História Ganha uma Nova Roupagem
Este ano entrou em vigor a lei n°10.639, que obriga todas as escolas públicas e particulares a inserir a História da Cultura Africana no currículo escolar. Conversamos com a educadora Cleane Chagas de Jesus, professora de língua portuguesa e língua inglesa e que está se especializando em Metodologia e Didática da História e da Cultura afro-brasileira. Ela confessa ter sentido um grande alívio, pois durante muito tempo fomos obrigados a acreditar que o Brasil era uma nação racialmente democrática.
Pergunta - Qual sua posição na obrigatoriedade da inserção da disciplina HCA na grade escolar?
Cleane - A obrigatoriedade do ensino da História da Cultura Afro-brasileiro nos currículos das escolas públicas e particulares, conforme a lei n 10.639/2003 gerou muita polêmica, mas confesso ter sentido um grande alívio,pois durante muito tempo fomos obrigados a aceitar o mito da democracia racial. Todos nós sabemos que essa igualdade entre negros e brancos no Brasil não existe. A partir do momento que vivemos em um país formado por uma miscigenação, não temos o direito de negativar a cultura africana.
P – Qual a importância do ensino da cultura afro-brasileira nas escolas?
C - “A história narrada nas escolas é branca a inteligência e a beleza mostrada pela mídia também o são”, afirma Hélio Santo.
Os estudiosos descobriram o que a população brasileira sempre soube, ou seja, no Brasil, negros e brancos nunca estiveram em igualdades de condições. O autoritarismo dos não-negros foi de tal forma que calou gerações e gerações, através da exclusão, e se a lei não fosse aprovada, essa medida reparatória não iria acontecer. O Brasil é a segunda nação com a maior parte da população negra e ao mesmo tempo é contraditório quando os estudantes desse mesmo país não sabem falar sobre a sua cultura. Logo, não há nada mais democrático do que ensinar ao negro sua própria cultura. Espero que esse seja o primeiro passo para começarmos a desconstruir os estereótipos e preconceitos construídos ao longo do tempo.
P - Qual é o papel do educador?
C - O professor tem o papel de perguntar, desafiar, elaborar situações as quais estimulem as habilidades e competências do aluno, levando-o a interagir com o seu meio sócio-cultural. O profissional da educação tem como objetivo viabilizar o conhecimento, pois o mesmo não é detentor do saber.
P – Fale um pouco sobre a reação dos alunos após entrarem em contato com tanta coisa nova.
C - No início houve o estranhamento, pois foram 500 anos ouvindo palavras negativas sobre a população negra e não será em apenas quatro anos que iremos desmistificar todos esses estereótipos, mas é satisfatório perceber como a auto-estima do negro vem melhorando a cada dia. Nós não podemos cobrar essa mudança de imediato porque vivemos em um país bastante preconceituoso, e o mesmo está tentando tomar medidas emergenciais e reparadoras para tentar amenizar um terço do tempo de maus tratos, angústias e exclusão que a população negra sofreu. Contudo, nós, profissionais da área da educação, somos formadores de opiniões, por isso podemos afirmar quer essa história ainda pode ter uma nova roupagem.
Pergunta - Qual sua posição na obrigatoriedade da inserção da disciplina HCA na grade escolar?
Cleane - A obrigatoriedade do ensino da História da Cultura Afro-brasileiro nos currículos das escolas públicas e particulares, conforme a lei n 10.639/2003 gerou muita polêmica, mas confesso ter sentido um grande alívio,pois durante muito tempo fomos obrigados a aceitar o mito da democracia racial. Todos nós sabemos que essa igualdade entre negros e brancos no Brasil não existe. A partir do momento que vivemos em um país formado por uma miscigenação, não temos o direito de negativar a cultura africana.
P – Qual a importância do ensino da cultura afro-brasileira nas escolas?
C - “A história narrada nas escolas é branca a inteligência e a beleza mostrada pela mídia também o são”, afirma Hélio Santo.
Os estudiosos descobriram o que a população brasileira sempre soube, ou seja, no Brasil, negros e brancos nunca estiveram em igualdades de condições. O autoritarismo dos não-negros foi de tal forma que calou gerações e gerações, através da exclusão, e se a lei não fosse aprovada, essa medida reparatória não iria acontecer. O Brasil é a segunda nação com a maior parte da população negra e ao mesmo tempo é contraditório quando os estudantes desse mesmo país não sabem falar sobre a sua cultura. Logo, não há nada mais democrático do que ensinar ao negro sua própria cultura. Espero que esse seja o primeiro passo para começarmos a desconstruir os estereótipos e preconceitos construídos ao longo do tempo.
P - Qual é o papel do educador?
C - O professor tem o papel de perguntar, desafiar, elaborar situações as quais estimulem as habilidades e competências do aluno, levando-o a interagir com o seu meio sócio-cultural. O profissional da educação tem como objetivo viabilizar o conhecimento, pois o mesmo não é detentor do saber.
P – Fale um pouco sobre a reação dos alunos após entrarem em contato com tanta coisa nova.
C - No início houve o estranhamento, pois foram 500 anos ouvindo palavras negativas sobre a população negra e não será em apenas quatro anos que iremos desmistificar todos esses estereótipos, mas é satisfatório perceber como a auto-estima do negro vem melhorando a cada dia. Nós não podemos cobrar essa mudança de imediato porque vivemos em um país bastante preconceituoso, e o mesmo está tentando tomar medidas emergenciais e reparadoras para tentar amenizar um terço do tempo de maus tratos, angústias e exclusão que a população negra sofreu. Contudo, nós, profissionais da área da educação, somos formadores de opiniões, por isso podemos afirmar quer essa história ainda pode ter uma nova roupagem.


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