quarta-feira, 27 de maio de 2009

No fim do mundo





por Lívia Machado


Lá vou eu de novo a fim de conhecer outros bairros da cidade.Por curiosidade em relação ao nome, fui para a Praça do Anjo Mau, localizada no Bairro de Beiru. Da minha casa até o destino final dá cerca de 40 minutos de ônibus e 20 minutos de carro, dessa vez, quis conhecer o local indo de ônibus para observar os detalhes da praça, as pessoas, o comércio e se há crianças brincando em parquinhos, se há namorados que fazem juras de amor eterno no banquinho da praça debaixo da árvore, ou idosos caminhando para manter a saúde equilibrada.
Entre tantos pensamentos lembrei-me da questão da Apocalipse e continuei seguindo em direção a Praça do Anjo Mau. Entre tantos pensamentos vieram algumas questões: será uma praça onde tem uma concentração de pessoas que curtem som de rock e punk e colocam o som nas alturas? É Chamada assim por ter muitas assombrações e maldições no local? Em vez de ser uma praça é uma ladeira inclinada que não permite segurança nenhuma para o motorista? E entre tantas questões de certa forma me deixou com medo, mas a curiosidade foi maior e continuei dentro do ônibus.
O lugar parece mesmo, regido pela energia negativa, os carros transitam pelas ruas sem respeitar os pedestres e vice versa, as pessoas que freqüentam ficam com expressões de estarem eternamente de mau humor, existem poucas crianças e existem grandes católicos com uma folha de palmeira em uma das mãos e na outra a bíblia. A Praça de Anjo Mau não é bem uma praça como a do bairro do Campo Grande onde existem elementos que nos fazem lembrar uma praça da cidade ou até mesmo dos pequenos interiores do estado.
Pode ser até engraçado, mas a Praça do Anjo Mau não tem banquinho, não existem arvores para dar sombra, não tem pessoas vendendo cachorro-quente ou algodão doce para as crianças, não tem casais fazendo promessas de casamento ou a escolha do nome dos filhos, existem muito comércio e uma barraquinha voltada para os fieis do candomblé vendendo contas, folhas para a purificação e imagens de esculturas dos orixás.
Sentada em um bar e observando as pessoas, o local e o costume daqueles que nos cercam chamei o garçom cujo nome era de anjo também, Gabriel, um negro, alto, forte e com os olhos castanhos claros e nada de sorriso, como de costume de todos aqueles que vivem na Praça do Anjo Mau. Pedi ao garçom um refrigerante.
Depois de ele trazer o refrigerante comecei a questionar o porquê do nome da praça.
- Amigo você sabe o porquê o nome dessa praça?
Um senhor, barbudo, com camisa azul, calça branca, aparentemente deveria ter 72 anos, bebendo cerveja, estava sentado atrás de mim, se meteu na conversa e disse que aquele local foi chamado assim no inicio da década de 80 onde haviam muitos acidentes de carros, atropelamentos e os maiores índices de furtos de veículos e carteiras se localizavam ali e depois disso o local só é conhecido em todo bairro Beiru como a Praça do Anjo Mau.
Questionei mais uma vez com outra pergunta:
- Onde ficam os policiais nesta questão? E os políticos?
Gabriel olhou e mandou eu levantar da cadeira e pediu para que observasse a rua e falou com uma voz rouca como estivesse triste:
- Senhora, Deus se esqueceu de nós, agora imagine os policiais e os políticos?
Agora, quem ficou calada fui eu e parei para observar o que ele havia falado. Realmente, Deus e os homens de poder deveriam olhar mais aquele local castigado pela prefeitura. As ruas não têm uma sinalização para os motoristas, os pedestres andam quase no meio da rua devido a algumas barracas de camelô que ficam vendendo de bijuterias até objeto para decoração da casa, música alta na luz do dia não respeitando a lei do silêncio e alto índice de roubos, pensei como Gabriel tinha razão.

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