e mostrar que eles também têm direitos.
Carlinhos Brown, cantor, compositor e um dos maiores percussionistas do Brasil inovou, produziu um Camarote andante, onde ninguém fica em cima do trio elétrico, só os músicos e o som, ele canta e dança no chão da avenida, animando a todos. É a maior pipoca do carnaval, as pessoas que não tem camisas de blocos, saem atrás do trio elétrico, não existe cordas isolando, é o povo e a festa. Brown é uma mente especial, inteligentíssimo, comprometido, sensível, que consegue ser um e ao mesmo tempo vários Browns. Ele acha que o carnaval de salvador é separatista e desabafa, "A ditadura não acabou para nós, para preto e para pobre, as imagens são iguais àquelas de cavalos batendo, de polícia dando no lombo. Acho que as cordas são desnecessárias. Elas ainda trazem resquícios do navio negreiro, que o cara vem nas cordas, do trabalho forçado, de escravidão, e acima de tudo é uma base do Apartheid" Agência Reuters. Brown

Gaveta de Briefing © 2008. Template by Dicas Blogger.

TOPO