Apartheid no carnaval de Salvador
"Apartheid disfarçado todo dia, quando me olho não me vejo na TV, quando me vejo estou sempre na cozinha... Será que um dia eu serei a patroa,sonho que um dia isso possa acontecer..." Adão Negro.
Carnevale, quer dizer "o tempo em que se tira o uso da carne", noite anterior à Quarta-Feira de Cinzas. Assim como o futebol, é a maior manifestação de cultura popular no Brasil. Cerca de dois milhões de foliões, sendo 400 mil estrangeiros, participam da maior festa popular do planeta, além de contribuir com a renda e o turismo da capital baiana, o carnaval soteropolitano tende a expansão a cada ano que passa. O prefeito João Henrique disse que quer ver no próximo ano, uma maior participação popular, mas para isso ocorrer, haverá o recuo de camarotes e ampliação das arquibancadas populares, para que o povo possa brincar e ter mais espaço, sem deixar de exercer o seu direito de democracia. Lógico que há todo um interesse político-capitalista por trás disso, carnaval da Bahia igual a propaganda, igual a turismo, igual a renda para a cidade.
Foram realizados cerca de 220 mil empregos temporários, dentre cordeiros, ambulantes e montadores das estruturas carnavalescas. A indústria do carnaval movimenta em torno de um bilhão, mas será mesmo necessário desviar dinheiro das merendas escolares?! Enquanto muitos reúnem roupas, alimentos e remédios para as vítimas de Santa Catarina vemos a seca do nordeste, crianças morrendo de fome, sem saneamento básico, vivendo em condições precárias, e vemos também uma central enriquecer, a central de um carnaval. O comércio do carnaval foi tema de palestras para empreendedores, o tema chegou a ser comparado com o império do Walt Disney. O carnaval de Salvador deveria ser a maior festa de participação popular do planeta, uma manifestação livre, criada pelo povo e não por indústrias, máquinas de fazer dinheiro.
Antes, as pessoas que possuíam carros, era quem tinha as maiores condições financeiras, enfeitavam seus automóveis e convidavam seus amigos para desfilarem pelas ruas. Os negros brincavam com os brancos, sendo que esses podiam atingi-los com águas sujas, farinhas, enquanto os negros só poderiam fazê-lo entre si. Com o passar do tempo, o carnaval de Salvador se resumiu a grandes diversões em pequenos clubes, com reuniões no Baiano de tênis, Associação Atlética, Clube Espanhol, para a disputa do melhor baile carnavalesco da cidade. Hoje os clubes foram para as ruas, tornaram-se verdadeiros shoppings, passarelas de glamour, o carnaval virou um produto a ser comercializado por uma indústria viril, a alegria passou a ser comercializada, comprada por um preço alto, um comércio ávido e separatista.
É o momento em que dois "Brasis" desfilam na avenida, de um lado camarotes luxuosos, com boate, salão de beleza e customização de camisas, cinema, internet 24h, ótimos bares e restaurantes, ar-condicionado, uma opção em que boa parte da população de Salvador não pode desfrutar, o passeio público de Salvador é loteado por seis dias, tirando-se a conclusão de que o carnaval da Salvador foi feito para o turista. O Apartheid fica explícito, quando vemos, os VIP’s (Pessoas muito importantes) nas sacadas dos camarotes de vários andares, onde bebida e comida é livre, e além de artistas, políticos também são convidados. Do outro lado, o povo, a "pipoca", pessoas espremidas, sendo delimitados poucos metros para se moverem. Lá se encontram pessoas que estão tirando o seu pão para comer, cordeiros que ganham R$ 26,00 por dia, catadores de latas, ambulantes, um grupo que aceita essa segregação, um carnaval que protege a elite e dificulta a participação do povo, discrimina o pobre, onde cordas são usadas para separarem os bacanas que compram blocos de R$ 500,00 a 2.500,00. O povo não tem condições financeiras para ‘comprar’ um carnaval digno. E quando passa o carnaval, seguranças e cordeiros são encontrados em programas de TVs locais para cobrarem a diária de trabalho que ainda não foi recebida. Essa é a realidade, o homem é um animal! Mas ainda há esperança, porque há de haver democracia.
Carnaval é uma festa do povo. O Ministro da cultura todo ano faz um camarote onde, artistas e pessoas importantes são convidadas. O lema do governo é: "Brasil; Um país para todos!", um país que tem um município chamado Manari, menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, onde a lei permite um abono em torno de R$ 1.500,00 do auxílio maternidade do governo federal para quem for agricultor, sendo que este abono acaba sendo usado como um ‘incentivo’ para as mulheres parirem. Um lugar que não possui nem água tratada, essa situação só vai mudar, quando a população deixar de votar, aí sim os governantes enxergarão algo de errado e solucionarão o problema. Apesar de juntos, eles estão separados, o pobre e rico caminham por estradas diferentes, onde pobres e conseqüentemente negros, procuram confusões, brigas para serem notados por questão de segundos, não deixa de ser uma forma de aclamar a atenção de todos, principalmente das autoridades, e mostrar que eles também têm direitos.
Carlinhos Brown, cantor, compositor e um dos maiores percussionistas do Brasil inovou, produziu um Camarote andante, onde ninguém fica em cima do trio elétrico, só os músicos e o som, ele canta e dança no chão da avenida, animando a todos. É a maior pipoca do carnaval, as pessoas que não tem camisas de blocos, saem atrás do trio elétrico, não existe cordas isolando, é o povo e a festa. Brown é uma mente especial, inteligentíssimo, comprometido, sensível, que consegue ser um e ao mesmo tempo vários Browns. Ele acha que o carnaval de salvador é separatista e desabafa, "A ditadura não acabou para nós, para preto e para pobre, as imagens são iguais àquelas de cavalos batendo, de polícia dando no lombo. Acho que as cordas são desnecessárias. Elas ainda trazem resquícios do navio negreiro, que o cara vem nas cordas, do trabalho forçado, de escravidão, e acima de tudo é uma base do Apartheid" Agência Reuters. Brown
Carnevale, quer dizer "o tempo em que se tira o uso da carne", noite anterior à Quarta-Feira de Cinzas. Assim como o futebol, é a maior manifestação de cultura popular no Brasil. Cerca de dois milhões de foliões, sendo 400 mil estrangeiros, participam da maior festa popular do planeta, além de contribuir com a renda e o turismo da capital baiana, o carnaval soteropolitano tende a expansão a cada ano que passa. O prefeito João Henrique disse que quer ver no próximo ano, uma maior participação popular, mas para isso ocorrer, haverá o recuo de camarotes e ampliação das arquibancadas populares, para que o povo possa brincar e ter mais espaço, sem deixar de exercer o seu direito de democracia. Lógico que há todo um interesse político-capitalista por trás disso, carnaval da Bahia igual a propaganda, igual a turismo, igual a renda para a cidade.
Foram realizados cerca de 220 mil empregos temporários, dentre cordeiros, ambulantes e montadores das estruturas carnavalescas. A indústria do carnaval movimenta em torno de um bilhão, mas será mesmo necessário desviar dinheiro das merendas escolares?! Enquanto muitos reúnem roupas, alimentos e remédios para as vítimas de Santa Catarina vemos a seca do nordeste, crianças morrendo de fome, sem saneamento básico, vivendo em condições precárias, e vemos também uma central enriquecer, a central de um carnaval. O comércio do carnaval foi tema de palestras para empreendedores, o tema chegou a ser comparado com o império do Walt Disney. O carnaval de Salvador deveria ser a maior festa de participação popular do planeta, uma manifestação livre, criada pelo povo e não por indústrias, máquinas de fazer dinheiro.
Antes, as pessoas que possuíam carros, era quem tinha as maiores condições financeiras, enfeitavam seus automóveis e convidavam seus amigos para desfilarem pelas ruas. Os negros brincavam com os brancos, sendo que esses podiam atingi-los com águas sujas, farinhas, enquanto os negros só poderiam fazê-lo entre si. Com o passar do tempo, o carnaval de Salvador se resumiu a grandes diversões em pequenos clubes, com reuniões no Baiano de tênis, Associação Atlética, Clube Espanhol, para a disputa do melhor baile carnavalesco da cidade. Hoje os clubes foram para as ruas, tornaram-se verdadeiros shoppings, passarelas de glamour, o carnaval virou um produto a ser comercializado por uma indústria viril, a alegria passou a ser comercializada, comprada por um preço alto, um comércio ávido e separatista.
É o momento em que dois "Brasis" desfilam na avenida, de um lado camarotes luxuosos, com boate, salão de beleza e customização de camisas, cinema, internet 24h, ótimos bares e restaurantes, ar-condicionado, uma opção em que boa parte da população de Salvador não pode desfrutar, o passeio público de Salvador é loteado por seis dias, tirando-se a conclusão de que o carnaval da Salvador foi feito para o turista. O Apartheid fica explícito, quando vemos, os VIP’s (Pessoas muito importantes) nas sacadas dos camarotes de vários andares, onde bebida e comida é livre, e além de artistas, políticos também são convidados. Do outro lado, o povo, a "pipoca", pessoas espremidas, sendo delimitados poucos metros para se moverem. Lá se encontram pessoas que estão tirando o seu pão para comer, cordeiros que ganham R$ 26,00 por dia, catadores de latas, ambulantes, um grupo que aceita essa segregação, um carnaval que protege a elite e dificulta a participação do povo, discrimina o pobre, onde cordas são usadas para separarem os bacanas que compram blocos de R$ 500,00 a 2.500,00. O povo não tem condições financeiras para ‘comprar’ um carnaval digno. E quando passa o carnaval, seguranças e cordeiros são encontrados em programas de TVs locais para cobrarem a diária de trabalho que ainda não foi recebida. Essa é a realidade, o homem é um animal! Mas ainda há esperança, porque há de haver democracia.
Carnaval é uma festa do povo. O Ministro da cultura todo ano faz um camarote onde, artistas e pessoas importantes são convidadas. O lema do governo é: "Brasil; Um país para todos!", um país que tem um município chamado Manari, menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, onde a lei permite um abono em torno de R$ 1.500,00 do auxílio maternidade do governo federal para quem for agricultor, sendo que este abono acaba sendo usado como um ‘incentivo’ para as mulheres parirem. Um lugar que não possui nem água tratada, essa situação só vai mudar, quando a população deixar de votar, aí sim os governantes enxergarão algo de errado e solucionarão o problema. Apesar de juntos, eles estão separados, o pobre e rico caminham por estradas diferentes, onde pobres e conseqüentemente negros, procuram confusões, brigas para serem notados por questão de segundos, não deixa de ser uma forma de aclamar a atenção de todos, principalmente das autoridades, e mostrar que eles também têm direitos.
Carlinhos Brown, cantor, compositor e um dos maiores percussionistas do Brasil inovou, produziu um Camarote andante, onde ninguém fica em cima do trio elétrico, só os músicos e o som, ele canta e dança no chão da avenida, animando a todos. É a maior pipoca do carnaval, as pessoas que não tem camisas de blocos, saem atrás do trio elétrico, não existe cordas isolando, é o povo e a festa. Brown é uma mente especial, inteligentíssimo, comprometido, sensível, que consegue ser um e ao mesmo tempo vários Browns. Ele acha que o carnaval de salvador é separatista e desabafa, "A ditadura não acabou para nós, para preto e para pobre, as imagens são iguais àquelas de cavalos batendo, de polícia dando no lombo. Acho que as cordas são desnecessárias. Elas ainda trazem resquícios do navio negreiro, que o cara vem nas cordas, do trabalho forçado, de escravidão, e acima de tudo é uma base do Apartheid" Agência Reuters. Brown


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