quarta-feira, 27 de maio de 2009

Elas, sexo frágil





por Acácia Novaes


Os homens atribuem a elas o conceito de sexo frágil, porém elas vêm mostrando exatamente o oposto. A mulher brasileira deste século tem dupla jornada de trabalho, a pesquisa realizada em janeiro de 2008 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em seis capitais brasileiras - Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, indica o percentual de 43,1% das mulheres trabalham fora de casa. Não é raro encontrar mulheres deixando o trabalho oficial e partindo para o segundo ou terceiro turno, dentro dos lares.
Elas encaram mais um turno de trabalho não menos pesado se comparado aos empregos oficiais, e cada vez mais, elas invadem e conquistam espaços antes dominados apenas pelos homens. Hoje não é mais tão raro as mulheres assumirem postos como o de motorista de automóveis grandes como ônibus e caminhão, instrutoras de direção, na construção civil como pedreiras ou como cordeiras durante o carnaval.
São rotineiros comentários masculinos como “mulher no volante, perigo constante”, porém a prática mostra o inverso. É cada vez menor o número de mulheres envolvidas em acidentes de trânsito, de acordo com o levantamento de dados realizado pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), entre 2004 e 2007, apenas 11% dos motoristas envolvidos em acidentes de trânsito com vítimas eram mulheres.
A instrutora de transito Maria Teodora Santos Silva é uma das poucas mulheres a trabalhar nesse ramo, onde predomina o sexo masculino. Para ela, o fato de a mulher se envolver menos em acidentes se dá graças a algumas características femininas, como a cautela, atenção. O início de sua carreira como instrutora de trânsito não foi muito fácil, mas como ela se considera uma pessoa corajosa, seguiu em frente.Silva recebe a mesma remuneração que os instrutores homens, mas esta não é uma realidade para a maioria das mulheres.
Segundo dados da pesquisa de Síntese de Indicadores Sociais de 2004 realizada pelo IBGE entre 1993 e 2003, o percentual de 22,3 passou para 28,8 o número de famílias com mulher como principal fonte de renda no país. Apesar de atuarem de forma brilhante executando com eficiência as atividades e superando com maestria as dificuldades encontradas em cada profissão, elas ainda não conseguiram ser reconhecidas pelos seus méritos. Ainda hoje, mulheres e homens desempenham as mesmas atividades, com a mesma carga horária, porém, elas são mal remuneradas, recebendo salários com valores inferiores aos dos homens. Outros estudos do IBGE mostram essa diferença, onde, mesmo as mulheres com 11 anos ou mais de estudo, recebem 58,6% do rendimento dos homens com essa mesma escolaridade, enquanto 49% da população feminina ganham até um salário mínimo. Entre os homens esse percentual não ultrapassa 32%.
Habilidade é outra coisa. Para Silva, algumas mulheres por não possuir o hábito de dirigir constantemente, não conseguem realizar algumas manobras realizadas pelos homens com facilidade, isso é facilmente explicado ao observar a infância das crianças, onde, os meninos são ‘acondicionados’ através de brincadeiras a ‘treinarem’ a direção, já as mulheres brincam de casinha, criando assim nelas a idéia de que direção é coisa para homens. Para ela esse estigma está perdendo força, isso porque, hoje as bonecas já possuem seu próprio automóvel, ou seja, bonecas como as Barbies hoje são acompanhadas por um carro de brinquedo, e isso antes não havia, só os bonecos como o Ken possuíam carros.
Não é mais uma novidade encontrarmos elas trabalhando e eles cuidando da casa. Isso se tornou cada vez mais comum. Depois do aumento do índice de homens desempregados, as mulheres (donas dos lares) foram em busca de empregos, deixando com seus maridos a responsabilidade de cuidar da casa e das crianças. Alguns homens para driblar as dificuldades começam a trabalhar em casa, vendendo doces e até acarajé.
Regina Silva, auxiliar administrativo, passou por uma situação parecida. Durante um tempo de sua vida, seu marido perdeu o emprego. Buscando fugir da crise ele começou a fazer acarajé e vender na porta de casa. O acarajé ficou conhecido no bairro do Engenho Velho da Federação como acarajé de Barú, e por muitos anos eles se sustentaram com a renda dela junto ao ganhado com a venda dos acarajés.
Na construção civil elas trocam a colher, panelas e vassouras pelas pás, blocos e capacetes. Uma das áreas dominadas pelos homens, a construção civil a cada dia admite mais mulheres, não apenas para trabalharem no acabamento das obras, limpando pisos, mas, ‘para pegar no pesado’, como servente e pedreiras.
Maria Cecília Ferreira da Silva hoje é a diretora do sindicato dos trabalhadores da construção civil, mas durante 25 anos de sua vida trabalhou em canteiro de obras como servente. Segundo ela apesar do trabalho duro, outras mulheres assim como ela na época em que iniciou o trabalho, optaram por esses empregos por causa dos benefícios proporcionados pelo emprego Celetista. Muitas deixaram os empregos como empregadas domésticas para trabalharem como serventes, na construção civil. Apesar da diferença entre os sexos a remuneração é a mesma entre homens e mulheres.
Pesquisas realizadas pelo sindicato dos trabalhadores da construção civil mostram as suas trabalhadoras como jovens com nível médio, porém a dificuldade em empregarem-se em outras áreas, leva-nas para a construção civil. Silva diz nunca ter sofrido discriminação ao trabalhar com os homens, ao contrário eles até a ajudavam, porém a grande dificuldade sempre foi em as mulheres conseguirem cargos de chefia, isso porque eles não as ensinavam o ofício, sendo assim difícil uma mulher conquistar cargos como pedreira, mestre de obras, eletricista e outros. Eles sempre as deixavam como auxiliares e serventes.
Outro desafio apontado pela diretora do sindicato é o fato de ser extremamente difícil uma mulher conseguir ser empregada como pedreira, mestre, carpinteira etc., pois as empresas não acreditam no trabalho desempenhado por elas.
Na luta por direitos iguais as mulheres já mostraram na prática que são capazes de realizar as mesmas funções atribuídas aos os homens e em algumas situações mostraram ser a melhor opção, porém ainda não são reconhecidas por seus méritos, tendo então que vencer uma nova batalha, a do preconceito, esta é uma luta mais dura e difícil de ser vencida. Mas, caminhando do jeito que elas estão é possível sim, conquistar o valor merecido.

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