quarta-feira, 27 de maio de 2009

Carnaval de Salvador: a exclusão social provocada pela corda



por Taiana Laiz
Muito se tem discutido sobre a questão da corda no carnaval. A exclusão visível provocada pela separação do “folião-pipoca”, aquele que brinca fora dos blocos, do folião de dentro dos blocos é exemplo vivo de segregação histórica do nosso país. Sem a corda, o carnaval de Salvador não teria este formato já conhecido: dentro, os foliões que desfrutam de uma felicidade passageira ligada a quantidade de dinheiro que ele disponibilizou para fazer parte do bloco, e fora, os foliões que tentam se divertir da mesma maneira sem entrar no bloco e sem precisar gastar dinheiro.
A “privatização horizontal do carnaval” tem sido um dos principais problemas que envolvem a classe baixa e a elite econômica da cidade, como afirmam alguns estudiosos. Para eles, a corda nada mais é do que uma segregação histórica não apenas entre o pobre e o rico, mas também, entre o branco e o preto. Aqueles que têm dinheiro para comprar seu abada e ter acesso aos blocos é protegido e seu espaço é reservado pelas cordas e cordeiros, já aqueles que não tem, em sua maioria de classe baixa, ficam do lado de fora espremidos na busca de uma ilusória diversão.
Neste ano, de acordo com a assessoria de comunicação da Emtursa, 700 a 800 mil pessoas foram para as ruas brincar no carnaval de Salvador. Cerca de 40 mil jovens, segundo a assessoria do Ministério Público do Trabalho na Bahia, foram recrutados para trabalhar como cordeiro, sendo que duas mil vagas foram oferecidas pela própria Prefeitura Municipal de Salvador.
Os cordeiros, jovens entre 18 a 24 anos, segundo dados do Assidcorda (Associação dos Trabalhadores Cordeiros), que se disponibilizam para trabalhar de forma barata e perigosa durante os seis dias de carnaval, tem atraído atenção de muitos especialistas na área. A maioria deles, afirmam que o próprio cordeiro é um exemplo de contradição, já que em sua maioria é também a classe excluída do carnaval.
Em entrevista à Carta Maior, em 13 de fevereiro de 2007, o professor de Geografia da UFBA, Clímaco Dias, declarou que “a hegemonia dos blocos particulares, com segregação e exclusão, acabou com a festa popular mais famosa do Brasil”. Segundo ele, tanto o crescimento desordenado dos camarotes quanto o crescimento dos trios elétricos representados pelos blocos, tem destruído o que até então era considerado popular. Popular, no sentido de todos poderem participar sem que para isso precise perder capital.
O fato da existência de uma exlusão social e também econômica provocada pela corda é fato defendido por muitos, até pelos próprios foliões que fazem parte da festa. Hoje, esta questão ainda ocupa um lugar de grandes discussões, contudo, sem grandes resultados, pois, o carnaval de Salvador, continua perdendo espaço para as cordas que delimitam espaço nos blocos, aumentando consideravelmente a segregação de classes sociais.
Foto: Google

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