quarta-feira, 27 de maio de 2009

O movimento afro e seus encantos






Por Monique Moura

Falar de Carnaval da Bahia e não mencionar os blocos Afro e sua riqueza cultural é um pecado imperdoável. A beleza dessa folia tão irradiante é fruto sem dúvida dos desfiles dos blocos que guardam muitas tradições, uma cultura rica marcada por influências africana. De pensar que antigamente o negro não tinha espaço nessa festa grandiosa nos remete a idéia no mínimo preconceituosa. De fato é possível perceber que muita coisa mudou neste contexto, todavia é perceptível que é necessário muito mais.
Salvador é a cidade da mistura, da mistura de povos, lugar de forte presença negra, dos seus costumes, aonde o movimento de negritude é grande e que se projeta principalmente nos blocos Afro, guardando entre os seus membros o orgulho de ser negro. A idealização dos blocos como o ilustre Ilê Aiyê, em que a própria música o qualifica “O mais belo dos belos”, surgiu da imensa vontade de ressaltar a identidade cultural do povo negro. Pioneiro nesse movimento social o Ilê, do famoso bairro da Liberdade, mais precisamente da Ladeira do Curuzu, influenciou a criação de outros blocos Afro como; o Olodum do Pelô, do Malê de Balê de Itapuã e posteriormente o Araketu e Muzenza. Nomes provenientes da forte ligação dos membros com aos terreiros de Candomblé.
E o que falar do Gandhy? O maior afoxé da Bahia, com cerca de dez mil associados, levando suas mensagens de paz por onde passam, reverenciando Oxalá através das suas cores azul e branco e que neste ano completou 60 anos. Os filhos de Gandhy dispensam apresentações. Esses blocos buscam a todo o momento a referência do continente africano para os seus desfiles, seja ele na estética com suas fantasias e cabelos trançados ou na musicalidade, através de coreografias que lembram as danças para os orixás nos terreiros, mostrando pra todos a sua beleza no carnaval.
Quem não deixa de marcar presença nos inúmeros camarotes que oferecem de tudo no carnaval ou que nunca viu a passagem desses blocos, precisa ver e sentir, pois é uma aula de cultura baiana que realmente encanta, o som da percussão é pulsante e a beleza é irradiante. Já dizia Goli Guerreiro, antropóloga, que em seu livro A Trama dos Tambores mergulhou neste universo Afro. “No terreno da world music, que privilegia uma musicalidade “étnica”, o samba – reggae se encaixa como uma luva, na medida que recria sonoridades africanas, mesclando-as com ritmos brasileiros e caribenhos, desenhadas em tambores de vários tipos, como surdo, repique, tarol, timbau, entre outros... “A música afro- baiana deixa de ser local para ser global”.
Mas o que esses blocos tem em comum no cenário do carnaval? O carnaval que movimenta milhões durante seus dias de folia, que atualmente é visto como um grande mercado. E se assemelham no exclusivo fato de não conseguirem grandes patrocínios para os seus desfiles além de não contar com a divulgação da mídia, é perceptível que as transmissões locais não mostram o movimento afro. Diante de tantas matérias sobre o carnaval, com exceção da TVE, nenhuma outra ressaltou a importância do movimento afro e seus blocos. Diante de questões como essas é fundamental a reflexão sobre esses dados. E valorizar esses blocos que manifestam a presença afro na nossa terra e contribuem muito para o desenvolvimento social das comunidades.
Foto: Google
www.overmundo.com.br/agenda/movimento-afro-em-cena

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