Os transexuais e o preconceito
Os transexuais, pessoas que assumem características do sexo oposto sem necessariamente terem passado pela cirurgia de mudança de sexo, vivem no submundo social e sofrem preconceito de todos os segmentos da sociedade. Seja no âmbito familiar e profissional, nas relações amorosas e nas ruas, eles encontram campo fechado e sem possibilidades de crescimento. Existem atualmente na Bahia mais de mil transexuais e travestis, revelou uma estimativa do GGB (Grupo Gay da Bahia). Dos 40 mil espalhados pelo Brasil, 90% deles vivem da prostituição sexual.
Mesmo com toda revolução sexual existente nos tempos modernos e por vivermos numa sociedade dita “livre”, onde, a maioria das pessoas afirma não ter preconceitos, é muito difícil encontrar hoje alguém que de fato se relacionaria amorosamente com um transexual. Não seria esta atitude também, uma forma de preconceito mascarada por uma desculpa, por que as pessoas simplesmente não admitem seus preconceitos?
É muito comum ouvirmos que cada um tem livre arbítrio nas suas decisões, cada um faz da sua vida o que bem entende, o que não é uma mentira absoluta, mas uma verdade em partes. Na prática a realidade é outra. A família é a primeira instituição a fazer o julgamento, por isso, muitos transexuais não têm uma boa relação familiar e outros simplesmente, saem de suas casas. Os amigos acabam tornando-se o porto seguro dessas pessoas.
No campo profissional, a realidade não é diferente, as restrições são inúmeras para os transexuais que, em sua maioria vivem da prostituição ou militam pela causa. Um exemplo de sucesso é a ex-dançarina e atual vereadora de Salvador, Léo Kret, uma transexual, que assumiu o cargo no dia 1° de janeiro deste ano, eleita pelo partido Republicano com mais de 12 mil votos. Até hoje as pessoas se perguntam como ela conseguiu tantos eleitores. Na época, os questionamentos eram com relação ao banheiro que ela deveria usar, como as pessoas iriam se referir a ela e outras perguntas provenientes de uma sociedade que está mais preocupada com a opção sexual do outro do que com as propostas de governo.
A questão sexual seja a heterossexualidade ou a homossexualidade, é uma condição não somente fisiológica, mas também psicológica. Por isso, os transexuais podem se considerar sim, heterossexuais, já que acreditam pertencer a um sexo, mesmo que o órgão sexual não seja condizente com a mente, e se relacionar com o seu oposto.
O preconceito mora onde há ignorância, habita onde existe a falta de conhecimento do outro. A violência é outro preconceito que os transexuais enfrentam todos os dias. Segundo os índices divulgados pelo GGB, a violência contra as lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs), teve um aumento de 55% no ano passado, em comparação com 2007.
Um caso curioso e até engraçado, se considerarmos a impregnada ignorância existente em muitas pessoas, aconteceu com a transexual Milena Passos. Segundo ela é comum ouvir piadas do tipo: “lá vai a bicha”, e outros insultos piores. Uma vez ela resolveu retrucar e respondeu: “Eu sou transexual, não viado”, e o cara que havia gritado, falou mais alto ainda: “ih, ela se relaciona com três tipos de pessoas”. Quando ela foi perguntar se ele era heterossexual a resposta foi mais que hilária, deprimente: “Deus é mais, Deus é mais”.
Os transexuais, portadores de um distúrbio sexual aparente, são na verdade pessoas que nasceram em corpos que não condizem com suas mentes. A não aceitação é muitas vezes tão absurda que alguns chegam a mutilar o órgão genital, como uma forma de libertar-se de algo que em mente, não lhes pertence. Em sua maioria, os relacionamentos vividos por eles são bastante complicados e dificilmente assumidos por conta do grande preconceito que a sociedade impõe, de forma direta ou indireta, a essas pessoas.
A cirurgia de mudança de sexo ainda é pouco realizada no Brasil, somente os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul possuem uma equipe de médicos especializada nesses casos. A Bahia conta hoje com uma única equipe do Hospital das Clínicas, especializada em procedimentos cirúrgicos ginecológicos no caso de pessoas que nasceram com deformações ou sofreram algum tipo de acidente e necessitam reconstituir o órgão genital.
O preconceito é tanto que em 2007, depois de uma tentativa do Ministério Público Federal de colocar esse tipo de cirurgia dentro dos serviços oferecidos pelo SUS, a União alegou falta de verba e o caráter experimental da cirurgia. Nesse mesmo ano, o MPF (Ministério Público Federal) moveu uma ação contra a União sob alegação de que a transgenitalização é um direito constitucional, com multa de 10 mil reais por dia, caso a decisão não fosse cumprida nacionalmente. Desde então, somente os estados já citados realizam a cirurgia.
Vamos lá que existem outras prioridades dentro do sistema de saúde, mas cadê o respeito com as pessoas que sofrem de distúrbio sexual aparente? Realmente a democracia não é tão seguida na nação Brasileira, ou melhor, o país é democrático com as questões para as quais ele considera importante como: auxílio terno, auxílio moradia, auxílio funeral, auxílio alimentação, enfim, auxílio tudo.
Neste caso, a cirurgia de transgenitalização continua sendo, assim como os transexuais, uma realidade marginal na nossa sociedade. Hoje, aqueles que desejam mudar de sexo precisam sair do estado de origem, no caso dos que não moram nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo ou Rio de Janeiro para utilizar o sistema único de saúde, ou desembolsar cerca de 20 mil reais pela cirurgia particular.


O artigo tem a sensibilidade de destacar uma discussão a qual a sociedade ignora, e tem a possibilidade de dá seguimento ao delicado assunto na imprensa. Salvo engano, mercê de correções, quando da eleição de Léo Kret o tema nunca foi trazido às páginas dos jornais com a seriedade e profundidade que deveria.
Quero deixar aqui os meus parabens a este post sobre o q passam os transexuais.... Eu ja ajudei alguns e sei o q passam e sofrem diariamente.... Eu espero que o Brasil de uma vez por todas comece a dar respeito a essas pessoas, que no final sao normais como as outras mas sao excluidas da SOCIEDADE que se diz "normal (pergunto-me aonde?)" pelo simples Preconceito e falso moral em que e sedimentada.... Pessoas podiam nao aceitar mas comecar por respeitar.... Respeito ao proximo.... Espero Sinceramente uma lei de Identidade de Genero no Brasil, para que essas pessoas possam viver com Dignidade e Paz, sendo parte da Sociedade que se diz Igualitaria e Livre.... Eu ainda pergunto aonde? Va para frente Brasil e mostre ao mundo que tens coragem de dares respeito as pessoas das minorias entre as minorias que no final merecem ser cidadaos Felizes como outros qualquer sem diferenca e preconceito....
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