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quarta-feira, 27 de maio de 2009

O sucesso chegará?





por Aricelma Araújo


Ao longo de anos, o universo feminino, vem lutando para entrar no cenário musical e reafirmar sua identidade. A busca pelo sucesso vem se perpetuando há anos. Umas conseguem, outras param por não terem os ingredientes suficientes para conquistá-lo. Eis a questão. Há uma formula para atingir o sucesso? Este chegarás um dia? Ganhar expressividade na música nunca foi uma tarefa para muitos e para qualquer gênero.
Durante décadas a mulher sempre teve um papel diferenciado, um tratamento direcionado ao papel que representava que era de ser “responsável pela procriação da espécie e de dona de casa”. No Brasil, com padrões culturais diferenciados, enquanto cantoras, musicistas, instrumentistas, inspiradoras de canções, poucas ou nenhuma antigamente tinham oportunidade, pois este papel cabia ao homem. Como passar dos anos e com a necessidade de ser tornar um agente social de mudanças, a mulher foi buscando se firmar no cenário musical.
No Brasil, a história da musicalidade feminina é despertada inicialmente por Chiquinha Gonzaga, personalidade feminina na história da música popular brasileira e uma das percussora da nacionalização musical, que ousou derrubar muitas barreiras e preconceitos para cantar. Graças a essa artista, que surgiu em 1899 a primeira composição para o carnaval brasileiro, “Ô Abre Alas”.
Depois de Chiquinha, nas décadas de 40 e 50, surgem as cantoras de rádio, Carmélia Alves, Ellen de Lima, Zezé Gonzaga e outras, cantando pré-bossa-nova. Nas décadas de 60 e 70, o universo musical vai ganhando maiores dimensões e vão surgindo nomes como de Maria Betânia, Gal Costa, Rita Lee, estas que já faziam um pouco de sucesso nos anos 50 e que devido a muitas dificuldades no meio artístico, não ganharam projeção. Mas quem definiu a arte de cantar foi Elis Regina, que com todo seu potencial revelou talentosos compositores como Milton Nascimento, João Bosco e outros.
Percebemos que mesmo poucas oportunidades, o papel da mulher foi fundamental no cenário da música brasileira, pois graças canções produzidas por elas, que a música brasileira foi apresentada ao mundo.
No Brasil de antigamente chegar ao ápice do sucesso, da fama, exigia alguns fatores, dente eles quebrar o preconceito de uma sociedade machista. Nos últimos anos, para atingir o ápice da fama, ganhar expressividade, fazer sucesso não é apenas lutar contra o preconceito, é também possuir muitos fatores como: sorte, talento, aceitação do mercado fonográfico e da mídia, e como diz Margareth Menezes: “Está no lugar certo e na hora certa”.
Na sociedade atual, está cada vez mais nítido que a música vem reafirmando a identidade feminina, pois graças ao talento que muitas mulheres possuem elas vem se tornando invejáveis e desejadas por muitos seguimentos no mundo inteiro. A cada dia, são vistos exemplos de cantoras vitoriosas. Hoje elas se tornaram símbolos sexuais, estréiam campanhas publicitárias, estapam as capas de revistas mais badaladas do país e vivem como verdadeiras rainhas.
Na Bahia, de acordo com o Jornalista e pesquisador da evolução da mulher no cenário musical Baiano, Perfilino Neto, a mulher foi se firmando na música à medida que o baiano começava a ter vida noturna e quando as emissoras de rádio foram se acentuando. “Inicialmente as cantoras baianas começaram sua carreira cantando em cassinos, e ai surge o rádio que teve um papel muito importante no incentivo da mulher na musica, pois abria espaços para elas cantarem suas canções”, afirmou em entrevista.
Nascer ricas, muitas não nasceu. Algumas tiveram dificuldades para conquistarem seu espaço, tiveram que romper barreiras, medo, discriminação, falta de incentivo e de apoio familiar. Lutaram contra tudo e contra todos.
Na Bahia, artistas como Margareth Menezes, também não teve uma vida fácil, correu atrás dos seus sonhos, quebrou barreiras e muitas vezes, foi vitima de discriminação. Hoje atingiu o sucesso e é considerada um dos ícones da musica baiana.
A banda Didá, formado em 1993, pelo maestro Neguinho do Samba, é outro exemplo de luta e determinação das mulheres na música baiana, pois formada por percursionistas, levantam o público na Praça Tereza Batista no Pelourinho, com suas batucadas.
“A vida do artista é feita do momento de sucesso e do não sucesso. E do sucesso dinovo. O que vale na vida do artista é o que ele constrói, é o legado que ele consegue fazer em memória da sua música e em memória da sua caminhada”, declarou Margaret Menezes. Dessa maneira que cantoras como Chiquinha Gonzaga, Carmen Miranda, Elis Regina fizeram durante sua carreira no Brasil e no mundo.
Conquistar o tão sonhado sucesso é buscar oportunidades e lutar contra as dificuldades. Salvador, terra do axé, é dona de uma grande mistura de ritmos. Por aqui tem espaço para o forró, o hip- hop, o reggae, a seresta, o chorinho, a música erudita, o samba e as batucadas. Cada ritmo tem sua representante feminina e cada uma delas quando cantam, mostram para o mundo o que a Bahia tem de melhor na música.
Atingir o sucesso é mais um desafio e um obstáculo a ser enfrentado por elas, pois nem sempre chega facilmente, é necessário ter paciência e buscar cautelosamente, pois pode chegar facilmente e em um piscar de olhos ir embora.
A busca incessante pelo reconhecimento é outro fator que as fazem ir cada vez mais atrás do seu espaço na mídia, é o que lhe encoraja para correr atrás de subsídios para conquistar seus objetivos.
Cada cantora baiana tem sua paixão. E foi graças ao amor pelo samba, que fez de Claudete Macedo ser a percussora do samba na Bahia. Seu sucesso de 1963 “Flor de Laranjeira” é interpretado até hoje por diversos artistas. Depois de uma vida difícil e de muitos contratempos em inicio de carreira, Claudete é hoje um exemplo de superação, e prova que as mulheres baianas são capazes de conquistar um espaço no cenário musical.
O que se percebe, é que o orgulho de ser mulher e de cantar, está enraizado em todas elas. Cantar e encantar são méritos conquistados por algumas mulheres depois de muitos anos na busca do reconhecimento, fama e sucesso.




Irreverência e glamour na segunda de carnaval




por Priscila Rodrigues



Para quem quer fugir da agitação dos trios elétricos, a melhor opção do carnaval de Salvador é o Concurso Nacional de Fantasia Gay. Acontece toda segunda – feira durante o carnaval e se resume em luxo, diversão e muita irreverência. A noite fica garantida por um espetáculo de encher os olhos. Mas, não é só para adultos! Pessoas de todas as idades e principalmente as crianças conferem a festa que o Grupo Gay da Bahia organiza com maestria, mesmo muito tempo antes de o carnaval acontecer.
Praça lotada. Crianças, adultos de todas as idades, adolescentes, idosos, homens, mulheres, sejam eles heterossexuais, homossexuais ou transexuais. Estavam todos lá! A espera do Concurso de Fantasia. Mas este, não é um concurso comum, em sua maioria os participantes são gays. Quem organiza é o Grupo Gay da Bahia que desde setembro começa os preparativos da festa.
Alem do concurso, seus apresentadores, e um em especial, Luis Mott, antropólogo e fundador a 30 anos do GGB, fala ao microfone a todo o momento a respeito da importância da luta da causa gay. Com seu grito de guerra “A Bahia é GAY!!!!!!!” muitas vezes arranca risos e olhares de indignação, mas mesmo assim se mostra forte em frente ao preconceito das pessoas.
O brilho e o glamour começam cedo. Pela manha da segunda-feira de carnaval os participantes já começam a se organizar. Roupa, maquiagem, sapato e muito brilho já começam com a transformação daqueles que farão parte da festa. A correria e o suor na preparação de som, palco, luzes, enfim, todo o espaço da festa também começa muito cedo.
Um dos coordenadores do Grupo Gay da Bahia, Otávio Reis é um daqueles que não se cansam de se cansar com os preparativos. Todos os anos ele organiza a ordem de participação dos concorrentes, entre muitas outras tarefas, mas, simplesmente adora. “Quando a gente faz isso é porque quer oferecer isso para o público. Porque é uma coisa bonita, é uma coisa diferente no carnaval.” confessou Otávio cheio de entusiasmo.
Lá pelas cinco horas da tarde os participantes estão nos últimos retoques da roupa e da maquiagem. Lá fora, as crianças tomam conta do palco e dançam a espera do show. Não é nada parecido com a imagem que muitos poderiam ter em sua cabeça. Não há suspense nos rostos daqueles pais e eles estão ali porque querem mesmo assistir com suas crianças a apresentação de Gays. Aliás, se Luis Mott não lembrasse a todo o momento que aquele evento promove a igualdade, isso já teria sido feito por aqueles que ali estavam.
Ao chegar o momento da festa, jurados dos mais diferentes tipos de gente que apóiam e que participam diretamente pela luta por direitos iguais surgiram para completar a festa. Eles julgam os candidatos pela originalidade de suas fantasias. Para os seis vencedores são distribuídos prêmios que no total somam um montante de R$ 13.500,00. O dinheiro do prêmio vem da Prefeitura e da Saltur que também são os únicos patrocinadores do evento.
Conseguir verbas é uma dificuldade que eles enfrentam para a realização do evento. Não existe apoio de empresas particulares. Acho que a barreira do preconceito precisa ser rompida por grupos empresariais para que eles reconheçam também essas manifestações culturais, como já tem sido feito na Parada Gay de São Paulo. A maior parada gay do mundo conta com o apoio de empresas grandes, como no último ano em 2008, que a Petrobrás e a Caixa Econômica Federal eram os principais patrocinadores do evento.
Pronto! Começou a festa! Com a apresentação dos jurados começaram os shows. A platéia interagia com muita descontração e energia, os convidados se apresentavam como se o palco montado na Praça Municipal fosse uma grande boate. A cultura gay já faz parte do Carnaval baiano, essa foi a décima segunda edição do evento.
Fantasias lindas e muito glamorosas. Brilho e festa contagiaram todos os participantes. Até aquelas fantasias que protestavam e chocavam pela verdade, como a de um rapaz que se pintou de vermelho, simulando sangue e segurando uma faixa com os dizeres: “Diga não a homofobia” eram lindas. Lindas pela intenção e emoção que representavam.
O Concurso é um ótimo programa para a segunda – feira de carnaval. É para aqueles livres de preconceito e leves de espírito. Quem não tem vergonha nem desprezo daquilo que é diferente. Afinal no carnaval vale tudo. Principalmente ser muito feliz!
Fotos do Concurso:



Penas alternativas como solução do sistema carcerário





por Jéssica Brandão

Até Deus concorda, o sistema carcerário do Brasil é uma verdadeira desgraça e a solução é o uso das penas e medidas alternativas. Não é por acaso, que a igreja católica, a igreja da inquisição, a mesma que perseguiu, matou, crucificou e viu na prisão uma oportunidade de fazer os criminosos se redimirem, defende na campanha da fraternidade deste ano, a utilização de medidas alternativas para a punição de pessoas que cometeram infrações de baixo potencial ofensivo.
Para o Ministério Público, as penas e medidas alternativas são aplicadas a crimes de pequeno e médio potencial ofensivo, ou seja, delitos sem violência ou grave ameaça, nas sentenças de até quatro anos, e em crimes culposos (sem intenção) após a verificação de antecedentes e a conduta do infrator. Na Lei nº 9.714/98, as penas são entendidas como prestação de serviço a comunidade ou entidade pública, prestação pecuniária, perda de bens e valores, interdição temporária de direitos e limitação de fim de semana.
A extinção das unidades prisionais, da forma que elas existem atualmente, é muito benéfica à sociedade. Ao soltar todos os internos do sistema penitenciário que não cometeram crimes hediondos, e aplicando as penas e medidas alternativas aos egressos, as cadeias diminuem a superpopulação e a sociedade não gradua criminosos, que posteriormente poderão ser reinseridos à sociedade. Com isso, e conforme dados da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), o Estado chega a economizar cerca de R$ 1,500 por preso a cada mês.
Uma pessoa que comete um pequeno ou médio delito, não chega a ser tão agressiva e beneficia muito mais a sociedade prestando serviços a comunidades. A SJCDH afirma que com a aplicação das penas alternativas o retorno ao crime fica entre 2 e 12%, ao contrário dos infratores que são submetido a prisão, nestes casos o índice chega a subir para 85%.
Se é melhor a aplicação das penas alternativas, por que os juízes não aplicam as mesmas ao dar uma sentença? A forma como o Estado Brasileiro foi constituído, demonstra quanto o país é incapaz de utilizar a educação como aliada para a reestruturação desta nação. Hoje, a aplicação das penas alternativas ainda é feita de forma tímida, graças a ineficiência do Estado para fiscalizar os apenados que cumprem esta determinação judicial.
Infelizmente, os juízes que aplicam a legislação no Brasil, também não estão habituados a utilizar as penas alternativas para pobres e negros que roubam latas de leite ou similares. No Brasil, graças a difusão da idéias de manda quem tem dinheiro, as penas alternativas, em sua maioria, ainda são propostas apenas pelos advogados dos criminosos de colarinho branco, estes sim, só cometem infrações de baixo potencial ofensivo.
Com a aplicação destas sanções, o cidadão de colarinho branco nunca será estigmatizado como ex-presidiário e o pobre, negro também não. A reincidência nos crimes diminui, a superpopulação das unidades prisionais será reduzida e o Brasil pode investir muito mais em saúde, moradia, educação e lazer, medidas que realmente ajudam a reduzir o índice de criminalidade.

Culinária afrodisíaca





por Taiana Laiz


Segundo o Dicionário dos Afrodisíacos de H. E. Wedeck, o termo “afrodisíaco” deriva do nome Afrodite – deusa do amor e da beleza, que teria nascido na concha de uma ostra, após seu pai ter sido castrado e seus testículos jogados no oceano. Conforme estudos, os alimentos considerados afrodisíacos têm sua origem remota na antiguidade, na cultura grega, egípcia e romana.
Sua origem deriva na semelhança que alguns alimentos como a banana, cenoura, espargos, entre outros possuem com o órgão sexual. Alguns pesquisadores apontam que a consumação de tais alimentos afrodisíacos tem o objetivo de aumentar o apetite e o desejo sexual. Compreende como afrodisíaco não só alimentos como também bebidas, odores, ervas, produtos químicos e outras substâncias que tenham como fator principal a estimulação do prazer sexual.
A ciência ainda pouco explica sobre o poder que certos alimentos possuem sobre o estimulo sexual. Para alguns cientistas, o fato pode ser explicado pela influência que certos alimentos combinados ou não, podem ter sobre a mente e os principais receptores afrodisíacos que são: a visão, o olfato, tato e paladar. "A combinação de várias reações sensoriais - a satisfação visual ao ver os alimentos apetitosos, a estimulação olfativa dos seus agradáveis odores e a gratificação tátil que é concedida aos mecanismos orais por pratos ricos e saborosos - tendem conduzir a um estado de euforia general favorável a expressão sexual".(Extraído e traduzido da Enciclopédia Britânica).
O mito do nascimento de Afrodite também contribuiu para considerar os alimentos provenientes do mar como afrodisíacos, a exemplo: bacalhau com mel, camarões picantes, ostras fritas com molho, entre outros. A culinária afrodisíaca ganha mais popularidade principalmente, em datas especiais que remetam o desejo e a paixão, como é o caso do Dia dos Namorados.
No Brasil, a Bahia se destaca por apresentar muitos alimentos com finalidade afrodisíaca, já que os pratos típicos são repletos de ingredientes apimentados que excitam o apetite sexual. Existem alimentos como o morango, por exemplo, que é considerado afrodisíaco não por aumentar o prazer, mas por provocar sensações agradáveis que agem diretamente no desempenho sexual.

Negra trançada sabe quem é





por Priscila Rodrigues


O cabelo trançado das negras baianas é, sem dúvida, um elemento que construiu a identidade e a figura de resistência da negritude na Bahia. As negras baianas estão envolvidas em um contexto que as fazem se auto-identificar e pertencer a um grupo racial. Negras baianas. Outrora, somente envolvidas em questões ligadas ao culto do corpo e da sensualidade como forma de expressão, os cabelos se tornaram importantes para “a formação de identidades de afirmação positiva das diferenças raciais e a feminilidade” (Taniamara Elias Santos, 2008, pg. 3).
O cabelo trançado é diferente daquele cabelo que víamos ser massivamente difundido pela mídia até pouco tempo atrás de que cabelo bonito é cabelo liso. Chapinha, alisamento japonês, escova, escovas de chocolate, relaxamento, amaciamento, estão entre os inúmeros tratamentos aos quais muitas negras de cabelo crespo se submetem. Mas, existem também aquelas que andam na contramão de toda essa parafernália inventada pela indústria da moda e trançam os cabelos na procura por valores que ultrapassem esse domínio cultural do belo e bom.
Essas mulheres que antes eram esquecidas por tudo que lembrava moda e beleza começaram a lembrar-se que eram bonitas também com a explosão de intensas movimentações que valorizavam a negritude. Comportamento e cuidados com o corpo que definem um estilo negro de ser em roupas, cabelo e atitude eram importados e imitados pelos jovens em Salvador. “Uma imagem de contraste revela um discurso político, a partir dos anos 1970, relacionado aos reflexos do "black is beautiful", movimento cultural e comportamental norte-americano dos anos 1960.” (Jocélio Teles dos Santos, 1999, pg. 7) Essa influência ficou bastante clara com o surgimento do cabelo black-power, que sacudiu a “consciência racial” das jovens negras que passaram também a procurar as tranças e penteados afros em contrapartida aos alisamentos da vida.
“A imagem do cabelo natural passou a ser reverenciada como aquela que se contrapõe ao cabelo liso e que estaria em consonância com uma nova mentalidade do "ser negro".” (Jocélio Teles dos Santos, 1999, pg. 7). Ser negra hoje na Bahia é muito mais do que pertencer a um grupo de pessoas de determinada cor de pele. Ser negra baiana é também estar ligada a todo o turbilhão cultural pelo qual essa gente está destinada desde que pode se compreender e se orgulhar da carga genético-cultural que está no tom da pele. “A identidade negra é entendida, aqui, como uma construção social, histórica, cultural e plural. Implica a construção do olhar de um grupo étnico/racial ou de sujeitos que pertencem a um mesmo grupo étnico/raciais sobre si mesmos, a partir da relação com o outro.” (Nilma Lino Gomes, 2003, pg 5)
Para se tornar doutora em Antropologia Social pela USP, Nilma Lino Gomes, desenvolveu uma pesquisa etnográfica em salões étnicos de Belo Horizonte relacionando negro, corpo e estética. A pesquisa dela revelou que no processo de construção de identidade, o cabelo crespo era um forte ícone identitário que faria o corpo ser considerado como um suporte da identidade negra. “O papel desempenhado pela dupla: cabelo e cor da pele na construção da identidade negra foi o ponto de maior destaque durante a realização da pesquisa. A importância desses, sobretudo do cabelo, na maneira como o negro se vê e é visto pelo outro, até mesmo para aquele que consegue algum tipo de ascensão social, está presente nos diversos espaços e relações nos quais os negros se socializam e se educam: a família, as amizades, as relações afetivo-sexuais, o trabalho e a escola. Para esse sujeito, o cabelo carrega uma forte marca identitária e, em algumas situações, é visto como marca de inferioridade” (Gomes, 2002).
Mulheres que usam tranças têm a sua ancestralidade negra fortalecida e externada. Elas não sentem vergonha do que são e sabem valorizar suas raízes. São femininas, fortes e belas. A estética que os cabelos trançados proporcionam perpassa a construção da auto-estima da negra e chegam à politização dessas mulheres. Símbolos da luta por referências e identificação com sua própria história.
Foto: Google

A importância da hidroginástica para a gestante




por Gabriel Ramacciotti



Quando se fala em gravidez é muito importante salientar que a prática de exercícios é de suma importância no desenvolvimento saudável do bebê. Para isso muitas mamães buscam vários caminhos para que nada de errado aconteça durante a sua gravidez. Com isso existem vários exercícios específicos como: a natação, que trabalha a musculatura, o alongamento, a caminhada, o yoga, o pilates entre outros. Mas é a hidroginástica a mais recomendada para o desenvolvimento de uma gestação saudável.
Surgida na década de 80 essa atividade ganhou proporções no mundo e também no Brasil. Inicialmente ela era utilizada para curar lesões que eram provocadas pela ginástica aeróbica e com o tempo foi sendo utilizada para que as grávidas se sentissem melhor durante todo o processo da gravidez. A hidroginástica traz uma grande manutenção do trabalho corporal da grávida, assim atendendo o desejo de todas as mulheres em conseguir uma boa forma.
Ela é uma atividade relaxante, sendo realizada na água e utilizando sempre bóias específicas que ajudam na locomoção. É comum nos dias de hoje as pessoas não terem tempo para se exercitar, assim essa atividade é uma boa maneira para supri o hábito das mulheres que não se exercitam, trazendo uma segurança maior para as mesmas e para a criança. De fato não existe contra indicações para a realização dessa atividade, existindo assim vários benefícios para a gestante.
Dentre os vários benefícios que ela proporciona pode-se citar: relaxamento de todo o corpo da mulher, as dores da coluna começam a amenizar, traz um grande equilíbrio para todo o corpo, as atividades cardiorrespiratórias melhoram além de trazer uma sensação total de bem estar. Mas com todos esses benefícios que encantam as grávidas, algumas precauções devem também ser tomadas como: evitar ao máximo o uso de água quente no dia a dia, pois isso pode trazer problemas para o feto em formação e checar sempre que possível a pulsação tendo um controle da mesma.
Os exercícios de hidroginástica são distribuídos em séries que são a metabólica, a principal e a respiratória. Na primeira é feito exercícios com os braços soltos no plano horizontal com os cotovelos flexionados. Na segunda as pernas ficam separadas com os braços formando um ângulo de 90° graus e a última série usa-se o cotovelo flexionado, forçando o queixo no peito e contraindo o abdômen. Todas essas séries estão interligadas e sem uma seqüência os exercícios não fazem efeito.
De fato a hidroginástica é mais do que uma atividade para um bom desenvolvimento do bebê, ela é uma atividade terapêutica que faz com que muitas das grávidas relaxem os seus corpos, levando-as a uma sincronia perfeita com os seus bebês. Essa é uma atividade que além de ter uma boa reputação ela é bem aceita pelas próprias gestantes que se sentem bem em realizá-la.
Por isso com gravidez não se brinca, para muitas gestantes que estão começando a passar por essa grande caminhada a hidroginástica é uma atividade que irá confortar e construir uma direção para que essa nova mamãe se sinta bem consigo mesma e com o seu filho que virá.

Apartheid no carnaval de Salvador





por Ingreth Capistrano

"Apartheid disfarçado todo dia, quando me olho não me vejo na TV, quando me vejo estou sempre na cozinha... Será que um dia eu serei a patroa,sonho que um dia isso possa acontecer..." Adão Negro.

Carnevale, quer dizer "o tempo em que se tira o uso da carne", noite anterior à Quarta-Feira de Cinzas. Assim como o futebol, é a maior manifestação de cultura popular no Brasil. Cerca de dois milhões de foliões, sendo 400 mil estrangeiros, participam da maior festa popular do planeta, além de contribuir com a renda e o turismo da capital baiana, o carnaval soteropolitano tende a expansão a cada ano que passa. O prefeito João Henrique disse que quer ver no próximo ano, uma maior participação popular, mas para isso ocorrer, haverá o recuo de camarotes e ampliação das arquibancadas populares, para que o povo possa brincar e ter mais espaço, sem deixar de exercer o seu direito de democracia. Lógico que há todo um interesse político-capitalista por trás disso, carnaval da Bahia igual a propaganda, igual a turismo, igual a renda para a cidade.
Foram realizados cerca de 220 mil empregos temporários, dentre cordeiros, ambulantes e montadores das estruturas carnavalescas. A indústria do carnaval movimenta em torno de um bilhão, mas será mesmo necessário desviar dinheiro das merendas escolares?! Enquanto muitos reúnem roupas, alimentos e remédios para as vítimas de Santa Catarina vemos a seca do nordeste, crianças morrendo de fome, sem saneamento básico, vivendo em condições precárias, e vemos também uma central enriquecer, a central de um carnaval. O comércio do carnaval foi tema de palestras para empreendedores, o tema chegou a ser comparado com o império do Walt Disney. O carnaval de Salvador deveria ser a maior festa de participação popular do planeta, uma manifestação livre, criada pelo povo e não por indústrias, máquinas de fazer dinheiro.
Antes, as pessoas que possuíam carros, era quem tinha as maiores condições financeiras, enfeitavam seus automóveis e convidavam seus amigos para desfilarem pelas ruas. Os negros brincavam com os brancos, sendo que esses podiam atingi-los com águas sujas, farinhas, enquanto os negros só poderiam fazê-lo entre si. Com o passar do tempo, o carnaval de Salvador se resumiu a grandes diversões em pequenos clubes, com reuniões no Baiano de tênis, Associação Atlética, Clube Espanhol, para a disputa do melhor baile carnavalesco da cidade. Hoje os clubes foram para as ruas, tornaram-se verdadeiros shoppings, passarelas de glamour, o carnaval virou um produto a ser comercializado por uma indústria viril, a alegria passou a ser comercializada, comprada por um preço alto, um comércio ávido e separatista.
É o momento em que dois "Brasis" desfilam na avenida, de um lado camarotes luxuosos, com boate, salão de beleza e customização de camisas, cinema, internet 24h, ótimos bares e restaurantes, ar-condicionado, uma opção em que boa parte da população de Salvador não pode desfrutar, o passeio público de Salvador é loteado por seis dias, tirando-se a conclusão de que o carnaval da Salvador foi feito para o turista. O Apartheid fica explícito, quando vemos, os VIP’s (Pessoas muito importantes) nas sacadas dos camarotes de vários andares, onde bebida e comida é livre, e além de artistas, políticos também são convidados. Do outro lado, o povo, a "pipoca", pessoas espremidas, sendo delimitados poucos metros para se moverem. Lá se encontram pessoas que estão tirando o seu pão para comer, cordeiros que ganham R$ 26,00 por dia, catadores de latas, ambulantes, um grupo que aceita essa segregação, um carnaval que protege a elite e dificulta a participação do povo, discrimina o pobre, onde cordas são usadas para separarem os bacanas que compram blocos de R$ 500,00 a 2.500,00. O povo não tem condições financeiras para ‘comprar’ um carnaval digno. E quando passa o carnaval, seguranças e cordeiros são encontrados em programas de TVs locais para cobrarem a diária de trabalho que ainda não foi recebida. Essa é a realidade, o homem é um animal! Mas ainda há esperança, porque há de haver democracia.                     
Carnaval é uma festa do povo. O Ministro da cultura todo ano faz um camarote onde, artistas e pessoas importantes são convidadas. O lema do governo é: "Brasil; Um país para todos!", um país que tem um município chamado Manari, menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, onde a lei permite um abono em torno de R$ 1.500,00 do auxílio maternidade do governo federal para quem for agricultor, sendo que este abono acaba sendo usado como um ‘incentivo’ para as mulheres parirem. Um lugar que não possui nem água tratada, essa situação só vai mudar, quando a população deixar de votar, aí sim os governantes enxergarão algo de errado e solucionarão o problema. Apesar de juntos, eles estão separados, o pobre e rico caminham por estradas diferentes, onde pobres e conseqüentemente negros, procuram confusões, brigas para serem notados por questão de segundos, não deixa de ser uma forma de aclamar a atenção de todos, principalmente das autoridades, e mostrar que eles também têm direitos.
Carlinhos Brown, cantor, compositor e um dos maiores percussionistas do Brasil inovou, produziu um Camarote andante, onde ninguém fica em cima do trio elétrico, só os músicos e o som, ele canta e dança no chão da avenida, animando a todos. É a maior pipoca do carnaval, as pessoas que não tem camisas de blocos, saem atrás do trio elétrico, não existe cordas isolando, é o povo e a festa. Brown é uma mente especial, inteligentíssimo, comprometido, sensível, que consegue ser um e ao mesmo tempo vários Browns. Ele acha que o carnaval de salvador é separatista e desabafa, "A ditadura não acabou para nós, para preto e para pobre, as imagens são iguais àquelas de cavalos batendo, de polícia dando no lombo. Acho que as cordas são desnecessárias. Elas ainda trazem resquícios do navio negreiro, que o cara vem nas cordas, do trabalho forçado, de escravidão, e acima de tudo é uma base do Apartheid" Agência Reuters. Brown

Prevenir é o remédio





por Luciana Amâncio


Tempos atrás a palavra câncer nem era pronunciada. Falava-se C.A. Soube que era por medo que as pessoas tinham, afinal era e ainda continua sendo uma doença que pode levar a morte, como tantas outras. Hoje, falar da doença sem medo é fundamental para combatê-la e vencê-la.De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil é o de mama. Por esse motivo trabalhos de prevenção estão sendo feitos com mais freqüência pelo estado a exemplo das campanhas veiculadas nos meios de comunicação de massa, pois o tratamento dessa doença tem alto custo. Mais uma vez a nossa valorosa comunicação entra em cena.
O trabalho de prevenção ocorre no intuito de detecção precoce da doença, porque quanto ao aparecimento não há nada a fazer. Se for para a mulher ter câncer um dia, ela terá. Tomou um susto? Eu também fiquei assustada quando tive conhecimento dessa informação. Por isso, é fundamental detectar quando o nódulo ainda está no seu início, para uma maior chance de cura.
Não há causas para o aparecimento da doença, existem apenas fatores de risco que podem influenciar no surgimento de tumores malignos como obesidade, fator genético, má alimentação e gravidez tardia. Ainda assim, mesmo quem apresenta um ou mais fatores de risco podem nunca desenvolver a doença.
As mulheres devem seguir as orientações do médico fazendo auto-exame, exame de toque das mamas (clínico), ultrassonografia e mamografia (a partir dos 35 anos e após os 40 anualmente), além de atividade física, importante em qualquer situação. "Prevenção é uma rotina, não é para atormentar nem amedrontar a vida de ninguém, pelo contrário, é para proteger", afirma o mastologista Luciano Santos Ramos.
Segundo dados do INCA, de acordo com as estimativas de novos casos de câncer de mama para os anos de 2008 e 2009, Salvador ocupa a 6° posição entre as capitais brasileiras e a 2° entre as do nordeste, perdendo a primeira posição para Recife. Para a capital baiana são esperados 710 novos casos. A enfermeira e técnica do programa Viva Mulher da Secretaria de Saúde do Município, Mariete Fonseca, afirma que novos casos estão aparecendo porque as mulheres estão comparecendo mais ao médico.
Os trabalhos de prevenção e a localização do câncer de mama no início estão possibilitando a realização de cirurgias mínimas, sem mutilação, situação inexistente há 50 anos, quando não havia outro processo cirúrgico a não ser a mastectomia (processo mutilador).O avanço tecnológico vem contribuindo de forma essencial na cura da doença, pois os suportes existentes devido ao aparato tecnológico são importantes desde o diagnóstico ao tratamento após a cirurgia, com quimioterapia e radioterapia.
Os meios de cuidado estão disponíveis para nós, ainda que infelizmente em mais proporção para uns do que para outros, devido à disparidade da qualidade da saúde privada e pública, tendo essa última melhorado com programas voltados para saúde da mulher. Então mulheres, rumo ao mastologista!

Samba e forró, símbolos da identidade nacional






por Claudiana Silva


Um país como o Brasil, construído a partir de vários grupos culturalmente distintos sofreu diversas influências, agregando à sua identidade diferentes características e expressões culturais de origens distintas. Além das contribuições dos nativos (indígenas), o país adquiriu também características de europeus, africanos e hoje, até de orientais. Esse fator torna difícil definir e de identificar uma característica inerente ao país.
A crença popular acredita que o samba tem sua origem no Brasil, mais especificamente na Bahia, mas, poucos sabem que o samba realmente nasceu em terras brasileira. Durante o séc. XVI negros escravos chegaram ao país e muito contribuiu para criar a identidade brasileira, uma dessas contribuições foi com a dança. O samba como conhecemos hoje nasceu no Brasil, verdade o samba é reminiscência de danças africanas.
Segundo o historiador Luis da Câmara Cascudo em uma viagem a Luanda, observou que em algumas festas indivíduos dançavam acompanhados de instrumentos de percussão, os participantes reunidos em círculos, o centro era ocupado por um dos dançarinos (homem ou mulher) que após executar seus passos coreográficos, gingando todo o corpo, terminava a sua apresentação com uma umbigada (samba), neste momento outro integrante do grupo, que sua vez reiniciava a coreografia.
No Brasil ainda existe esse tipo de dança, principalmente em cidades do interior nas regiões nordeste e norte este esse tipo de dança são conhecidos como dança de roda, samba de raiz, estes são tipos de samba onde o dançarino esfrega os pés no chão parecendo andar para traz. Porém pode-se afirmar que o samba é sim uma dança brasileira, porque apesar de possuir laços com ritmos africanos, a forma como se dança o samba é singular. A forma de mover os pés andando para trás sem sair do lugar e em passos rasteiros, caracterizam o samba nordestino.
A depender da região, o samba tem suas características da dança mudadas em alguns aspectos. No sudeste em estados como São Paulo e Rio de Janeiro o samba é dançado com passos mais altos, as bailarinas usam os braços em movimentos elegantes. Esse tipo de dança só possui registro no Brasil.
Outro tipo de dança genuinamente brasileira é o forró, trata-se de uma dança nordestina, dançada aos pares. Pode ter origem no toré e o arrastar dos pés dos índios, com os ritmos binários Portugueses e Holandeses e com o balançar dos quadris dos africanos.
Apesar de ter influência direta das danças de salão européias o forró ganhou popularidade ao cair no gosto dos brasileiro e ganhar inúmeras influencias originando na dança que hoje só é encontradas em terras brasileiras.
Conhecido e praticado em todo o Brasil, o forró é especialmente popular nas cidades brasileiras de Juazeiro do Norte, Caruaru, Mossoró, e Campina Grande, onde é símbolo da Festa de São João, e nas capitais Aracaju, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Maceió, Recife, São Luís e Teresina onde são promovidas grandes festas. Essa dança ganhou força no nordeste, principalmente na cidade do interior, acredita-se que a origem para o termo forró, deu-se quando em Pernambuco havia um baile onde muitos estrangeiros frequentavam, e na entrada estava escrito em inglês (for all), para todos, então ficou popular no estado e no pais como forró.
O Brasil pode ser considerado como um país atípico porque é capaz de absorver características de outras nações, o interessante é que os brasileiros tem a capacidade de abrasileirar tais características. É dessa forma que nasce o forró e o samba, danças tipicamente brasileiras, que já ganharam força se tornando símbolos da identidade nacional.
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Saiba mais: www.ritmosbrasileiros.com/

Relacionamentos mediados pela internet





por Jeniffer Santos


O poder da internet é inegável. Encontramos notícias a todo o momento. É um espaço de divulgação para trabalhos de todos os tipos. É possível comprar e vender tudo que se possa imaginar e principalmente se comunicar com pessoas de perto ou de longe através de redes sociais, como Orkut, MSN, twitter, facebook.
Cerca de um bilhão de pessoas fazem parte de redes sociais. No ano de 2007, uma pesquisa realizada pelo IBOPE, constatou que 20,1 milhões de brasileiros acessam a internet diretamente de casa e que as páginas mais visitadas são os buscadores, portais e redes sociais.
É fato que existem inúmeros perfis falsos na internet que muitas vezes até denigrem a imagem do usuário. Mas há também vários outros com informações reais sobre a pessoa, que busca nessas redes sociais, amigos e parceiros que tenham afinidades.
Hoje, por causa da internet, inverteu-se a forma de conhecer pessoas. Antes as pessoas iam a um barzinho, festas e etc. Agora por exemplo, visitam a página do Orkut, vêem as comunidades e se a pessoa agradar, adiciona-a como amiga e passam a conversar e se conhecer para em seguida marcar um encontro, se for de agrado de ambas as partes.
Muitos não concordam com esse tipo inicial de contato, por acreditar que a internet é um lugar de fantasia, onde as pessoas podem ser o que quiserem e como quiserem, o que de fato é verdade. Mas isso parte da índole de cada um e também da personalidade. As pessoas precisam se aceitar como são e usar a internet como meio para propagar o verdadeiro eu.
Estar por trás de uma tela do computador não é somente esconder-se, mas sim um meio de mostrar quem você realmente é. Ao usar redes sociais, como o MSN, as pessoas muitas vezes não vêem o rosto da pessoa com quem está mantendo o contato. Então a primeira atração é pelo que a pessoa tem a lhe dizer e não pelo que ela tem a lhe mostrar.
Essa nova maneira de se relacionar pode vir a valorizar o ser e não o ter ou parecer ter. É claro que como dito anteriormente, a pessoa deve fazer bom uso dessas redes e colocar amostra nos perfis o que realmente for verdadeiro sobre sua vida.
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O movimento afro e seus encantos






Por Monique Moura

Falar de Carnaval da Bahia e não mencionar os blocos Afro e sua riqueza cultural é um pecado imperdoável. A beleza dessa folia tão irradiante é fruto sem dúvida dos desfiles dos blocos que guardam muitas tradições, uma cultura rica marcada por influências africana. De pensar que antigamente o negro não tinha espaço nessa festa grandiosa nos remete a idéia no mínimo preconceituosa. De fato é possível perceber que muita coisa mudou neste contexto, todavia é perceptível que é necessário muito mais.
Salvador é a cidade da mistura, da mistura de povos, lugar de forte presença negra, dos seus costumes, aonde o movimento de negritude é grande e que se projeta principalmente nos blocos Afro, guardando entre os seus membros o orgulho de ser negro. A idealização dos blocos como o ilustre Ilê Aiyê, em que a própria música o qualifica “O mais belo dos belos”, surgiu da imensa vontade de ressaltar a identidade cultural do povo negro. Pioneiro nesse movimento social o Ilê, do famoso bairro da Liberdade, mais precisamente da Ladeira do Curuzu, influenciou a criação de outros blocos Afro como; o Olodum do Pelô, do Malê de Balê de Itapuã e posteriormente o Araketu e Muzenza. Nomes provenientes da forte ligação dos membros com aos terreiros de Candomblé.
E o que falar do Gandhy? O maior afoxé da Bahia, com cerca de dez mil associados, levando suas mensagens de paz por onde passam, reverenciando Oxalá através das suas cores azul e branco e que neste ano completou 60 anos. Os filhos de Gandhy dispensam apresentações. Esses blocos buscam a todo o momento a referência do continente africano para os seus desfiles, seja ele na estética com suas fantasias e cabelos trançados ou na musicalidade, através de coreografias que lembram as danças para os orixás nos terreiros, mostrando pra todos a sua beleza no carnaval.
Quem não deixa de marcar presença nos inúmeros camarotes que oferecem de tudo no carnaval ou que nunca viu a passagem desses blocos, precisa ver e sentir, pois é uma aula de cultura baiana que realmente encanta, o som da percussão é pulsante e a beleza é irradiante. Já dizia Goli Guerreiro, antropóloga, que em seu livro A Trama dos Tambores mergulhou neste universo Afro. “No terreno da world music, que privilegia uma musicalidade “étnica”, o samba – reggae se encaixa como uma luva, na medida que recria sonoridades africanas, mesclando-as com ritmos brasileiros e caribenhos, desenhadas em tambores de vários tipos, como surdo, repique, tarol, timbau, entre outros... “A música afro- baiana deixa de ser local para ser global”.
Mas o que esses blocos tem em comum no cenário do carnaval? O carnaval que movimenta milhões durante seus dias de folia, que atualmente é visto como um grande mercado. E se assemelham no exclusivo fato de não conseguirem grandes patrocínios para os seus desfiles além de não contar com a divulgação da mídia, é perceptível que as transmissões locais não mostram o movimento afro. Diante de tantas matérias sobre o carnaval, com exceção da TVE, nenhuma outra ressaltou a importância do movimento afro e seus blocos. Diante de questões como essas é fundamental a reflexão sobre esses dados. E valorizar esses blocos que manifestam a presença afro na nossa terra e contribuem muito para o desenvolvimento social das comunidades.
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www.overmundo.com.br/agenda/movimento-afro-em-cena

Carnaval de Salvador: a exclusão social provocada pela corda



por Taiana Laiz
Muito se tem discutido sobre a questão da corda no carnaval. A exclusão visível provocada pela separação do “folião-pipoca”, aquele que brinca fora dos blocos, do folião de dentro dos blocos é exemplo vivo de segregação histórica do nosso país. Sem a corda, o carnaval de Salvador não teria este formato já conhecido: dentro, os foliões que desfrutam de uma felicidade passageira ligada a quantidade de dinheiro que ele disponibilizou para fazer parte do bloco, e fora, os foliões que tentam se divertir da mesma maneira sem entrar no bloco e sem precisar gastar dinheiro.
A “privatização horizontal do carnaval” tem sido um dos principais problemas que envolvem a classe baixa e a elite econômica da cidade, como afirmam alguns estudiosos. Para eles, a corda nada mais é do que uma segregação histórica não apenas entre o pobre e o rico, mas também, entre o branco e o preto. Aqueles que têm dinheiro para comprar seu abada e ter acesso aos blocos é protegido e seu espaço é reservado pelas cordas e cordeiros, já aqueles que não tem, em sua maioria de classe baixa, ficam do lado de fora espremidos na busca de uma ilusória diversão.
Neste ano, de acordo com a assessoria de comunicação da Emtursa, 700 a 800 mil pessoas foram para as ruas brincar no carnaval de Salvador. Cerca de 40 mil jovens, segundo a assessoria do Ministério Público do Trabalho na Bahia, foram recrutados para trabalhar como cordeiro, sendo que duas mil vagas foram oferecidas pela própria Prefeitura Municipal de Salvador.
Os cordeiros, jovens entre 18 a 24 anos, segundo dados do Assidcorda (Associação dos Trabalhadores Cordeiros), que se disponibilizam para trabalhar de forma barata e perigosa durante os seis dias de carnaval, tem atraído atenção de muitos especialistas na área. A maioria deles, afirmam que o próprio cordeiro é um exemplo de contradição, já que em sua maioria é também a classe excluída do carnaval.
Em entrevista à Carta Maior, em 13 de fevereiro de 2007, o professor de Geografia da UFBA, Clímaco Dias, declarou que “a hegemonia dos blocos particulares, com segregação e exclusão, acabou com a festa popular mais famosa do Brasil”. Segundo ele, tanto o crescimento desordenado dos camarotes quanto o crescimento dos trios elétricos representados pelos blocos, tem destruído o que até então era considerado popular. Popular, no sentido de todos poderem participar sem que para isso precise perder capital.
O fato da existência de uma exlusão social e também econômica provocada pela corda é fato defendido por muitos, até pelos próprios foliões que fazem parte da festa. Hoje, esta questão ainda ocupa um lugar de grandes discussões, contudo, sem grandes resultados, pois, o carnaval de Salvador, continua perdendo espaço para as cordas que delimitam espaço nos blocos, aumentando consideravelmente a segregação de classes sociais.
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Cole na Corda





por Aricelma Araújo



Sem dúvida, a palavra cordeiro muitas pessoas já ouviram falar e para cada uma delas este termo tem um significado diferente. Mas aqui iremos esquecer os outros significados que o dicionário oferece e tratar apenas de um “cordeiro” , que muita gente com certeza já viu ou se não viu, ouviu falar daquele estica-estica de um lado para outro pelas ruas dos circuitos da folia.
A medida que os anos vão passando, a corda é um dos elementos que está se tornando a grande responsável pela definição do espaço de cada folião na avenida, nas ruas dos principais circuitos. Há muitos anos, desde a década de 80 que foi crescendo o números de trios e blocos no carnaval de Salvador, que lá estão eles. Os cordeiros, pessoas, a maioria delas pretos, pobres e desempregadas, que com idade entre 18 e 24 anos arriscam suas vidas no meio da multidão, segurando as cordas que separam o folião pipoca, que brinca nas ruas e nas calçadas, dos foliões que gastam seu dinheiro com a compra de abadas dos mais irreverentes blocos.
De acordo com dados divulgados pela Assessoria de Comunicação Social de Salvador, no Portal Oficial do Carnaval, eles representaram aproximadamente 30% da mão-de-obra nos dias de Carnaval. Tentando ganhar um dinheirinho, durante os seis dias de festa, eles inconscientemente contribuem para que os foliões da pipoca, sejam espremidos e jogados para a calçada. Mas o que fazer, se no Brasil a falta de emprego é uma realidade cada vez mais presente na vida das pessoas? Só resta trabalhar, com o que encontrar pela frente.
Ser cordeiro e ter que ser segurança dos “filhinhos de papai” não é uma situação nada boa. A condição trabalhista destes profissionais, é perceptível a qualquer desvio de olhar que fizermos, quando eles passam protegendo a corda.. É só olharmos nos rostos deles que veremos as expressões faciais falando pelo cansaço, fome, sede, calos nos dedos e nos pés, por tantas e tantas horas ali no estica estica. Caminhando quilômetros e mais quilômetros são normalmente 6 à 8 horas diárias, mas que pode chegar algumas vezes até 10.
Brincar!!! Isso não ficou para eles. Alguns até tentam, mas com o cansaço do empurra-empurra desistem. Dormir? Não. Alguns estendem seus corpos pelas calçadas e ali amanhecem para caminhar até suas casas.
Muitos estão ali, à mercês de sofrer abusos das autoridades, humilhação, discriminação, desrespeito , e até correr o risco de consumir alimentos estragados fornecidos pelos blocos que os contratam, na dureza estão ali, que faça sol ou que faça chuva.
Pois é... Ser cordeiro é uma realidade nua e crua, que não tem como ficar escondida o ano inteiro. Para Percival Bispo, presidente do Sindicato dos Cordeiros da Bahia, cerca de 80 mil cordeiros estiveram nas ruas fazendo a segurança dos blocos em troca em de uma diária mínima de R$ 23,00, estabelecido pelo Ministério do Trabalho. Para a Seção de inspensão do Trabalho (SEINT), essa precisão do Sindicorda é muito grande, mas não deixa de estimar que pelo menos 50 mil ofereceram sua mão-de-obra na festa.
Alguém por eles? Existe sim. Pessoas que conhecem de perto a realidade, e fundaram o Sindicorda, que a cada dia, vem lutando por melhorias e cobrando dos órgãos competentes soluções para tanta exploração e mais direitos para estes trabalhadores.
Só depois muitos anos de sofrimento e exploração, que este grupo conseguiu chamar a atenção dos órgãos públicos e no inicio do ano de 2007, o Ministério Público do Trabalho implementou um tal de TAC ( Termo de Ajustamento de Conduta), que regulariza em parte a situação do cordeiro. Em parte, porque apenas lhes oferece recursos para segurarem bem a corda e cobra dos contratantes o que está estabelecido no termo.
Pelo regimento que está no TAC, os cordeiros além da diária, teriam direito à lanche que resume em(refrigerante ou suco, dois pacotes de biscoito e três garrafas de água) vale-transporte, protetor auricular, luvas, camisetas de identificação, protetor solar e seguro coletivo contra acidentes pessoais, bem como recolhimento de contribuições previdenciárias.
Mas nem sempre é isso que acontece, porque tem sempre uma empresa contratante, um bloco explorador, que não cumpre com o que assinou e não respeita os auditoes que estão nas ruas fiscalizando. O exemplo disso foi mostrado em uma matéria publicada pelo repórter Tiago Décimo, no jornal O Estado de S.Paulo em 24.02.09. A matéria com o título “Juizado flagra menores de 16 anos como cordeiros em Salvador”, mostra
algumas de muitas autuações que aconteceram neste carnaval, mas que foi mostrada apenas do bloco Gula, que possuia nove cordeiros com menores de 16 anos trabalhando. Em entrevista, de acordo com o auditor fiscal Weldo Soares Matos, chefe da Seção de inspensão do Trabalho (SEINT), por cada cláusula descumprida do TAC, os blocos terão que arcar com R$10 mil e será ainda denunciada ao Ministério do Trabalho. Ai resta a seguinte dúvida: E será isso verdade? Só eles e a corrupção quem sabe.
Ah!!! Existe também a tal cartilha, lançada pelo SRTE (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego da Bahia), que é um informativo explicativo mostrando aos cordeiros a correta maneira de se utilizar os equipamentos de proteção individual. Essa cartilha aê faz parte do projeto “Ação carnaval”, que o órgão desenvolveu em parceria com o(MPT) Ministério Público do Trabalho e o Centro de Referência de Saúde do Trabalho de Salvador (CEREST), o Sindcorda e o Sindmúsicos
Todo mundo se comove com esses trabalhadores, até alguns artistas como o cantor Márcio Vitor, da Banda Psirico, que neste carnaval, desfilando no Campo Grande, no bloco Muquiranas, desceu do trio e cantou a música “Cole na Corda”, que inclusive dizem ser feita em homenagem a eles. “Vamos aplaudir esses trabalhadores, que merecem todo nosso respeito”, disse Vítor. E Continua. “Sei que eles sofrem, muitas vezes são agredidos e isso me deixa louco da vida”, desabafou. “Há mulheres grávidas e senhores de idade carregando a corda. Eles trabalham sob condições muito difíceis, na maioria das vezes por falta de opção. Vamos aplaudir esses nossos amigos”, concluiu.
Ai nos perguntamos: cadê a fiscalização gente? Mulheres grávidas, idosos, essa é um serviço para existir sempre? Beneficiar só parte dos muitos? Este é o estado mais amado do Brasil? Não, está na hora de tirarmos as máscaras desses blocos que só querem lucrar e lucrar, mostrar ser melhor, em cima de pessoas honestas, sofridas e humildes. Um dia é de chegar a hora de tirarmos a maquiagem do poder público também, que daqui dali, faz uma gracinha, uma campanhazinha, um projetozinho para dizer que se preocupa com estes coitados trabalhadores que trabalham debaixo do sol escaldante.
Acredito que está na hora de acabar com a falta de vergonha dos blocos, que usam a força dos braços destas pessoas para criar nos circuitos o que podemos chamar de Muro de Berlim. É isso... aqui, os cordeiros são obrigados a separar ricos e pobres, separar quem pode e quem não pode pagar, separar a pipoca daqueles que estão fardadinhos. Em conseqüência disso tudo, vemos é uma super exploração de mão de obra humana, alías, escrava. Escrava porque não livra ninguém.
Preto, branco, novo, velho, todos que estão desempregados e que necessitam ganhar um dinheiro, vão em busca de uma sorte que só existe na ilusão. A sorte é a da diária. Se é que podemos chamar de diária né? Porque, o que os blocos pagam é uma “merrequinha”, que de forma alguma não compensa tanto trabalho e esforço feitos por eles.
Ah!!! Mas tem ainda aqueles que defendem, a existência dos cordeiros no carnaval da Bahia, porque dizem que se os cordeiros acabar o folião do bloco acaba junto. Sim!!! Mas o que está em destaque aqui, são as condições de trabalhos destes cidadãos. O folião dos blocos podem acabar e estes seres humanos não podem acabar não? Claro que pode. E ainda de forma bem pior. Porque enquanto os foliões deixam a folia dos blocos por não terem segurança, estes pobres coitados podem nem estarem vivos. Mortos, por ter sofrido tantos abusos por muitos e muitos carnavais.
Diante de tantas opiniões, que fica ainda mais nítido que deverá existir um dia do fim da mão de obra cordeira, talvez esta fosse, uma das medidas de calar este governo, os blocos que vem imperando, inpondo cada vez mais o capitalismo no nosso carnaval de Salvador, dividindo raças, classes, crenças e povos.

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Saiba mais: www.axezeiro.com.br/noticia/matérias/3059,os -baiano.html
www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u131193.shtml

Linguagem nossa de cada dia




por Jeniffer Santos


Depois de uma conversa com alguns amigos, na hora da despedida, ao invés do conhecido “até logo”, foi dito por um deles, “Namastê”. A única reação na hora foi rir e como resposta, dizer “né brinquedo não”.
Foi então que parei para pensar o quanto somos influenciados pela mídia. Não somente no quesito moda e comportamento, mas também na linguagem. Além de ditar os assuntos diários das rodas de amigos, a televisão dita a forma da conversa ser exposta, através de bordões e palavras estrangeiras que ouvimos em programas de entretenimento e principalmente nas telenovelas. Sem dúvidas, o personagem que possui um bordão é inserido no elenco em busca de audiência, pois carrega humor e atrai a maioria do público que assiste as telenovelas.
Em geral os bordões são criados a partir de conversas informais, da periferia, de cidades do interior, de lugares que possuem uma linguagem própria desconhecida pela maioria da população e até mesmo de expressões já conhecidas, que são adaptadas com uma sonoridade e gestos para chamar atenção, como exemplo o “né brinquedo não”, bordão da personagem Dona Jura, interpretada pela atriz Solange Couto da novela O Clone da Rede Globo, que é uma adaptação de “Não é brincadeira”.
Essas novas expressões atraem o público não só pelo humor, mas também pela identificação com os personagens e são usadas para se expressar em várias situações. O que acaba tornando a televisão uma grande indústria cultural, que cria e recria moda, comportamento e linguagem.
Hoje, devido ao sucesso da novela “Caminho das Índias” da Rede Globo, escrita por Glória Perez, é impossível não ouvir um “Namastê” (bom dia, boa tarde ou boa noite), ou um “tik tik”(sim, sim). É a cultura indiana invadindo a conversa dos brasileiros, graças a influência midiática. E assim aconteceu também com a novela O Clone, que também foi escrita por Glória Perez, onde a cultura mulçumana tomou conta do cotidiano brasileiro. Expressões como “Inshalá”, ao invés de “Se Deus quiser” eram ditas enquanto a novela esteve no ar e algum tempo depois do final.
Esse empréstimo de outra língua para que possamos fazer uso no dia-a-dia, nada mais é do que uma ligação entre identidades culturais, povos e políticas diferentes. Conhecemos através da televisão os costumes de povos que talvez nunca fôssemos conhecer, a não ser por reportagens especiais em algum programa jornalístico, que teria caráter informativo. Nunca por causa de uma reportagem, conheceríamos e fixaríamos o idioma de outro povo, como acontece com o uso do estrangeirismo nas telenovelas.
O estrangeirismo tem o lado positivo, se for usado como forma de conhecimento de outras culturas, o que acontece quando é inserido no contexto de uma novela e não como uma forma de absorver uma cultura para o cotidiano, querendo viver de acordo com o padrão de vida daquele povo. Como exemplo dessa absorção vemos a cultura norte-americana. O estrangeirismo norte-americano tomou conta do cotidiano dos brasileiros, de modo que hoje, quase tudo é pensando com base no modelo norte-americano.
Atchá (Tudo bem), juntando os vários sotaques brasileiros, mais os bordões e estrangeirismos mostrados nas novelas, criamos a linguagem nossa de cada dia para diferenciar e até mesmo divertir os nossos diálogos.
A televisão é uma grande fábrica de influências. A novela, como um produto dessa fábrica, não serve somente como entretenimento, com personagens engraçados e cheios de bordões, mas também para enriquecer a nossa cultura. Talvez não vamos conseguir tirar dos bordões nada mais do que humor, tô certa ou tô errada? Mas devemos enxergar pelo menos, o estrangeirismo como uma forma de enriquecimento da nossa linguagem, já que através dele conhecemos um pouco da cultura de outra sociedade.
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sexshop sacia desejos femininos




por Priscila Bastos


A repressão feminina diante do sexo atravessa décadas, a mulher que tem que ser boa mãe, dona de casa, agradar em primeiro plano sempre ao esposo não é história atual. Quem nunca soube de uma mãe, tia e avó que na juventude preparavam enxovais em busca do casamento? As novelas de época exibidas na televisão retratam bem isso. A mulher em 1930 era uma cidadã de segunda categoria a ponto de não poder votar.
A historiadora, Virgínia Falcão atribui “a subordinação feminina a cultura, com o patriarcado sistema que engrandece o pai. A mulher desde pequena é criada para ser complemento do homem. Existem mecanismos de poder que fazem à mulher desde pequena agir dessa forma”.
A cultura impõe que a mulher é um ser reprodutor, que desconhece o prazer. Isto faz com que muitas mulheres ignorem o prazer sexual, algumas nunca tiveram orgasmo. Espanto? Perto de você deve ter uma que abdica de si para dá apenas prazer ao parceiro.
“Sabemos hoje que a atividade sexual não é homogênea e nem estável. Antes, é plástica e se modifica com a cultura e com a época ao longo da vida de uma pessoa”. (ETIENNE, 2006, p.20)
O prazer sexual masculino e feminino é muito diferente, para o homem basta apenas vê um peito e uma bunda para estar excitado e pronto para a penetração. A mulher precisa de muitos fatores, inclusive emocionais.
Na visão da sexóloga, Margarida Nascimento, há fatores para a mulher chegar ao orgasmo, o que ela denomina de “pontos luminosos”. Segundo Margarida a mulher só consegue chegar ao orgasmo se tiver confiabilidade no parceiro, autoestima e o homem que vai manter relação sexual com ela souber deixá-la relaxada, dando muito carinho.
As mulheres muitas vezes não conseguem separar amor de sexo e precisam se sentir amadas e protegidas para manter uma relação sexual. Por isso há queixa constante por parte das mulheres de que o parceiro é muito rápido, quer partir logo pra “hora H”. Muitas ainda preferem fingir orgasmo para manter o relacionamento amoroso, outras estão cansadas da repressão e de não serem satisfeita, por isso para conhecer o prazer sexual ou para apimentar a relação e deixar de ser a submissa recorrem a sexshop. No Brasil as mulheres representam 70% dos consumidores de sexshop, o que mostra que elas têm buscado alternativas diferentes para apimentar a relação. (DUTRA &TÓFANI, 2008)
Os sexshop oferecem produtos variados, como fantasias, óleos comestíveis, excitantes, retardantes, vibradores que formam o conjunto de artifícios para chegar ao prazer. O Ritual Sexshop, localizado na cidade de Salvador possui em sua maioria clientes maduras que querem inovar e ter acesso a essa novidade que só agora chegou para elas.
A mulher hoje além da independência financeira, também quer ter domínio na relação afetiva e sexual, o que faz com que participem de reuniões eróticas, chá de lingeries e frequentem sexshop físicos, virtuais ou abram as portas de suas casas para as revendedoras. O avental sujo de ovo ficou pra trás, hoje o que as mulheres querem são fantasias eróticas.

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O cinema que vem da Índia




por Gabriel Ramacciotti


Um dia uma pessoa me perguntou: Qual é o maior produtor de filmes do mundo? Esperando que eu falasse os Estados Unidos, tomou um susto com a minha resposta. Para quem não sabe é a Índia a maior produtora cinematográfica do mundo. Produzindo em média 700 filmes por ano, as sua produções são cheias de danças e músicas. Filmes que retratam a cultura do país, deixando para trás a grande indústria do entretenimento Hollywood, que produz em torno de 350 filmes durante o ano.
Bollywood (coincidência, não?) sendo um dos principais ramos da sétima arte na Índia consegue produzir cerca de 1.000 filmes por ano, com públicos que chegam a atingir o incrível número de 70 milhões de pessoas que vibram com as suas produções. Os seus filmes custam milhões e a maioria é composta de musicais que muitas vezes passam por uma intensa publicidade. Sem falar que o público é muito exigente e cobra que os filmes sejam de qualidade.
Competir com o cinema Hollywoodiano não é fácil para a Índia, que infelizmente sofre um boicote por parte dos mesmos, afinal eles temem e muito que as produções locais comecem a se render a outras formas cinematográficas. O mais engraçado é que mesmo com todo esse boicote por baixo dos panos, esse ano o Oscar, a maior festa do cinema mundial, que de mundial não tem nada, pois a maioria são filmes americanos, finalmente conseguiu quebrar essa barreira elegendo a melhor filme Quem quer ser um Milionário? que se passa na Índia e tem ingredientes específicos do cinema indiano.
Lógico que o país entrou em frenesi, ao ser reconhecido pela poderosa fábrica de fazer filmes. Por outro lado, Hollywood se rendeu e claro se encantou com a poderosa capacidade fílmica de um país que esbanja cultura e entretenimento. Tudo isso começou com os irmãos Lumière criadores do cinema, que introduziu essa arte no país em 1896, com a exibição de filmes em hotéis da antiga Bombaim, hoje chamada Mumbai. Assim, com o tempo salas de cinema iam sendo construídas e espalhando a magia do cinema por todo o território indiano.
Não é só de Bollywood, que o cinema indiano é composto. Como todos sabem ou não sabem, a Índia é um caldeirão de etnias e línguas e cada uma delas controla um ramo cinematográfico. Por exemplo, o cinema Bengali é o mais prestigiado em prêmios nacionais, o Marathi é a indústria mais antiga e o cinema Tâmil é a terceira maior do país com os seus filmes reconhecidos em países da Europa. Lógico que esses são alguns dos vários grupos éticos e linguísticos que estão por trás desse ramo. O cinema novo que é o cinema artístico da Índia, também possui o seu espaço perante a todo esse cinema comercial. Explorando mais o lado humano, essas específicas produções falam sobre a gama que são as relações humanas. Como todo o ramo de filmes artístico, eles não possuem divulgação intensa, mas mesmo assim são prestigiados em pequenos festivais que acontecem pelo país e também são exibidos em canais públicos de TV.
É visível que o cinema indiano sofreu algumas influências do cinema americano, especificamente Bollywood que até contrata atores ocidentais para mostrar os seus rostos em suas produções, mas se por um lado existe essa influência que não é só na Índia, o cinema brasileiro que o diga, o seu cinema é brilhante no aspecto de tentar mostrar o seu país nas suas raízes, não escondendo os seus costumes que muitas vezes chocam o ocidente e não escondendo a sua verdade história, como muitos filmes americanos gostam de fazer.
Depois de conhecer um pouco do cinema indiano, uma pergunta surge: Vale a pena abrir os olhos, no sentido de assistir uma produção indiana? E a resposta é sim. Pois o ramo da sétima arte na Índia é fantástico e poderoso, no sentido de não só fazer mais filmes que os Estados Unidos, mas de mostrar que é através desse caminho cultural que esse país localizado na Ásia consegue mostra o seu povo. E já estamos cansados de visualizar esse padrão americano de ser.

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Nas areias da praia





por Manoel Arthur

Muitos pensam que gostar de moda, falar ou mesmo viver de moda é futilidade. Tudo isso se dá ao preconceito existente em relação ao mundo da moda. Pensar isso é não perceber que através da moda, podemos claramente afirmar através de uma imagem a que época ela está se referindo. Dentro do mundo da moda, está a moda praia, que vem evoluindo com o passar dos anos, desde as peças confeccionadas ao sucesso das nossas peças pelo mundo afora.
O biquíni foi inventado pelo estilista francês Louis Réard, em julho de 1946 que o batizou com o nome do pequeno atol de Bikini, no Pacífico, onde os americanos haviam realizado uma série de testes atômicos. É curioso saber que o biquíni surgiu devido à falta de tecidos proviniente da II Guerra Mundial, na Europa. Os primeiros trajes para banho surgiram no século XIX, mas eram grandes demais, pareciam roupas do dia-a-dia. Já na década de 20 as mulheres usavam maiôs grandões, com um shortinho por baixo, com o passar dos anos elas foram mostrando as pernas, que já eram permitidas serem expostas na época.
De acordo com o almanaque folha, foi em 1956 que a atriz Brigitte Bardot imortalizou o traje no filme: "E Deus Criou a Mulher", ao usar um modelo xadrez vichy adornado com babadinhos. No Brasil o biquíni começou a ser usado pelas vedetes Carmem Verônica e Norma Tamar, que atraia muitos curiosos ao seu redor, em frente ao Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Hoje temos vários modelos de biquínis e maiôs adequados para os mais exigentes padrões femininos.
Mesmo sendo uma peça versátil que pode ser usada nos clubes e praias desse nosso Brasil, e por ser uma moda mais leve e tranquila, não quer dizer que vale tudo. Muitas mulheres pecam, na hora de compor o visual para ir a praia, sendo o exagero no uso de objetos o maior pecado, de acordo com a consultora de imagem Phaedra Brasil. Para a consultora de imagem, a maior preocupação das mulheres na hora de vestir o biquíni e ir a praia é com a forma física, o famoso "teste do biquíni".
Como somos os maiores fabricantes e a referência de moda praia para o mundo, podemos abusar e sempre diversificar nas areias das nossas famosas praias, porém vale ressaltar que o bom senso dentro da moda é peça chave. Ou seja, para não cometer pecados, o melhor é se olhar em frente ou espelho e saber o que lhe cai bem ou não.
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O futuro do Jornalismo




por Monique Moura

As continuas transformações tecnológicas ocorridas ao longo da história do jornalismo, põem em discussão o possível fim da era impressa e o futuro do jornalismo. Contudo é incontestável o fato do jornalismo impresso estar perdendo cada vez mais espaço para o on-line. A forte era do www e sua progressiva evolução no cenário jornalístico atual reflete também na inserção de novas mídias para a proliferação das notícias.
Estima-se que a tendência das publicações é tornar-se digitais, explorando todos os recursos que a rede disponibiliza. Segundo o instituto de pesquisa norte – americano Forrester Reseach, 170.000 páginas estão surgindo na web diariamente. E ainda de acordo com a jornalista norte- americana, cerca de 94% das publicações digitais já estão disponíveis na web e a tendência é que este percentual aumente com o surgimento de novos periódicos, principalmente as revistas e os jornais. Hoje é possível ler o conteúdo inteiro de um determinado jornal na internet sendo que atualmente deixam de ser meras cópias do impresso para mesclar elementos como áudio, animações e vídeos. A interatividade faz com que o leitor opine através do envio de e-mails e fóruns. E a notícia que antes era delimitada no veículo impresso, ganha outra dimensão.
Mas, o futuro do jornalismo não restringe somente ao universo das publicações eletrônicas. Quem nunca ouviu ou leu termos como; Podcats e wi-fi? Ou que tal blog? Mídia que desempenha a função de imprensa livre, em que jornalistas e não jornalistas escrevem sobre qualquer assunto sem nenhuma restrição de conteúdo. Todo material jornalístico produzido é “jogado” na rede, não necessitando de apenas um veículo para transmitir as idéias. E o que dizer da proposta do “Bluetooth News”, que pretende utilizar a tecnologia bluetooth na distribuição do conteúdo jornalístico, sendo que já é possível gravar uma matéria fazendo uso de um aparelho celular de alta resolução, equipado com a tecnologia 3G (alta velocidade de transmissão de dados e possibilidade de vídeo transferência). Não se pode concluir de fato que a inserção dessas novas mídias, no campo jornalístico venham afetar, ou até mesmo anular a prática do jornalismo impresso e sua rotina. Até porque segundo estudiosos do ramo essa abordagem ainda imatura. À vista disso é perceptível que essas ferramentas dão realmente a possibilidade de variadas informações atualizadas constantemente, aliadas a vida dinâmica do profissional de hoje.

Os transexuais e o preconceito




por Verena Campello



Os transexuais, pessoas que assumem características do sexo oposto sem necessariamente terem passado pela cirurgia de mudança de sexo, vivem no submundo social e sofrem preconceito de todos os segmentos da sociedade. Seja no âmbito familiar e profissional, nas relações amorosas e nas ruas, eles encontram campo fechado e sem possibilidades de crescimento. Existem atualmente na Bahia mais de mil transexuais e travestis, revelou uma estimativa do GGB (Grupo Gay da Bahia). Dos 40 mil espalhados pelo Brasil, 90% deles vivem da prostituição sexual.
Mesmo com toda revolução sexual existente nos tempos modernos e por vivermos numa sociedade dita “livre”, onde, a maioria das pessoas afirma não ter preconceitos, é muito difícil encontrar hoje alguém que de fato se relacionaria amorosamente com um transexual. Não seria esta atitude também, uma forma de preconceito mascarada por uma desculpa, por que as pessoas simplesmente não admitem seus preconceitos?
É muito comum ouvirmos que cada um tem livre arbítrio nas suas decisões, cada um faz da sua vida o que bem entende, o que não é uma mentira absoluta, mas uma verdade em partes. Na prática a realidade é outra. A família é a primeira instituição a fazer o julgamento, por isso, muitos transexuais não têm uma boa relação familiar e outros simplesmente, saem de suas casas. Os amigos acabam tornando-se o porto seguro dessas pessoas.
No campo profissional, a realidade não é diferente, as restrições são inúmeras para os transexuais que, em sua maioria vivem da prostituição ou militam pela causa. Um exemplo de sucesso é a ex-dançarina e atual vereadora de Salvador, Léo Kret, uma transexual, que assumiu o cargo no dia 1° de janeiro deste ano, eleita pelo partido Republicano com mais de 12 mil votos. Até hoje as pessoas se perguntam como ela conseguiu tantos eleitores. Na época, os questionamentos eram com relação ao banheiro que ela deveria usar, como as pessoas iriam se referir a ela e outras perguntas provenientes de uma sociedade que está mais preocupada com a opção sexual do outro do que com as propostas de governo.
A questão sexual seja a heterossexualidade ou a homossexualidade, é uma condição não somente fisiológica, mas também psicológica. Por isso, os transexuais podem se considerar sim, heterossexuais, já que acreditam pertencer a um sexo, mesmo que o órgão sexual não seja condizente com a mente, e se relacionar com o seu oposto.
O preconceito mora onde há ignorância, habita onde existe a falta de conhecimento do outro. A violência é outro preconceito que os transexuais enfrentam todos os dias. Segundo os índices divulgados pelo GGB, a violência contra as lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs), teve um aumento de 55% no ano passado, em comparação com 2007.
Um caso curioso e até engraçado, se considerarmos a impregnada ignorância existente em muitas pessoas, aconteceu com a transexual Milena Passos. Segundo ela é comum ouvir piadas do tipo: “lá vai a bicha”, e outros insultos piores. Uma vez ela resolveu retrucar e respondeu: “Eu sou transexual, não viado”, e o cara que havia gritado, falou mais alto ainda: “ih, ela se relaciona com três tipos de pessoas”. Quando ela foi perguntar se ele era heterossexual a resposta foi mais que hilária, deprimente: “Deus é mais, Deus é mais”.
Os transexuais, portadores de um distúrbio sexual aparente, são na verdade pessoas que nasceram em corpos que não condizem com suas mentes. A não aceitação é muitas vezes tão absurda que alguns chegam a mutilar o órgão genital, como uma forma de libertar-se de algo que em mente, não lhes pertence. Em sua maioria, os relacionamentos vividos por eles são bastante complicados e dificilmente assumidos por conta do grande preconceito que a sociedade impõe, de forma direta ou indireta, a essas pessoas.
A cirurgia de mudança de sexo ainda é pouco realizada no Brasil, somente os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul possuem uma equipe de médicos especializada nesses casos. A Bahia conta hoje com uma única equipe do Hospital das Clínicas, especializada em procedimentos cirúrgicos ginecológicos no caso de pessoas que nasceram com deformações ou sofreram algum tipo de acidente e necessitam reconstituir o órgão genital.
O preconceito é tanto que em 2007, depois de uma tentativa do Ministério Público Federal de colocar esse tipo de cirurgia dentro dos serviços oferecidos pelo SUS, a União alegou falta de verba e o caráter experimental da cirurgia. Nesse mesmo ano, o MPF (Ministério Público Federal) moveu uma ação contra a União sob alegação de que a transgenitalização é um direito constitucional, com multa de 10 mil reais por dia, caso a decisão não fosse cumprida nacionalmente. Desde então, somente os estados já citados realizam a cirurgia.
Vamos lá que existem outras prioridades dentro do sistema de saúde, mas cadê o respeito com as pessoas que sofrem de distúrbio sexual aparente? Realmente a democracia não é tão seguida na nação Brasileira, ou melhor, o país é democrático com as questões para as quais ele considera importante como: auxílio terno, auxílio moradia, auxílio funeral, auxílio alimentação, enfim, auxílio tudo.
Neste caso, a cirurgia de transgenitalização continua sendo, assim como os transexuais, uma realidade marginal na nossa sociedade. Hoje, aqueles que desejam mudar de sexo precisam sair do estado de origem, no caso dos que não moram nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo ou Rio de Janeiro para utilizar o sistema único de saúde, ou desembolsar cerca de 20 mil reais pela cirurgia particular.

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