“Ter que lutar mais do que mulheres brancas”
É assim que a dona de uma história de vida inigualável e de muita batalha Márcia Guena dos Santos, fala das dificuldades enfrentadas em ser mulher negra. Professora, graduada em Comunicação
pela Universidade de São Paulo, e mestrado em Programa de Pós Graduação em Integração da América pela USP, é sem dúvida um exemplo de luta e determinação para muitas pessoas que sonham em vencer sua carreira profissional. Atualmente sendo estudante de doutorado da Universidad Complutense de Madrid, divide sua vida entre estudos e família. Nessa entrevista, Guena, que passou anos de sua vida lutando contra o preconceito racial e defendendo causas negras, conta como foi sua trajetória ao longo dos anos, as dificuldades enfrentadas, relembra sua viagem à África e ainda revela um pouco sobre sua experiência em ser mãe.
pela Universidade de São Paulo, e mestrado em Programa de Pós Graduação em Integração da América pela USP, é sem dúvida um exemplo de luta e determinação para muitas pessoas que sonham em vencer sua carreira profissional. Atualmente sendo estudante de doutorado da Universidad Complutense de Madrid, divide sua vida entre estudos e família. Nessa entrevista, Guena, que passou anos de sua vida lutando contra o preconceito racial e defendendo causas negras, conta como foi sua trajetória ao longo dos anos, as dificuldades enfrentadas, relembra sua viagem à África e ainda revela um pouco sobre sua experiência em ser mãe. Repórter - Como surgiu a idéia de estudar química e jornalismo?
Márcia Guena - Sempre gostei de estudar. Minha formação foi técnica, na área de Química, mas as letras sempre fizeram parte da minha vida.
R - Você atua apenas no jornalismo?
MG - Jornalismo, história e movimentos sociais
R - Como mãe, e com tantas responsabilidades, como você concilia sua vida profissional com a pessoal?
MG - Reservando horários para cada coisa
R – O que acha da experiência em ter se tornado mãe?
MG - Uma experiência inigualável, de muito amor e doação.
R - O que costuma fazer fora da faculdade?
MG - Ler, cuidar de meu filho, participar de ações ligadas à cultura negra, sempre realizar uma atividade de lazer.
R - E sua vida profissional? Como foi ao longo destes anos?
MG - Muito agitada. Trabalhei em jornal impresso, revista, fiz mestrado e estou fazendo doutorado.
R - Como é essa mistura de história, quimica, jornalismo e fotografia?
MG - Como a vida onde todas as coisas estão misturadas. Mas a concentração do meu trabalho está na área das letras e a discussão de temas negros.
R - Qual sua opinião em relação a Lei Maria da Penha?
MG - Uma lei extremamente necessária
R - Quanto à raça, já sofreu algum tipo de preconceito ou discriminação?
MG- Várias vezes.
R - De que forma você ver o preconceito hoje no país?
MG - Uma conseqüência do processo de formação histórica do país que demanda uma luta contínua de todos, mais particularmente da população negra por meio de suas organizações.
R - O que acha que poderia ser feito para acabar com o preconceito/ e a discriminação racial no Brasil?
MG - Não acaba de um dia para o outro. O movimento negro deve continuar atuando, propondo leis, cotas raciais etc.
R - Quais as dificuldades que você enfrentou na vida, por ser uma mulher negra?
MG - Ter que lutar mais do que mulheres brancas.
R - Na sua vida profissional, por ser negra, algo já te ameaçou?
MG - O medo de não ter força para enfrentar o preconceito cotidiano.
R - Como é ser uma mulher negra em destaque hoje na sociedade?
MG - Não me acho uma mulher de destaque. Mas, caso você considere assim, é importante registrar que um negro só é respeitado nos espaços onde é conhecido, fora dali enfrenta os mesmos problemas que qualquer outro negro: preconceito de discriminação.
R - Como você ver a formação da identidade feminina nos diversos seguimentos da sociedade?
MG - Fundamental
R - Como foi sua visita à África?Qual o objetivo da viagem? O que mais te chamou atenção?
MG - O objetivo foi conhecer a terra da minha família. Foi um encontro maravilhoso com meus ancestrais. O que mais me chamou a atenção foi a semelhança do povo conosco.
R - Como você compara o povo africano do povo negro brasileiro?
MG - Os brasileiros negros têm a sua origem na África. Apesar de viveram momentos, culturas e espaços distintos, muito permaneceu no gesto e na cultura como um todo.
R - Qual seu ponto de vista em relação à democracia racial no Brasil?
MG - Não existe democracia racial. Esse foi um discurso criado pelas elites. Existem racismo e preconceito que devem ser enfrentados com seriedade e muito trabalho.
R- Como jornalista, qual sua visão em relação a atuação da imprensa hoje na sociedade?
MG - Em geral uma atuação pouco ética, mas há exceções.
R - Em sua opinião, quais as expectativas futuras que você acha que possibilitarão o negro conquistar novos espaços na sociedade?
MG - Uma luta contínua dos movimentos negros, responsáveis por todas as conquistas existentes


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