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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Além de corpos frios





por Claudiana Silva




Agora, ele já não pode mais desfrutar das coisas simples da vida. Não pode mais sentir os cheiros que mais gostava, conversar com seus amigos e jamais poderá andar de bicicleta com seus netos. Agora ele é um corpo nu, frio e pálido, sob uma superfície também fria, às vezes, alguns até o confundem com objetos de plástico parecidos consigo, porém estes jamais viveram o que ele viveu.
Este é um dos cadáveres utilizados para estudos anatômicos. Como este, existem vários em faculdades de saúde. Agora, pouco ele se parece com ser humano, já sem pele, um esqueleto humano coberto por músculos tão desidratados, que mais lembram carne do sertão. É dessa forma que muitos estudantes de saúde vêem esse corpo, estudam seus músculos, órgãos, as articulações e tendões e tentam ignorar a sua história, só assim muitos estudantes poderão atuar de forma mais tranqüila, nesse momento ele, o corpo é uma peça.
Roberta Silva é estudante de fisioterapia e nos primeiros semestres sofria porque tinha horror das aulas de anatomia e lidar com os corpos. “Eu não conseguia nem tocar nos ossos, só de pensar que era de alguém morto, eu ficava sempre afastada das mesas cheias de ossos de pessoas mortas. Os crânios me assustavam muito, só conseguia pensar na pessoa, quem era ela, eu vivia tentando reconstruir em minha cabeça os rostos, imaginava como elas viviam, como teria sido sua morte”.
Segundo a estudante ela só conseguiu participar das aulas depois que com muito esforço conseguiu afastar dos corpos sua histórias de vida, “nos não temos acesso a história dos cadáveres, mas no início temos essa curiosidade. Olhamos para os corpos perfeitos, ou com marcas de acidentes e tentamos descobrir o que aconteceu com aquela pessoa”, conclui.
Esses profissionais lidam diariamente com corpos já mortos, nunca os viram vivos. Mas como os profissionais de saúde lidam com a morte? Como lidam com o fato de trabalharem com pessoas vivas e que em questão de instante não passam de um corpo frio, um corpo que não os reconhecem mais?
A técnica em enfermagem, Tatiana Oliveira, diz que frequentemente passa por essa situação, ela diariamente lida com pessoas doentes, em estado grave que a qualquer instante podem perder a vida. “A situação mais difícil para mim é quando o paciente fica internado por muito tempo. Porque agente acaba se apegando a ele, criando um laço afetivo”, confessa.
Segundo Oliveira, o momento mais difícil que passou foi no início de sua carreira, ainda quando estudava, “eu estava no meu primeiro dia de estágio, em uma enfermaria oncológica, lá tinha uma paciente com seus 35 anos. Foi tão triste, tão feio. Lembro bem nos primeiros dias ela estava bem, conversando, mas já doente, e bem depressiva, agente ficava tentando animar ela. Nós a vimos ir embora dia após dia, de forma lenta, a cada dia ela se afastava mais, eu a vi morrendo, sofrendo e o que podíamos fazer era feito, mas, ela foi assim mesmo”.

Samba e forró, símbolos da identidade nacional






por Claudiana Silva


Um país como o Brasil, construído a partir de vários grupos culturalmente distintos sofreu diversas influências, agregando à sua identidade diferentes características e expressões culturais de origens distintas. Além das contribuições dos nativos (indígenas), o país adquiriu também características de europeus, africanos e hoje, até de orientais. Esse fator torna difícil definir e de identificar uma característica inerente ao país.
A crença popular acredita que o samba tem sua origem no Brasil, mais especificamente na Bahia, mas, poucos sabem que o samba realmente nasceu em terras brasileira. Durante o séc. XVI negros escravos chegaram ao país e muito contribuiu para criar a identidade brasileira, uma dessas contribuições foi com a dança. O samba como conhecemos hoje nasceu no Brasil, verdade o samba é reminiscência de danças africanas.
Segundo o historiador Luis da Câmara Cascudo em uma viagem a Luanda, observou que em algumas festas indivíduos dançavam acompanhados de instrumentos de percussão, os participantes reunidos em círculos, o centro era ocupado por um dos dançarinos (homem ou mulher) que após executar seus passos coreográficos, gingando todo o corpo, terminava a sua apresentação com uma umbigada (samba), neste momento outro integrante do grupo, que sua vez reiniciava a coreografia.
No Brasil ainda existe esse tipo de dança, principalmente em cidades do interior nas regiões nordeste e norte este esse tipo de dança são conhecidos como dança de roda, samba de raiz, estes são tipos de samba onde o dançarino esfrega os pés no chão parecendo andar para traz. Porém pode-se afirmar que o samba é sim uma dança brasileira, porque apesar de possuir laços com ritmos africanos, a forma como se dança o samba é singular. A forma de mover os pés andando para trás sem sair do lugar e em passos rasteiros, caracterizam o samba nordestino.
A depender da região, o samba tem suas características da dança mudadas em alguns aspectos. No sudeste em estados como São Paulo e Rio de Janeiro o samba é dançado com passos mais altos, as bailarinas usam os braços em movimentos elegantes. Esse tipo de dança só possui registro no Brasil.
Outro tipo de dança genuinamente brasileira é o forró, trata-se de uma dança nordestina, dançada aos pares. Pode ter origem no toré e o arrastar dos pés dos índios, com os ritmos binários Portugueses e Holandeses e com o balançar dos quadris dos africanos.
Apesar de ter influência direta das danças de salão européias o forró ganhou popularidade ao cair no gosto dos brasileiro e ganhar inúmeras influencias originando na dança que hoje só é encontradas em terras brasileiras.
Conhecido e praticado em todo o Brasil, o forró é especialmente popular nas cidades brasileiras de Juazeiro do Norte, Caruaru, Mossoró, e Campina Grande, onde é símbolo da Festa de São João, e nas capitais Aracaju, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Maceió, Recife, São Luís e Teresina onde são promovidas grandes festas. Essa dança ganhou força no nordeste, principalmente na cidade do interior, acredita-se que a origem para o termo forró, deu-se quando em Pernambuco havia um baile onde muitos estrangeiros frequentavam, e na entrada estava escrito em inglês (for all), para todos, então ficou popular no estado e no pais como forró.
O Brasil pode ser considerado como um país atípico porque é capaz de absorver características de outras nações, o interessante é que os brasileiros tem a capacidade de abrasileirar tais características. É dessa forma que nasce o forró e o samba, danças tipicamente brasileiras, que já ganharam força se tornando símbolos da identidade nacional.
Foto: Google
Saiba mais: www.ritmosbrasileiros.com/

História Ganha uma Nova Roupagem




por Claudiana Silva


Este ano entrou em vigor a lei n°10.639, que obriga todas as escolas públicas e particulares a inserir a História da Cultura Africana no currículo escolar. Conversamos com a educadora Cleane Chagas de Jesus, professora de língua portuguesa e língua inglesa e que está se especializando em Metodologia e Didática da História e da Cultura afro-brasileira. Ela confessa ter sentido um grande alívio, pois durante muito tempo fomos obrigados a acreditar que o Brasil era uma nação racialmente democrática.

Pergunta - Qual sua posição na obrigatoriedade da inserção da disciplina HCA na grade escolar?
Cleane - A obrigatoriedade do ensino da História da Cultura Afro-brasileiro nos currículos das escolas públicas e particulares, conforme a lei n 10.639/2003 gerou muita polêmica, mas confesso ter sentido um grande alívio,pois durante muito tempo fomos obrigados a aceitar o mito da democracia racial. Todos nós sabemos que essa igualdade entre negros e brancos no Brasil não existe. A partir do momento que vivemos em um país formado por uma miscigenação, não temos o direito de negativar a cultura africana.

P – Qual a importância do ensino da cultura afro-brasileira nas escolas?
C - “A história narrada nas escolas é branca a inteligência e a beleza mostrada pela mídia também o são”, afirma Hélio Santo.
Os estudiosos descobriram o que a população brasileira sempre soube, ou seja, no Brasil, negros e brancos nunca estiveram em igualdades de condições. O autoritarismo dos não-negros foi de tal forma que calou gerações e gerações, através da exclusão, e se a lei não fosse aprovada, essa medida reparatória não iria acontecer. O Brasil é a segunda nação com a maior parte da população negra e ao mesmo tempo é contraditório quando os estudantes desse mesmo país não sabem falar sobre a sua cultura. Logo, não há nada mais democrático do que ensinar ao negro sua própria cultura. Espero que esse seja o primeiro passo para começarmos a desconstruir os estereótipos e preconceitos construídos ao longo do tempo.

P - Qual é o papel do educador?
C - O professor tem o papel de perguntar, desafiar, elaborar situações as quais estimulem as habilidades e competências do aluno, levando-o a interagir com o seu meio sócio-cultural. O profissional da educação tem como objetivo viabilizar o conhecimento, pois o mesmo não é detentor do saber.

P – Fale um pouco sobre a reação dos alunos após entrarem em contato com tanta coisa nova.
C - No início houve o estranhamento, pois foram 500 anos ouvindo palavras negativas sobre a população negra e não será em apenas quatro anos que iremos desmistificar todos esses estereótipos, mas é satisfatório perceber como a auto-estima do negro vem melhorando a cada dia. Nós não podemos cobrar essa mudança de imediato porque vivemos em um país bastante preconceituoso, e o mesmo está tentando tomar medidas emergenciais e reparadoras para tentar amenizar um terço do tempo de maus tratos, angústias e exclusão que a população negra sofreu. Contudo, nós, profissionais da área da educação, somos formadores de opiniões, por isso podemos afirmar quer essa história ainda pode ter uma nova roupagem.

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