segunda-feira, 25 de maio de 2009

O cinema que vem da Índia




por Gabriel Ramacciotti


Um dia uma pessoa me perguntou: Qual é o maior produtor de filmes do mundo? Esperando que eu falasse os Estados Unidos, tomou um susto com a minha resposta. Para quem não sabe é a Índia a maior produtora cinematográfica do mundo. Produzindo em média 700 filmes por ano, as sua produções são cheias de danças e músicas. Filmes que retratam a cultura do país, deixando para trás a grande indústria do entretenimento Hollywood, que produz em torno de 350 filmes durante o ano.
Bollywood (coincidência, não?) sendo um dos principais ramos da sétima arte na Índia consegue produzir cerca de 1.000 filmes por ano, com públicos que chegam a atingir o incrível número de 70 milhões de pessoas que vibram com as suas produções. Os seus filmes custam milhões e a maioria é composta de musicais que muitas vezes passam por uma intensa publicidade. Sem falar que o público é muito exigente e cobra que os filmes sejam de qualidade.
Competir com o cinema Hollywoodiano não é fácil para a Índia, que infelizmente sofre um boicote por parte dos mesmos, afinal eles temem e muito que as produções locais comecem a se render a outras formas cinematográficas. O mais engraçado é que mesmo com todo esse boicote por baixo dos panos, esse ano o Oscar, a maior festa do cinema mundial, que de mundial não tem nada, pois a maioria são filmes americanos, finalmente conseguiu quebrar essa barreira elegendo a melhor filme Quem quer ser um Milionário? que se passa na Índia e tem ingredientes específicos do cinema indiano.
Lógico que o país entrou em frenesi, ao ser reconhecido pela poderosa fábrica de fazer filmes. Por outro lado, Hollywood se rendeu e claro se encantou com a poderosa capacidade fílmica de um país que esbanja cultura e entretenimento. Tudo isso começou com os irmãos Lumière criadores do cinema, que introduziu essa arte no país em 1896, com a exibição de filmes em hotéis da antiga Bombaim, hoje chamada Mumbai. Assim, com o tempo salas de cinema iam sendo construídas e espalhando a magia do cinema por todo o território indiano.
Não é só de Bollywood, que o cinema indiano é composto. Como todos sabem ou não sabem, a Índia é um caldeirão de etnias e línguas e cada uma delas controla um ramo cinematográfico. Por exemplo, o cinema Bengali é o mais prestigiado em prêmios nacionais, o Marathi é a indústria mais antiga e o cinema Tâmil é a terceira maior do país com os seus filmes reconhecidos em países da Europa. Lógico que esses são alguns dos vários grupos éticos e linguísticos que estão por trás desse ramo. O cinema novo que é o cinema artístico da Índia, também possui o seu espaço perante a todo esse cinema comercial. Explorando mais o lado humano, essas específicas produções falam sobre a gama que são as relações humanas. Como todo o ramo de filmes artístico, eles não possuem divulgação intensa, mas mesmo assim são prestigiados em pequenos festivais que acontecem pelo país e também são exibidos em canais públicos de TV.
É visível que o cinema indiano sofreu algumas influências do cinema americano, especificamente Bollywood que até contrata atores ocidentais para mostrar os seus rostos em suas produções, mas se por um lado existe essa influência que não é só na Índia, o cinema brasileiro que o diga, o seu cinema é brilhante no aspecto de tentar mostrar o seu país nas suas raízes, não escondendo os seus costumes que muitas vezes chocam o ocidente e não escondendo a sua verdade história, como muitos filmes americanos gostam de fazer.
Depois de conhecer um pouco do cinema indiano, uma pergunta surge: Vale a pena abrir os olhos, no sentido de assistir uma produção indiana? E a resposta é sim. Pois o ramo da sétima arte na Índia é fantástico e poderoso, no sentido de não só fazer mais filmes que os Estados Unidos, mas de mostrar que é através desse caminho cultural que esse país localizado na Ásia consegue mostra o seu povo. E já estamos cansados de visualizar esse padrão americano de ser.

Foto: Google

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