quarta-feira, 27 de maio de 2009
O sucesso chegará?
Durante décadas a mulher sempre teve um papel diferenciado, um tratamento direcionado ao papel que representava que era de ser “responsável pela procriação da espécie e de dona de casa”. No Brasil, com padrões culturais diferenciados, enquanto cantoras, musicistas, instrumentistas, inspiradoras de canções, poucas ou nenhuma antigamente tinham oportunidade, pois este papel cabia ao homem. Como passar dos anos e com a necessidade de ser tornar um agente social de mudanças, a mulher foi buscando se firmar no cenário musical.
No Brasil, a história da musicalidade feminina é despertada inicialmente por Chiquinha Gonzaga, personalidade feminina na história da música popular brasileira e uma das percussora da nacionalização musical, que ousou derrubar muitas barreiras e preconceitos para cantar. Graças a essa artista, que surgiu em 1899 a primeira composição para o carnaval brasileiro, “Ô Abre Alas”.
Depois de Chiquinha, nas décadas de 40 e 50, surgem as cantoras de rádio, Carmélia Alves, Ellen de Lima, Zezé Gonzaga e outras, cantando pré-bossa-nova. Nas décadas de 60 e 70, o universo musical vai ganhando maiores dimensões e vão surgindo nomes como de Maria Betânia, Gal Costa, Rita Lee, estas que já faziam um pouco de sucesso nos anos 50 e que devido a muitas dificuldades no meio artístico, não ganharam projeção. Mas quem definiu a arte de cantar foi Elis Regina, que com todo seu potencial revelou talentosos compositores como Milton Nascimento, João Bosco e outros.
Percebemos que mesmo poucas oportunidades, o papel da mulher foi fundamental no cenário da música brasileira, pois graças canções produzidas por elas, que a música brasileira foi apresentada ao mundo.
No Brasil de antigamente chegar ao ápice do sucesso, da fama, exigia alguns fatores, dente eles quebrar o preconceito de uma sociedade machista. Nos últimos anos, para atingir o ápice da fama, ganhar expressividade, fazer sucesso não é apenas lutar contra o preconceito, é também possuir muitos fatores como: sorte, talento, aceitação do mercado fonográfico e da mídia, e como diz Margareth Menezes: “Está no lugar certo e na hora certa”.
Na sociedade atual, está cada vez mais nítido que a música vem reafirmando a identidade feminina, pois graças ao talento que muitas mulheres possuem elas vem se tornando invejáveis e desejadas por muitos seguimentos no mundo inteiro. A cada dia, são vistos exemplos de cantoras vitoriosas. Hoje elas se tornaram símbolos sexuais, estréiam campanhas publicitárias, estapam as capas de revistas mais badaladas do país e vivem como verdadeiras rainhas.
Na Bahia, de acordo com o Jornalista e pesquisador da evolução da mulher no cenário musical Baiano, Perfilino Neto, a mulher foi se firmando na música à medida que o baiano começava a ter vida noturna e quando as emissoras de rádio foram se acentuando. “Inicialmente as cantoras baianas começaram sua carreira cantando em cassinos, e ai surge o rádio que teve um papel muito importante no incentivo da mulher na musica, pois abria espaços para elas cantarem suas canções”, afirmou em entrevista.
Nascer ricas, muitas não nasceu. Algumas tiveram dificuldades para conquistarem seu espaço, tiveram que romper barreiras, medo, discriminação, falta de incentivo e de apoio familiar. Lutaram contra tudo e contra todos.
Na Bahia, artistas como Margareth Menezes, também não teve uma vida fácil, correu atrás dos seus sonhos, quebrou barreiras e muitas vezes, foi vitima de discriminação. Hoje atingiu o sucesso e é considerada um dos ícones da musica baiana.
A banda Didá, formado em 1993, pelo maestro Neguinho do Samba, é outro exemplo de luta e determinação das mulheres na música baiana, pois formada por percursionistas, levantam o público na Praça Tereza Batista no Pelourinho, com suas batucadas.
“A vida do artista é feita do momento de sucesso e do não sucesso. E do sucesso dinovo. O que vale na vida do artista é o que ele constrói, é o legado que ele consegue fazer em memória da sua música e em memória da sua caminhada”, declarou Margaret Menezes. Dessa maneira que cantoras como Chiquinha Gonzaga, Carmen Miranda, Elis Regina fizeram durante sua carreira no Brasil e no mundo.
Conquistar o tão sonhado sucesso é buscar oportunidades e lutar contra as dificuldades. Salvador, terra do axé, é dona de uma grande mistura de ritmos. Por aqui tem espaço para o forró, o hip- hop, o reggae, a seresta, o chorinho, a música erudita, o samba e as batucadas. Cada ritmo tem sua representante feminina e cada uma delas quando cantam, mostram para o mundo o que a Bahia tem de melhor na música.
Atingir o sucesso é mais um desafio e um obstáculo a ser enfrentado por elas, pois nem sempre chega facilmente, é necessário ter paciência e buscar cautelosamente, pois pode chegar facilmente e em um piscar de olhos ir embora.
A busca incessante pelo reconhecimento é outro fator que as fazem ir cada vez mais atrás do seu espaço na mídia, é o que lhe encoraja para correr atrás de subsídios para conquistar seus objetivos.
Cada cantora baiana tem sua paixão. E foi graças ao amor pelo samba, que fez de Claudete Macedo ser a percussora do samba na Bahia. Seu sucesso de 1963 “Flor de Laranjeira” é interpretado até hoje por diversos artistas. Depois de uma vida difícil e de muitos contratempos em inicio de carreira, Claudete é hoje um exemplo de superação, e prova que as mulheres baianas são capazes de conquistar um espaço no cenário musical.
O que se percebe, é que o orgulho de ser mulher e de cantar, está enraizado em todas elas. Cantar e encantar são méritos conquistados por algumas mulheres depois de muitos anos na busca do reconhecimento, fama e sucesso.
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A maior prova de amor dessa massa foi no ano de 2007, quando o clube obteve a maior média de público das três séries disputadas no Campeonato Brasileiro se encontrava na série C. Esse dado foi divulgado em rede nacional pelos canais televisivos. O fato de o time estar na última divisão do campeonato parecia dar mais gás a essa multidão de tricoloucos.
Quando a equipe anda “mal das pernas”, lá está ela, como uma mãe que grita com o seu filho para que ele não desista, mas para que lute até o fim. Às vezes esse grito é tão intenso que quando acompanhamos o jogo pelo rádio, perdemos vários lances comentados, porque só se houve a voz da torcida massiva ecoar.
Perdendo ou ganhando, não importa. Ela sempre está lá, de prontidão, para apoiar e também reclamar, quando necessário for. Não falta gente para dizer que torcedor do Bahia é descarado, porque o time perde e ele ainda veste a camisa no outro dia, na maior cara de pau e vai para o estádio de novo. Mas a denominação está errada. Torcedor do tricolor não é descarado, é FIEL.
E é justamente essa fidelidade e esse amor incondicional ao clube que não deixa o Esporte Clube Bahia se esvair. E é essa nação responsável pelas emoções e arrepios proporcionados jogo a jogo, através de suas canções e seus gritos de guerra, seja na Fonte Nova, no Jóia da Princesa, no Pituaçu, ou até na Lua. Obrigada nação tricolor, por ser fiel, ou descarada, como queiram chamar, porque pra mim você é massa!!!!!!!!!!
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Jéssica Brandão: Como você veio trabalhar aqui?
Jussara Miranda: Foi indicação. Eu morava aqui em Itapuã, na rua da Moreira. E tinha uma senhora, chamada dona Marina, que fez a indicação.
J. B: Ao longo destes quinze anos, quais as mudanças que aconteceram aqui nas proximidades de Itapuã com as reformas para a implementação da Casa?
J. M: A gente vinha pra cá e tinha uma visão totalmente diferente, não é que hoje não esteja bonito, legal. A mudança valorizou mais o espaço, que por sua vez, perdeu o lado natural. Para se ter uma idéia, quando a gente vinha aqui, tinha realmente aquelas dunas, a vegetação, as barraquinhas de coco que eram cobertas de palha, aqueles banquinhos de madeira, a beleza natural. Pra mim era bem interessante, eu comecei realmente a frequentar o Abaeté depois da inauguração, quando eu comecei a trabalhar aqui.
J. B: Como foram os primeiros meses, após a inauguração?
J. M: Pra começar, a visitação era de mil pessoas por dia. Tinham-se filas aqui fora para poder entrar. Entravam de 25 em 25. Era muita, muita gente. A gente ficava o dia todo em pé. Entrava visitante o tempo todo. As pessoas da comunidade tinham aquela coisa da novidade e de querer conhecer. Depois de um tempo, as pessoas foram se acostumando e as visitas foram baixando. E aí começaram a vim os turistas no período de férias, durante a alta estação.
J.B: Qual foi o momento, o evento ou a exposição que lhe marcou?
J. M: Um documentário sobre a história da música baiana, que conta desde Gregório de Matos e que termina com o clipe de Caetano e Gil. É um documentário breve, bem interessante e que foi algo que me marcou muito.
J.B: O que você acha dos Saraus?
J. M: Quando começou os Saraus eu já me senti. Eu passei um período que eu já estava desgastada, eu não queria mais trabalhar aqui. Foi quando houve a mudança da coordenadora para o coordenador. Com essa mudança, a transição com uma pessoa que é daqui da comunidade, e que conhece muita gente, surgiu um novo atrativo para a casa, os saraus.
J. B: Qual o seu sentimento em relação a Casa da Música?
J. M: Eu costumo dizer que a casa da música é um lugar onde eu venho e que me proporciona um momento de relaxamento. Eu gosto de trabalhar com alegria, gosto de trabalhar sorrindo, são momentos que a gente esta conversando e vê outra pessoa sorrindo que a gente se diverte. O vínculo de amizade é importante, Amadeu é o coordenador, mas para mim ele é o coordenador e a pessoa Amadeu. Se isso é possível para que a gente possa de vez em quando se distrair, pra mim é ótimo. Não é só aquela coisa dele ser o “chefe”. Tem aquele momento de descontração, momento de amizade. Tanto da menina da limpeza, quanto com o coordenador. Existe o laço forte de amizade, que para mim é gratificante.
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Não se conseguiu verba suficiente para a revitalização, foram realizadas caminhadas sem o apoio dos moradores do condomínio, comenta Rosana Cerqueira, 42 anos, componente assídua do grupo: “Reclamaram do barulho, jogaram ovo, no Brasil existe um povo descansado, essa é a verdade”.
Para a arrecadação de verbas, aconteceram também aulões com o morador e professor de educação física Marcos Mattos, 39 anos, decepciona, ele declarou “Eu abdiquei do meu domingo, único dia sem trabalho, o dia disponível para meus filhos, justamente por uma boa causa, venho aqui dar aula para a minha ‘comunidade’ e aparecem três pessoas, é chato, mas não podemos desistir”.
O espaço é dedicado aos moradores do condomínio e está sendo utilizado por jovens para uso de drogas e aliciamento de menores. A mãe de uma das crianças não quis se identificar, mas disse: “Aqui é um condomínio fechado, pago para isso e cadê a segurança? É necessário construir algo nesse espaço, coloquem luzes, e é muito triste pois este imenso espaço poderia ser muito bem aproveitado, mas está sendo abandonado, e os moradores não ligam e os mobilizadores são criticados”.
O AQUA conseguiu apoio de Hendrik Aquino, 44 anos, ex-líder comunitário e fundador do jornal do bairro “Jornal Local”, mas infelizmente até agora a quadra ainda é a mesma. Tinha poucos integrantes no AQUA, para um condomínio com 2.304 moradores. A população está despreocupada, o descaso foi grande e o grupo voltado para a revitalização da quadra, se desfez por falta de patrocínio e apoio dos próprios moradores.
Os síndicos dos seis prédios existentes no Condomínio não se interessaram, muito menos ajudaram os AQUA, não havendo uma interação. O grupo necessitava de mais componentes, voluntários, jovens revolucionários e essas exigências não foram atendidas.
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Praça lotada. Crianças, adultos de todas as idades, adolescentes, idosos, homens, mulheres, sejam eles heterossexuais, homossexuais ou transexuais. Estavam todos lá! A espera do Concurso de Fantasia. Mas este, não é um concurso comum, em sua maioria os participantes são gays. Quem organiza é o Grupo Gay da Bahia que desde setembro começa os preparativos da festa.
Alem do concurso, s
eus apresentadores, e um em especial, Luis Mott, antropólogo e fundador a 30 anos do GGB, fala ao microfone a todo o momento a respeito da importância da luta da causa gay. Com seu grito de guerra “A Bahia é GAY!!!!!!!” muitas vezes arranca risos e olhares de indignação, mas mesmo assim se mostra forte em frente ao preconceito das pessoas.O brilho e o glamour começam cedo. Pela manha da segunda-feira de carnaval os participantes já começam a se organizar. Roupa, maquiagem, sapato e muito brilho já começam com a transformação daqueles que farão parte da festa. A correria e o suor na preparação de som, palco, luzes, enfim, todo o espaço da festa também começa muito cedo.
Um dos coordenadores do Grupo Gay da Bahia, Otávio Reis é um daqueles que não se cansam de se cansar com os preparativos. Todos os anos ele organiza a ordem de participação dos concorrentes, entre muitas outras tarefas, mas, simplesmente adora. “Quando a gente faz isso é porque quer oferecer isso para o público. Porque é uma coisa bonita, é uma coisa diferente no carnaval.” confessou Otávio cheio de entusiasmo.
Lá pelas cinco horas da tarde os participantes estão nos últimos retoques da roupa e da maquiagem. Lá fora, as crianças tomam conta do palco e dançam a espera do show. Não é nada parecido com a imagem que muitos poderiam ter em sua cabeça. Não há suspense nos rostos daqueles pais e eles estão ali porque querem mesmo assistir com suas crianças a apresentação de Gays. Aliás, se Luis Mott não lembrasse a todo o momento que aquele evento promove a igualdade, isso já teria sido feito por aqueles que ali estavam.
Ao chegar o momento da festa, jurados dos mais diferentes tipos de gente que apóiam e que participam diretamente pela luta por direitos iguais surgiram para completar a festa. Eles julgam os candidatos pela originalidade de suas fantasias. Para os seis vencedores são distribuídos prêmios que no total somam um montante de R$ 13.500,00. O dinheiro do prêmio vem da Prefeitura e da Saltur que também são os únicos patrocinadores do evento.
Conseguir verbas é uma dificuldade que eles enfrentam para a realização do evento. Não existe apoio de empresas particulares. Acho que a barreira do preconceito precisa ser rompida por grupos empresariais para que eles reconheçam também essas manifestações culturais, como já tem sido feito na Parada Gay de São Paulo. A maior parada gay do mundo conta com o apoio de empresas grandes, como no último ano em 2008, que a Petrobrás e a Caixa Econômica Federal eram os principais patrocinadores do evento.
Pronto! Começou a festa! Com a apresentação dos jurados começaram os shows. A platéia interagia com muita descontração e energia, os convidados se apresentavam como se o palco montado na Praça Municipal fosse uma grande boate. A cultura gay já faz parte do Carnaval baiano, essa foi a décima segunda edição do evento.
Fantasias lindas e muito glamorosas. Brilho e festa contagiaram todos os participantes. Até aquelas fantasias que protestavam e chocavam pela verdade, como a de um rapaz que se pintou de vermelho, simulando sangue e segurando uma faixa com os dizeres: “Diga não a homofobia” eram lindas. Lindas pela intenção e emoção que representavam.
O Concurso é um ótimo programa para a segunda – feira de carnaval. É para aqueles livres de preconceito e leves de espírito. Quem não tem vergonha nem desprezo daquilo que é diferente. Afinal no carnaval vale tudo. Principalmente ser muito feliz!
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Agora com 29 anos ele parou as suas andanças pelo mundo, para fazer um balanço. No seu quarto ele recordou a sua primeira viajem, na qual teve grandes surpresas. Em 1996, Stuart se encontrava na América do Sul, mais precisamente na Argentina. Em Buenos Aires, a capital do país, Stuart conheceu uma argentina que lhe ensinou a dançar o verdadeiro tango. Ela foi a primeira de várias que ele conquistou com essas andanças pelo mundo.
Em Março daquele mesmo ano, ele conheceu o Uruguai e por meses adentro o Chile, Peru, Colômbia e Venezuela fizeram parte do seu destino. No primeiro mês de 1997, Stuart se encantou com a savana africana e toda a sua magia que aquele lugar passa. E foi lá que ele tocou pela primeira vez em um filhote de leão, vencendo o seu medo de animais. Meses depois, ele se encontrava em Cairo no Egito, ali ele conquistou uma dançarina de dança do ventre que lhe mostrou todos os mistérios daquela terra.
Da África a Europa, conhecendo assim Portugal, Espanha, França e Itália. Sendo quem em Roma ele realizou um sonho que foi tocar nas paredes do Coliseu. Na Suíça, Stuart passou por uma situação nada agradável, foi assaltado e assim perdendo todo o seu dinheiro. Com amizades que fizera acabou conseguindo um emprego em uma fábrica de chocolates suíços. Aqueles foram os meses mais doces da sua vida.
Em 1998, Stuart se encontrava na China e teve um grande choque cultural ao experimentar as excentricidades da culinária chinesa. No Japão se encantou com o colorido das luzes na cidade de Tóquio. Espantou-se com a quantidade de gente que atravessavam as ruas da cidade e sentiu pela primeira vez saudades da sua terra, a cidade de Sena Madureira no Acre. Da Ásia para a Oceania, em Sidney ele sentiu toda a adrenalina de uma cidade que não para. Em uma boate famosa da cidade, Stuart provou pela primeira vez pílulas de êxtase. Atordoado com o efeito desmaiou e só acordou em um leito de hospital. Dias depois riu de toda a situação que passou.
Agora deitado na sua cama ele viu o quanto ele ganhou nessa jornada pelo mundo. O quanto o mundo é maravilhoso e acima de tudo o quanto as pessoas são fantásticas. Stuart sentiu que o mundo está livre para qualquer um que um dia faça o que ele fez e sentiu também que a liberdade é tudo na vida de um ser humano. Em seus pensamentos, se ele morresse hoje seria a pessoa mais feliz de todo esse planeta, por ser um viajante do mundo.
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Nesta entrevista, a jovem muçulmana explica os motivos que a fizeram se interessar pela religião mais professada no Oriente Médio. Ela comenta a respeito da curiosidade que as pessoas demonstram devido a sua opção religiosa, relata as diferenças referentes ao padrão de vida antigo em relação ao atual, voltado para a crença nos ensinamentos do profeta Mohamed, registrados no Alcorão.
LIVIA MACHADO - O que te levou a ser muçulmana?
NINEVAH BARREIROS- O islã em si. É uma religião completa, nela se encontra resposta pra todos os assuntos da vida, os conceitos e as explicações são tudo muito claro e lógico não existe contradição no que o islã diz, nem na relação do islã com a vida diária. E toda a organização e disciplina que existe na religião, a verdade nos ensinos... Não foi uma coisa só, mas todo o aprendizado da religião e sua aplicação me fizeram ter certeza de que não podia ser outra coisa se não muçulmana.
L.M- Como você enfrenta o preconceito?
N.B- O preconceito não é tanto, as pessoas demonstram mais curiosidade do que atitudes ofensivas. Às vezes me incomoda que as pessoas fiquem me olhando quando saio, mesmo que seja só por curiosidade. Mas tem dias que é muito incômodo ter certeza de que todo mundo está olhando pra mim.
L.M- Quais foram às reações de sua família e seus amigos depois de se converter?
N.B-A princípio todo mundo levou um susto e achou absurdo. Agora eles já estão se acostumaram a minha mãe é quem me dá mais apoio, e até me ajuda a comprar roupas adequadas e véus. Um dos meus irmãos também acha legal, às vezes vai comigo no centro islâmico. O resto da família ainda é contra, meu pai não gosta que eu use véu na forma tradicional e mais conhecida como islâmica, então quando saímos tenho que usar de um jeito que pareça ser apenas um lenço. E minha avó tem uma idéia bem errada do islã, igualzinha a todas as pessoas que acham que muçulmanos são terroristas. Isso é horrível porque ela liga pra minha casa dizendo que está rezando para eu sair da religião ela acha que me converti pra chamar atenção (Risos). Já meus amigos acharam meio estranho no começo, mas nunca foram preconceituosos.
L.M- Quais foram às grandes mudanças de sua vida depois que você se converteu?
N.B- Parei de fazer muita coisa. Não fico mais bebendo as bebidas alcoólicas estou mais paciente, menos estressada. Agora sou mais feliz comigo e com minha vida. Aprendi a me valorizar mais, a me respeitar mais, como pessoa e como mulher também. E incrivelmente me tornei uma pessoa muito lógica e coerente em meus discursos, em meus questionamentos, em minhas atitudes. É como ser mais sincera comigo mesma e com todas as outras pessoas.
L.M - Por que ser mulçumana?
N.B - Li um pouco sobre algumas crenças, não todas, mas nenhuma me fez pensar que ela era a certa e a mais completa tanto quanto o islã. Fora que essas doutrinas criadas pela cabeça do homem nunca fez sentido pra mim. Eu gostava um pouco do espiritismo, mas depois de conhecer o islã e buscar a lógica das coisas, comecei a achar que faltava alguma coisa no espiritismo.
L.M – Quando foi que você se converteu?
N.B- Oficialmente, desde 28 de dezembro de 2007, mas já estava decidida desde novembro e comecei a rezar como diz o islã desde outubro do mesmo ano.
L.M- Teve algum momento em que você sofreu algum tipo de preconceito?
N.B- Teve certa vez que uma mulher me perguntou se eu era muçulmana, e o porquê que eu era muçulmana e ela não se conformou quando eu disse que era por minha escolha. Então ela me disse com muito desdém ‘ mas a gente vê cada coisa nesse mundo’... Saí de perto pra não responder.
L.M- O fato de ser muçulmana te impõe alguma dificuldade?
N.B- É, só as já mencionadas mesmo, um pouco de calor, difícil achar roupas... Mas às vezes é bem difícil para eu lidar com a crença das outras pessoas, quando soam sem lógica. Bem, como muçulmana a verdade pra mim é o islã, outras religiões pra mim não são sinônimo de verdade à respeito de Deus. Às vezes ouço absurdos ilógicos e as pessoas só reproduzem o que ouvem à respeito de Deus, não questionam a validade dos argumentos... Isso me deixa nervosa.
L.M - Você pode deixar uma mensagem em árabe (com a tradução) para o nosso leitor?
N.B- LA ILAHA ILA ALLAH! – Não existe divindade que não seja ALLAH! É a coisa mais importante no islã, a unicidade de Deus.
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O motorista apressadinho, ameaça puxar o ônibus e daí o espreme-espreme na porta. Uns vão e outros ficam. Penso eu: “Jesus, eu dentro daquele quitute, morro sufocada”.
Bem nem o pensamento sai da cabeça e lá vem ela, devagarzinho, pirraçando, catando, desfilando, matracando, e com um tantão de sardinhas espremidas.
Sem querer chegar, chegando, ela chega e ai vamos nessa. Um passa, outro passa, um se ajeita, o outro desajeita, o livro cai, um pega, o outro pisa. A catraca trava e ninguém passa. A viagem atrasa e lá estamos mais um dia como sardinhas na topic Castelo Branco x Aeroporto.
E no corre-corre, o cobrad
or grita: Ô galera vai para o fundo. Aperta mais, que dá pra todo mundo. Um passageiro já irritado responde: Seu filho de uma puta , bote sua mãe aqui, pra você ver o gostoso. Aqui não cabe mais ninguém não”. E parando entre um ponto e outro, vou escutando os gritos e murmúrios.O que ninguém sabe, é que toda aquela ganância do cobrador por passageiros, é porque aqueles filhos de uma mãe ganham por comissão, ou seja, cada cabecinha que estiver espremida ali dentro, lhe dá alguns centavinhos a mais no final do dia.
Desce a ladeira da Nestlé, e mais um dia os coração dos pobres passageiros na mão. Vira ou não vira? Eis a questão. Ninguém nunca sabe, porque eles seguram o freio e depois descem avionados. Como muita gente medrosa, me dá um friozinho na barriga como se eu estivesse dessaranjada.
Para no próximo ponto, alias fora do ponto. Mesmo como sardinha, uma estudante quer viajar também. O cobrador grita: Ô veio mais pra lá, agente ta no meio da pista. E o idiotizado do motorista, faz zig-zag, gozando da cara da garota: “Se eu atropelar ela, ela vai para o H já era”. O HGE já mudou de pronúncia. Penso eu, se essa moda pega!!!
Sobe a garota desconcertada e mais uma vez o grita. Naquela muvuca, muitos entram e poucos saem.
A cada metro completado, mas o caminho se torna longo. Pois o pára-pára nunca pára.
Lá vai mais um dia de stress dentro das carroças de Castelo Branco à Aeroporto. Ninguém nunca salta para eu dá uma descansadinha. O suor vem no rosto, a maquiagem derrete. “Ô meu deus, quanta pobreza. Tira-me daqui. Não agüento mais essa vida, me dê até um fusquinha veio”, é o que digo sempre à uma turma que vem empilhada junto comigo, nas subidas e descidas do percurso. Uma passageira murmura: “Êta que essas duas aí conversam. Não sei onde elas acham tanto assunto. Parece até nega do leite”. Uma colega, dona de uma língua nada grande reage: “É para passar o tempo e esquecer esse cheirinho de cecê que tá arruinando meu estômago. Alías cheirinho não. Cheirão. Porque o negócio aqui ta preto. O kkkkkkk começa. E alguns passageiros fazem caras e bocas. Sentem-se desconfiados.
Chega a garganta de São Marcos, e lá está as malditas filhinhas de carro. “Aiiii, não vou chegar hoje. Hoje é dia, de meu patrão me pagar. Lenhar comigo”.Todos riem. Sabe lá o que esse pegar, lenhar, significa. A jovem se esquiva e coloca seu rosto na janela. “Foi o calor que subiu”, grita um carinha ousado que todos os dias pega o ônibus alguns pontos depois de mim. Ousado e cara-de-pau, porque ela está cansada de tomar cotoveladas e mesmo assim insiste, em falar baboseiras no meu pé de ouvido. “Afffff dô conta disso não Cecel”, é o que diz Jojó, colega da faculdade. E eu respondo: “Ele é cego, não se enxerga”.
E lá vamos nós, mas um dia espremidas, descabeladas, amassadas, desconsideradas, desmaqueadas, porque naquele muquifo ninguém respeita ninguém.. “Cara você está roçando em mim”, é isso companheiro que você pode escutar se pegar essa maldita topic.
O sistema é bruto. E eu e mais uma coleguinha da sala, e muitos outros passageiros todos os dias 6h45 da manhã estamos na mira de sermos amassadinhos, salsichinhas, sardinhas destes topiqueiros de quinta categoria, como dizem por ai.
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Este é um dos cadáveres utilizados para estudos anatômicos. Como este, existem vários em faculdades de saúde. Agora, pouco ele se parece com ser humano, já sem pele, um esqueleto humano coberto por músculos tão desidratados, que mais lembram carne do sertão. É dessa forma que muitos estudantes de saúde vêem esse corpo, estudam seus músculos, órgãos, as articulações e tendões e tentam ignorar a sua história, só assim muitos estudantes poderão atuar de forma mais tranqüila, nesse momento ele, o corpo é uma peça.
Roberta Silva é estudante de fisioterapia e nos primeiros semestres sofria porque tinha horror das aulas de anatomia e lidar com os corpos. “Eu não conseguia nem tocar nos ossos, só de pensar que era de alguém morto, eu ficava sempre afastada das mesas cheias de ossos de pessoas mortas. Os crânios me assustavam muito, só conseguia pensar na pessoa, quem era ela, eu vivia tentando reconstruir em minha cabeça os rostos, imaginava como elas viviam, como teria sido sua morte”.
Segundo a estudante ela só conseguiu participar das aulas depois que com muito esforço conseguiu afastar dos corpos sua histórias de vida, “nos não temos acesso a história dos cadáveres, mas no início temos essa curiosidade. Olhamos para os corpos perfeitos, ou com marcas de acidentes e tentamos descobrir o que aconteceu com aquela pessoa”, conclui.
Esses profissionais lidam diariamente com corpos já mortos, nunca os viram vivos. Mas como os profissionais de saúde lidam com a morte? Como lidam com o fato de trabalharem com pessoas vivas e que em questão de instante não passam de um corpo frio, um corpo que não os reconhecem mais?
A técnica em enfermagem, Tatiana Oliveira, diz que frequentemente passa por essa situação, ela diariamente lida com pessoas doentes, em estado grave que a qualquer instante podem perder a vida. “A situação mais difícil para mim é quando o paciente fica internado por muito tempo. Porque agente acaba se apegando a ele, criando um laço afetivo”, confessa.
Segundo Oliveira, o momento mais difícil que passou foi no início de sua carreira, ainda quando estudava, “eu estava no meu primeiro dia de estágio, em uma enfermaria oncológica, lá tinha uma paciente com seus 35 anos. Foi tão triste, tão feio. Lembro bem nos primeiros dias ela estava bem, conversando, mas já doente, e bem depressiva, agente ficava tentando animar ela. Nós a vimos ir embora dia após dia, de forma lenta, a cada dia ela se afastava mais, eu a vi morrendo, sofrendo e o que podíamos fazer era feito, mas, ela foi assim mesmo”.
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Para o Ministério Público, as penas e medidas alternativas são aplicadas a crimes de pequeno e médio potencial ofensivo, ou seja, delitos sem violência ou grave ameaça, nas sentenças de até quatro anos, e em crimes culposos (sem intenção) após a verificação de antecedentes e a conduta do infrator. Na Lei nº 9.714/98, as penas são entendidas como prestação de serviço a comunidade ou entidade pública, prestação pecuniária, perda de bens e valores, interdição temporária de direitos e limitação de fim de semana.
A extinção das unidades prisionais, da forma que elas existem atualmente, é muito benéfica à sociedade. Ao soltar todos os internos do sistema penitenciário que não cometeram crimes hediondos, e aplicando as penas e medidas alternativas aos egressos, as cadeias diminuem a superpopulação e a sociedade não gradua criminosos, que posteriormente poderão ser reinseridos à sociedade. Com isso, e conforme dados da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), o Estado chega a economizar cerca de R$ 1,500 por preso a cada mês.
Uma pessoa que comete um pequeno ou médio delito, não chega a ser tão agressiva e beneficia muito mais a sociedade prestando serviços a comunidades. A SJCDH afirma que com a aplicação das penas alternativas o retorno ao crime fica entre 2 e 12%, ao contrário dos infratores que são submetido a prisão, nestes casos o índice chega a subir para 85%.
Se é melhor a aplicação das penas alternativas, por que os juízes não aplicam as mesmas ao dar uma sentença? A forma como o Estado Brasileiro foi constituído, demonstra quanto o país é incapaz de utilizar a educação como aliada para a reestruturação desta nação. Hoje, a aplicação das penas alternativas ainda é feita de forma tímida, graças a ineficiência do Estado para fiscalizar os apenados que cumprem esta determinação judicial.
Infelizmente, os juízes que aplicam a legislação no Brasil, também não estão habituados a utilizar as penas alternativas para pobres e negros que roubam latas de leite ou similares. No Brasil, graças a difusão da idéias de manda quem tem dinheiro, as penas alternativas, em sua maioria, ainda são propostas apenas pelos advogados dos criminosos de colarinho branco, estes sim, só cometem infrações de baixo potencial ofensivo.
Com a aplicação destas sanções, o cidadão de colarinho branco nunca será estigmatizado como ex-presidiário e o pobre, negro também não. A reincidência nos crimes diminui, a superpopulação das unidades prisionais será reduzida e o Brasil pode investir muito mais em saúde, moradia, educação e lazer, medidas que realmente ajudam a reduzir o índice de criminalidade.
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Sua origem deriva na semelhança que alguns alimentos como a banana, cenoura, espargos, entre outros possuem com o órgão sexual. Alguns pesquisadores apontam que a consumação de tais alimentos afrodisíacos tem o objetivo de aumentar o apetite e o desejo sexual. Compreende como afrodisíaco não só alimentos como também bebidas, odores, ervas, produtos químicos e outras substâncias que tenham como fator principal a estimulação do prazer sexual.
A ciência ainda pouco explica sobre o poder que certos alimentos possuem sobre o estimulo sexual. Para alguns cientistas, o fato pode ser explicado pela influência que certos alimentos combinados ou não, podem ter sobre a mente e os principais receptores afrodisíacos que são: a visão, o olfato, tato e paladar. "A combinação de várias reações sensoriais - a satisfação visual ao ver os alimentos apetitosos, a estimulação olfativa dos seus agradáveis odores e a gratificação tátil que é concedida aos mecanismos orais por pratos ricos e saborosos - tendem conduzir a um estado de euforia general favorável a expressão sexual".(Extraído e traduzido da Enciclopédia Britânica).
O mito do nascimento de Afrodite também contribuiu para considerar os alimentos provenientes do mar como afrodisíacos, a exemplo: bacalhau com mel, camarões picantes, ostras fritas com molho, entre outros. A culinária afrodisíaca ganha mais popularidade principalmente, em datas especiais que remetam o desejo e a paixão, como é o caso do Dia dos Namorados.
No Brasil, a Bahia se destaca por apresentar muitos alimentos com finalidade afrodisíaca, já que os pratos típicos são repletos de ingredientes apimentados que excitam o apetite sexual. Existem alimentos como o morango, por exemplo, que é considerado afrodisíaco não por aumentar o prazer, mas por provocar sensações agradáveis que agem diretamente no desempenho sexual.
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O cabelo trançado é diferente daquele cabelo que víamos ser massivamente difundido pela mídia até pouco tempo atrás de que cabelo bonito é cabelo liso. Chapinha, alisamento japonês, escova, escovas de chocolate, relaxamento, amaciamento, estão entre os inúmeros tratamentos aos quais muitas negras de cabelo crespo se submetem. Mas, existem também aquelas que andam na contramão de toda essa parafernália inventada pela indústria da moda e trançam os cabelos na procura por valores que ultrapassem esse domínio cultural do belo e bom.
Essas mulheres que antes eram esquecidas por tudo que lembrava moda e beleza começaram a lembrar-se que eram bonitas também com a explosão de intensas movimentações que valorizavam a negritude. Comportamento e cuidados com o corpo que definem um estilo negro de ser em roupas, cabelo e atitude eram importados e imitados pelos jovens em Salvador. “Uma imagem de contraste revela um discurso político, a partir d
os anos 1970, relacionado aos reflexos do "black is beautiful", movimento cultural e comportamental norte-americano dos anos 1960.” (Jocélio Teles dos Santos, 1999, pg. 7) Essa influência ficou bastante clara com o surgimento do cabelo black-power, que sacudiu a “consciência racial” das jovens negras que passaram também a procurar as tranças e penteados afros em contrapartida aos alisamentos da vida.“A imagem do cabelo natural passou a ser reverenciada como aquela que se contrapõe ao cabelo liso e que estaria em consonância com uma nova mentalidade do "ser negro".” (Jocélio Teles dos Santos, 1999, pg. 7). Ser negra hoje na Bahia é muito mais do que pertencer a um grupo de pessoas de determinada cor de pele. Ser negra baiana é também estar ligada a todo o turbilhão cultural pelo qual essa gente está destinada desde que pode se compreender e se orgulhar da carga genético-cultural que está no tom da pele. “A identidade negra é entendida, aqui, como uma construção social, histórica, cultural e plural. Implica a construção do olhar de um grupo étnico/racial ou de sujeitos que pertencem a um mesmo grupo étnico/raciais sobre si mesmos, a partir da relação com o outro.” (Nilma Lino Gomes, 2003, pg 5)
Para se tornar doutora em Antropologia Social pela USP, Nilma Lino Gomes, desenvolveu uma pesquisa etnográfica em salões étnicos de Belo Horizonte relacionando negro, corpo e estética. A pesquisa dela revelou que no processo de construção de identidade, o cabelo crespo era um forte ícone identitário que faria o corpo ser considerado como um suporte da identidade negra. “O papel desempenhado pela dupla: cabelo e cor da pele na construção da identidade negra foi o ponto de maior destaque durante a realização da pesquisa. A importância desses, sobretudo do cabelo, na maneira como o negro se vê e é visto pelo outro, até mesmo para aquele que consegue algum tipo de ascensão social, está presente nos diversos espaços e relações nos quais os negros se socializam e se educam: a família, as amizades, as relações afetivo-sexuais, o trabalho e a escola. Para esse sujeito, o cabelo carrega uma forte marca identitária e, em algumas situações, é visto como marca de inferioridade” (Gomes, 2002).
Mulheres que usam tranças têm a sua ancestralidade negra fortalecida e externada. Elas não sentem vergonha do que são e sabem valorizar suas raízes. São femininas, fortes e belas. A estética que os cabelos trançados proporcionam perpassa a construção da auto-estima da negra e chegam à politização dessas mulheres. Símbolos da luta por referências e identificação com sua própria história.
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por Gabriel Ramacciotti
Quando se fala em gravidez é muito importante salientar que a prática de exercícios é de suma importância no desenvolvimento saudável do bebê. Para isso muitas mamães buscam vários caminhos para que nada de errado aconteça durante a sua gravidez. Com isso existem vários exercícios específicos como: a natação, que trabalha a musculatura, o alongamento, a caminhada, o yoga, o pilates entre outros. Mas é a hidroginástica a mais recomendada para o desenvolvimento de uma gestação saudável.
Surgida na década de 80 essa atividade ganhou proporções no mundo e também no Brasil. Inicialmente ela era utilizada para curar lesões que eram provocadas pela ginástica aeróbica e com o tempo foi sendo utilizada para que as grávidas se sentissem melhor durante todo o processo da gravidez. A hidroginástica traz uma grande manutenção do trabalho corporal da grávida, assim atendendo o desejo de todas as mulheres em conseguir uma boa forma.
Ela é uma atividade relaxante, sendo realizada na água e utilizando sempre bóias específicas que ajudam na locomoção. É comum nos dias de hoje as pessoas não terem tempo para se exercitar, assim essa atividade é uma boa maneira para supri o hábito das mulheres que não se exercitam, trazendo uma segurança maior para as mesmas e para a criança. De fato não existe contra indicações para a realização dessa atividade, existindo assim vários benefícios para a gestante.
Dentre os vários benefícios que ela proporciona pode-se citar: relaxamento de todo o corpo da mulher, as dores da coluna começam a amenizar, traz um grande equilíbrio para todo o corpo, as atividades cardiorrespiratórias melhoram além de trazer uma sensação total de bem estar. Mas com todos esses benefícios que encantam as grávidas, algumas precauções devem também ser tomadas como: evitar ao máximo o uso de água quente no dia a dia, pois isso pode trazer problemas para o feto em formação e checar sempre que possível a pulsação tendo um controle da mesma.
Os exercícios de hidroginástica são distribuídos em séries que são a metabólica, a principal e a respiratória. Na primeira é feito exercícios com os braços soltos no plano horizontal com os cotovelos flexionados. Na segunda as pernas ficam separadas com os braços formando um ângulo de 90° graus e a última série usa-se o cotovelo flexionado, forçando o queixo no peito e contraindo o abdômen. Todas essas séries estão interligadas e sem uma seqüência os exercícios não fazem efeito.
De fato a hidroginástica é mais do que uma atividade para um bom desenvolvimento do bebê, ela é uma atividade terapêutica que faz com que muitas das grávidas relaxem os seus corpos, levando-as a uma sincronia perfeita com os seus bebês. Essa é uma atividade que além de ter uma boa reputação ela é bem aceita pelas próprias gestantes que se sentem bem em realizá-la.
Por isso com gravidez não se brinca, para muitas gestantes que estão começando a passar por essa grande caminhada a hidroginástica é uma atividade que irá confortar e construir uma direção para que essa nova mamãe se sinta bem consigo mesma e com o seu filho que virá.
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pela Universidade de São Paulo, e mestrado em Programa de Pós Graduação em Integração da América pela USP, é sem dúvida um exemplo de luta e determinação para muitas pessoas que sonham em vencer sua carreira profissional. Atualmente sendo estudante de doutorado da Universidad Complutense de Madrid, divide sua vida entre estudos e família. Nessa entrevista, Guena, que passou anos de sua vida lutando contra o preconceito racial e defendendo causas negras, conta como foi sua trajetória ao longo dos anos, as dificuldades enfrentadas, relembra sua viagem à África e ainda revela um pouco sobre sua experiência em ser mãe. Repórter - Como surgiu a idéia de estudar química e jornalismo?
Márcia Guena - Sempre gostei de estudar. Minha formação foi técnica, na área de Química, mas as letras sempre fizeram parte da minha vida.
R - Você atua apenas no jornalismo?
MG - Jornalismo, história e movimentos sociais
R - Como mãe, e com tantas responsabilidades, como você concilia sua vida profissional com a pessoal?
MG - Reservando horários para cada coisa
R – O que acha da experiência em ter se tornado mãe?
MG - Uma experiência inigualável, de muito amor e doação.
R - O que costuma fazer fora da faculdade?
MG - Ler, cuidar de meu filho, participar de ações ligadas à cultura negra, sempre realizar uma atividade de lazer.
R - E sua vida profissional? Como foi ao longo destes anos?
MG - Muito agitada. Trabalhei em jornal impresso, revista, fiz mestrado e estou fazendo doutorado.
R - Como é essa mistura de história, quimica, jornalismo e fotografia?
MG - Como a vida onde todas as coisas estão misturadas. Mas a concentração do meu trabalho está na área das letras e a discussão de temas negros.
R - Qual sua opinião em relação a Lei Maria da Penha?
MG - Uma lei extremamente necessária
R - Quanto à raça, já sofreu algum tipo de preconceito ou discriminação?
MG- Várias vezes.
R - De que forma você ver o preconceito hoje no país?
MG - Uma conseqüência do processo de formação histórica do país que demanda uma luta contínua de todos, mais particularmente da população negra por meio de suas organizações.
R - O que acha que poderia ser feito para acabar com o preconceito/ e a discriminação racial no Brasil?
MG - Não acaba de um dia para o outro. O movimento negro deve continuar atuando, propondo leis, cotas raciais etc.
R - Quais as dificuldades que você enfrentou na vida, por ser uma mulher negra?
MG - Ter que lutar mais do que mulheres brancas.
R - Na sua vida profissional, por ser negra, algo já te ameaçou?
MG - O medo de não ter força para enfrentar o preconceito cotidiano.
R - Como é ser uma mulher negra em destaque hoje na sociedade?
MG - Não me acho uma mulher de destaque. Mas, caso você considere assim, é importante registrar que um negro só é respeitado nos espaços onde é conhecido, fora dali enfrenta os mesmos problemas que qualquer outro negro: preconceito de discriminação.
R - Como você ver a formação da identidade feminina nos diversos seguimentos da sociedade?
MG - Fundamental
R - Como foi sua visita à África?Qual o objetivo da viagem? O que mais te chamou atenção?
MG - O objetivo foi conhecer a terra da minha família. Foi um encontro maravilhoso com meus ancestrais. O que mais me chamou a atenção foi a semelhança do povo conosco.
R - Como você compara o povo africano do povo negro brasileiro?
MG - Os brasileiros negros têm a sua origem na África. Apesar de viveram momentos, culturas e espaços distintos, muito permaneceu no gesto e na cultura como um todo.
R - Qual seu ponto de vista em relação à democracia racial no Brasil?
MG - Não existe democracia racial. Esse foi um discurso criado pelas elites. Existem racismo e preconceito que devem ser enfrentados com seriedade e muito trabalho.
R- Como jornalista, qual sua visão em relação a atuação da imprensa hoje na sociedade?
MG - Em geral uma atuação pouco ética, mas há exceções.
R - Em sua opinião, quais as expectativas futuras que você acha que possibilitarão o negro conquistar novos espaços na sociedade?
MG - Uma luta contínua dos movimentos negros, responsáveis por todas as conquistas existentes
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Carnevale, quer dizer "o tempo em que se tira o uso da carne", noite anterior à Quarta-Feira de Cinzas. Assim como o futebol, é a maior manifestação de cultura popular no Brasil. Cerca de dois milhões de foliões, sendo 400 mil estrangeiros, participam da maior festa popular do planeta, além de contribuir com a renda e o turismo da capital baiana, o carnaval soteropolitano tende a expansão a cada ano que passa. O prefeito João Henrique disse que quer ver no próximo ano, uma maior participação popular, mas para isso ocorrer, haverá o recuo de camarotes e ampliação das arquibancadas populares, para que o povo possa brincar e ter mais espaço, sem deixar de exercer o seu direito de democracia. Lógico que há todo um interesse político-capitalista por trás disso, carnaval da Bahia igual a propaganda, igual a turismo, igual a renda para a cidade.
Foram realizados cerca de 220 mil empregos temporários, dentre cordeiros, ambulantes e montadores das estruturas carnavalescas. A indústria do carnaval movimenta em torno de um bilhão, mas será mesmo necessário desviar dinheiro das merendas escolares?! Enquanto muitos reúnem roupas, alimentos e remédios para as vítimas de Santa Catarina vemos a seca do nordeste, crianças morrendo de fome, sem saneamento básico, vivendo em condições precárias, e vemos também uma central enriquecer, a central de um carnaval. O comércio do carnaval foi tema de palestras para empreendedores, o tema chegou a ser comparado com o império do Walt Disney. O carnaval de Salvador deveria ser a maior festa de participação popular do planeta, uma manifestação livre, criada pelo povo e não por indústrias, máquinas de fazer dinheiro.
Antes, as pessoas que possuíam carros, era quem tinha as maiores condições financeiras, enfeitavam seus automóveis e convidavam seus amigos para desfilarem pelas ruas. Os negros brincavam com os brancos, sendo que esses podiam atingi-los com águas sujas, farinhas, enquanto os negros só poderiam fazê-lo entre si. Com o passar do tempo, o carnaval de Salvador se resumiu a grandes diversões em pequenos clubes, com reuniões no Baiano de tênis, Associação Atlética, Clube Espanhol, para a disputa do melhor baile carnavalesco da cidade. Hoje os clubes foram para as ruas, tornaram-se verdadeiros shoppings, passarelas de glamour, o carnaval virou um produto a ser comercializado por uma indústria viril, a alegria passou a ser comercializada, comprada por um preço alto, um comércio ávido e separatista.
É o momento em que dois "Brasis" desfilam na avenida, de um lado camarotes luxuosos, com boate, salão de beleza e customização de camisas, cinema, internet 24h, ótimos bares e restaurantes, ar-condicionado, uma opção em que boa parte da população de Salvador não pode desfrutar, o passeio público de Salvador é loteado por seis dias, tirando-se a conclusão de que o carnaval da Salvador foi feito para o turista. O Apartheid fica explícito, quando vemos, os VIP’s (Pessoas muito importantes) nas sacadas dos camarotes de vários andares, onde bebida e comida é livre, e além de artistas, políticos também são convidados. Do outro lado, o povo, a "pipoca", pessoas espremidas, sendo delimitados poucos metros para se moverem. Lá se encontram pessoas que estão tirando o seu pão para comer, cordeiros que ganham R$ 26,00 por dia, catadores de latas, ambulantes, um grupo que aceita essa segregação, um carnaval que protege a elite e dificulta a participação do povo, discrimina o pobre, onde cordas são usadas para separarem os bacanas que compram blocos de R$ 500,00 a 2.500,00. O povo não tem condições financeiras para ‘comprar’ um carnaval digno. E quando passa o carnaval, seguranças e cordeiros são encontrados em programas de TVs locais para cobrarem a diária de trabalho que ainda não foi recebida. Essa é a realidade, o homem é um animal! Mas ainda há esperança, porque há de haver democracia.
Carnaval é uma festa do povo. O Ministro da cultura todo ano faz um camarote onde, artistas e pessoas importantes são convidadas. O lema do governo é: "Brasil; Um país para todos!", um país que tem um município chamado Manari, menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, onde a lei permite um abono em torno de R$ 1.500,00 do auxílio maternidade do governo federal para quem for agricultor, sendo que este abono acaba sendo usado como um ‘incentivo’ para as mulheres parirem. Um lugar que não possui nem água tratada, essa situação só vai mudar, quando a população deixar de votar, aí sim os governantes enxergarão algo de errado e solucionarão o problema. Apesar de juntos, eles estão separados, o pobre e rico caminham por estradas diferentes, onde pobres e conseqüentemente negros, procuram confusões, brigas para serem notados por questão de segundos, não deixa de ser uma forma de aclamar a atenção de todos, principalmente das autoridades, e mostrar que eles também têm direitos.
Carlinhos Brown, cantor, compositor e um dos maiores percussionistas do Brasil inovou, produziu um Camarote andante, onde ninguém fica em cima do trio elétrico, só os músicos e o som, ele canta e dança no chão da avenida, animando a todos. É a maior pipoca do carnaval, as pessoas que não tem camisas de blocos, saem atrás do trio elétrico, não existe cordas isolando, é o povo e a festa. Brown é uma mente especial, inteligentíssimo, comprometido, sensível, que consegue ser um e ao mesmo tempo vários Browns. Ele acha que o carnaval de salvador é separatista e desabafa, "A ditadura não acabou para nós, para preto e para pobre, as imagens são iguais àquelas de cavalos batendo, de polícia dando no lombo. Acho que as cordas são desnecessárias. Elas ainda trazem resquícios do navio negreiro, que o cara vem nas cordas, do trabalho forçado, de escravidão, e acima de tudo é uma base do Apartheid" Agência Reuters. Brown
Postado por Gaveta de Briefing às 16:28 0 comentários
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O trabalho de prevenção ocorre no intuito de detecção precoce da doença, porque quanto ao aparecimento não há nada a fazer. Se for para a mulher ter câncer um dia, ela terá. Tomou um susto? Eu também fiquei assustada quando tive conhecimento dessa informação. Por isso, é fundamental detectar quando o nódulo ainda está no seu início, para uma maior chance de cura.
Não há causas para o aparecimento da doença, existem apenas fatores de risco que podem influenciar no surgimento de tumores malignos como obesidade, fator genético, má alimentação e gravidez tardia. Ainda assim, mesmo quem apresenta um ou mais fatores de risco podem nunca desenvolver a doença.
As mulheres devem seguir as orientações do médico fazendo auto-exame, exame de toque das mamas (clínico), ultrassonografia e mamografia (a partir dos 35 anos e após os 40 anualmente), além de atividade física, importante em qualquer situação. "Prevenção é uma rotina, não é para atormentar nem amedrontar a vida de ninguém, pelo contrário, é para proteger", afirma o mastologista Luciano Santos Ramos.
Segundo dados do INCA, de acordo com as estimativas de novos casos de câncer de mama para os anos de 2008 e 2009, Salvador ocupa a 6° posição entre as capitais brasileiras e a 2° entre as do nordeste, perdendo a primeira posição para Recife. Para a capital baiana são esperados 710 novos casos. A enfermeira e técnica do programa Viva Mulher da Secretaria de Saúde do Município, Mariete Fonseca, afirma que novos casos estão aparecendo porque as mulheres estão comparecendo mais ao médico.
Os trabalhos de prevenção e a localização do câncer de mama no início estão possibilitando a realização de cirurgias mínimas, sem mutilação, situação inexistente há 50 anos, quando não havia outro processo cirúrgico a não ser a mastectomia (processo mutilador).O avanço tecnológico vem contribuindo de forma essencial na cura da doença, pois os suportes existentes devido ao aparato tecnológico são importantes desde o diagnóstico ao tratamento após a cirurgia, com quimioterapia e radioterapia.
Os meios de cuidado estão disponíveis para nós, ainda que infelizmente em mais proporção para uns do que para outros, devido à disparidade da qualidade da saúde privada e pública, tendo essa última melhorado com programas voltados para saúde da mulher. Então mulheres, rumo ao mastologista!
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Entre tantos pensamentos lembrei-me da questão da Apocalipse e continuei seguindo em direção a Praça do Anjo Mau. Entre tantos pensamentos vieram algumas questões: será uma praça onde tem uma concentração de pessoas que curtem som de rock e punk e colocam o som nas alturas? É Chamada assim por ter muitas assombrações e maldições no local? Em vez de ser uma praça é uma ladeira inclinada que não permite segurança nenhuma para o motorista? E entre tantas questões de certa forma me deixou com medo, mas a curiosidade foi maior e continuei dentro do ônibus.
O lugar parece mesmo, regido pela energia negativa, os carros transitam pelas ruas sem respeitar os pedestres e vice versa, as pessoas que freqüentam ficam com expressões de estarem eternamente de mau humor, existem poucas crianças e existem grandes católicos com uma folha de palmeira em uma das mãos e na outra a bíblia. A Praça de Anjo Mau não é bem uma praça como a do bairro do Campo Grande onde existem elementos que nos fazem lembrar uma praça da cidade ou até mesmo dos pequenos interiores do estado.
Pode ser até engraçado, mas a Praça do Anjo Mau não tem banquinho, não existem arvores para dar sombra, não tem pessoas vendendo cachorro-quente ou algodão doce para as crianças, não tem casais fazendo promessas de casamento ou a escolha do nome dos filhos, existem muito comércio e uma barraquinha voltada para os fieis do candomblé vendendo contas, folhas para a purificação e imagens de esculturas dos orixás.
Sentada em um bar e observando as pessoas, o local e o costume daqueles que nos cercam chamei o garçom cujo nome era de anjo também, Gabriel, um negro, alto, forte e com os olhos castanhos claros e nada de sorriso, como de costume de todos aqueles que vivem na Praça do Anjo Mau. Pedi ao garçom um refrigerante.
Depois de ele trazer o refrigerante comecei a questionar o porquê do nome da praça.
- Amigo você sabe o porquê o nome dessa praça?
Um senhor, barbudo, com camisa azul, calça branca, aparentemente deveria ter 72 anos, bebendo cerveja, estava sentado atrás de mim, se meteu na conversa e disse que aquele local foi chamado assim no inicio da década de 80 onde haviam muitos acidentes de carros, atropelamentos e os maiores índices de furtos de veículos e carteiras se localizavam ali e depois disso o local só é conhecido em todo bairro Beiru como a Praça do Anjo Mau.
Questionei mais uma vez com outra pergunta:
- Onde ficam os policiais nesta questão? E os políticos?
Gabriel olhou e mandou eu levantar da cadeira e pediu para que observasse a rua e falou com uma voz rouca como estivesse triste:
- Senhora, Deus se esqueceu de nós, agora imagine os policiais e os políticos?
Agora, quem ficou calada fui eu e parei para observar o que ele havia falado. Realmente, Deus e os homens de poder deveriam olhar mais aquele local castigado pela prefeitura. As ruas não têm uma sinalização para os motoristas, os pedestres andam quase no meio da rua devido a algumas barracas de camelô que ficam vendendo de bijuterias até objeto para decoração da casa, música alta na luz do dia não respeitando a lei do silêncio e alto índice de roubos, pensei como Gabriel tinha razão.
Postado por Gaveta de Briefing às 11:15 0 comentários
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A crença popular acredita que o samba tem sua origem no Brasil, mais especificamente na Bahia, mas, poucos sabem que o samba realmente nasceu em terras brasileira. Durante o séc. XVI negros escravos chegaram ao país e muito contribuiu para criar a identidade brasileira, uma dessas contribuições foi com a dança. O samba como conhecemos hoje nasceu no Brasil, verdade o samba é reminiscência de danças africanas.
Segundo o historiador Luis da Câmara Cascudo em uma viagem a Luanda, observou que em algumas festas indivíduos dançavam acompanhados de instrumentos de percussão, os participantes reunidos em círculos, o centro era ocupado por um dos dançarinos (homem ou mulher) que após executar seus passos coreográficos, gingando todo o corpo, terminava a sua apresentação com uma umbigada (samba), neste momento outro
integrante do grupo, que sua vez reiniciava a coreografia.No Brasil ainda existe esse tipo de dança, principalmente em cidades do interior nas regiões nordeste e norte este esse tipo de dança são conhecidos como dança de roda, samba de raiz, estes são tipos de samba onde o dançarino esfrega os pés no chão parecendo andar para traz. Porém pode-se afirmar que o samba é sim uma dança brasileira, porque apesar de possuir laços com ritmos africanos, a forma como se dança o samba é singular. A forma de mover os pés andando para trás sem sair do lugar e em passos rasteiros, caracterizam o samba nordestino.
A depender da região, o samba tem suas características da dança mudadas em alguns aspectos. No sudeste em estados como São Paulo e Rio de Janeiro o samba é dançado com passos mais altos, as bailarinas usam os braços em movimentos elegantes. Esse tipo de dança só possui registro no Brasil.
Outro tipo de dança genuinamente brasileira é o forró, trata-se de uma dança nordestina, dançada aos pares. Pode ter origem no toré e o arrastar dos pés dos índios, com os ritmos binários Portugueses e Holandeses e com o balançar dos quadris dos africanos.
Apesar de ter influência direta das danças de salão européias o forró ganhou popularidade ao cair no gosto dos brasileiro e ganhar inúmeras influencias originando na dança que hoje só é encontradas em terras brasileiras.
Conhecido e praticado em todo o Brasil, o forró é especialmente popular nas cidades brasileiras de Juazeiro do Norte, Caruaru, Mossoró, e Campina Grande, onde é símbolo da Festa de São João, e nas capitais Aracaju, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Maceió, Recife, São Luís e Teresina onde são promovidas grandes festas. Essa dança ganhou força no nordeste, principalmente na cidade do interior, acredita-se que a origem para o termo forró, deu-se quando em Pernambuco havia um baile onde muitos estrangeiros frequentavam, e na entrada estava escrito em inglês (for all), para todos, então ficou popular no estado e no pais como forró.
O Brasil pode ser considerado como um país atípico porque é capaz de absorver características de outras nações, o interessante é que os brasileiros tem a capacidade de abrasileirar tais características. É dessa forma que nasce o forró e o samba, danças tipicamente brasileiras, que já ganharam força se tornando símbolos da identidade nacional.
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Cerca de um bilhão de pessoas fazem parte de redes sociais. No ano de 2007, uma pesquisa realizada pelo IBOPE, constatou que 20,1 milhões de brasileiros acessam a internet diretamente de casa e que as páginas mais visitadas são os buscadores, portais e redes sociais.
É fato que existem inúmeros perfis falsos na internet que muitas vezes até denigrem a imagem do usuário. Mas há também vários outros com informações reais sobre a pessoa, que busca nessas redes sociais, amigos e parceiros que tenham afinidades.
Hoje, por causa da internet, inverteu-se a forma de conhecer pessoas. Antes as pessoas iam a um barzinho, festas e etc.
Agora por exemplo, visitam a página do Orkut, vêem as comunidades e se a pessoa agradar, adiciona-a como amiga e passam a conversar e se conhecer para em seguida marcar um encontro, se for de agrado de ambas as partes.Muitos não concordam com esse tipo inicial de contato, por acreditar que a internet é um lugar de fantasia, onde as pessoas podem ser o que quiserem e como quiserem, o que de fato é verdade. Mas isso parte da índole de cada um e também da personalidade. As pessoas precisam se aceitar como são e usar a internet como meio para propagar o verdadeiro eu.
Estar por trás de uma tela do computador não é somente esconder-se, mas sim um meio de mostrar quem você realmente é. Ao usar redes sociais, como o MSN, as pessoas muitas vezes não vêem o rosto da pessoa com quem está mantendo o contato. Então a primeira atração é pelo que a pessoa tem a lhe dizer e não pelo que ela tem a lhe mostrar.
Essa nova maneira de se relacionar pode vir a valorizar o ser e não o ter ou parecer ter. É claro que como dito anteriormente, a pessoa deve fazer bom uso dessas redes e colocar amostra nos perfis o que realmente for verdadeiro sobre sua vida.
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“Um serviço muito triste” definiu Edinei Silva, 23 anos, que a 6 trabalha na funerária Cruz da Redenção. Ele não gosta do que faz, mas, tem muito respeito. Seu trabalho anterior era em um mercadinho só que a falta de emprego não deixou escolhas. Ele jura que nunca presenciou nada que possa ser considerado fora do normal, mas confessa que levou um ano para se acostumar com o ambiente fúnebre.
Ao ser indagado se haviam estórias interessantes pra contar, ele lembrou de um rapaz do Instituto Médico Legal que foi retirar o corpo da gaveta. “Ele foi retado xingando”, já se aproximava da hora de ir embora. “Quando ele abriu a geladeira o cadáver deu um soco nele”, contou Edinei entusiasmado. Jura que o medo não chegou perto dele nem no momento em que deu prosseguimento aos cuidados com o corpo.
Muita gente acha que quem trabalha em funerária tem um monte de casos assustadores pra contar. Isso se deve à fantasia e ao medo que as pessoas sentem de trabalhos que lidam diretamente com os mortos. Para Jessé Brito, 20 anos, que trabalha a um ano na funerária A Decorativa, mas desde os 15 está no ramo, esse é um emprego normal como qualquer outro. As pessoas que o conhecem ao ficarem sabendo que ele é vendedor de caixões se sentem intimidadas, mas isso não o aborrece. Pelo contrário, ele acha graça. “É o meu ganho de vida, trabalho como qualquer outro, sem grilo.”.
O gerente da funerária A Decorativa prefere ser chamado de Cerqueira, tem 78 anos e 40 deles trabalhou em funerárias. Uma figura interessante que com certeza já viu muita coisa quando o assunto é morte. Na época em que começou a trabalhar ele implantou o Cemitério Parque no Rio de Janeiro e foi apelidado de “o homem que vende a morte” pela Rádio Tupi a trinta anos atrás. “Eles consideravam que seria uma coisa extraordinária e então anunciaram uma entrevista minha como uma coisa bombástica”, contou Cerqueira. Para ele, hoje o trabalho que realiza na funerária é considerado normal pelas pessoas. “Há uns tempos atrás era muito diferente” completou.
Silas Lima , 19 anos, trabalha a 2 meses na funerária Exclusiva e acha tranqüilo o serviço. “No meu primeiro dia de trabalho eu tava com medo por causa das coisas que as pessoas falavam, mas depois eu vi que não era nada disso”.
Ivã Santos, 38 anos, trabalha a 22 anos no ramo de funerária e já passou por 6 funerárias diferentes, agora trabalha com o jovem Silas. Não tem medo hoje em dia, mas afirmou ter passado muito tempo para se acostumar com o ambiente frio e mórbido, “No meu primeiro dia de trabalho eu pensava que os caixões estavam se bulindo” contou dando uma gargalhada daquelas quebrando um pouco a seriedade do lugar. O que mais chocou ele em todos esses anos de trabalho foi uma morte causada por um acidente de moto “um acidente muito feio, me chocou” confessou. “Eu tenho medo dos vivos” disse lembrando do mundo violento em que vivemos hoje.
“A gente dá mais valor a vida trabalhando aqui” disse Edinei. Não é tão difícil imaginar o motivo disso. Dizem que a morte é a única certeza que temos nessa vida e para quem todos os dias vê isso como rotina “essa é uma certeza autenticada em cartório” brincou Cerqueira.
“Alguém tem que fazer o serviço” disse Silas. Esse é um fator que todos concordam. Ninguém se lembra com freqüência desses trabalhadores, mas eles sabem que precisam ser discretos e compreensivos porque aparecem em um momento delicado. “Ninguém quer comprar um caixão, mas não é uma questão de escolha” completou Cerqueira. Resta-nos rezar pra não precisar desses serviços tão cedo.
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Salvador é a cidade da mistura, da mistura de povos, lugar de forte presença negra, dos seus costumes, aonde o movimento de negritude é grande e que se projeta principalmente nos blocos Afro, guardando entre os seus membros o orgulho de ser negro. A idealização dos blocos como o ilustre Ilê
Aiyê, em que a própria música o qualifica “O mais belo dos belos”, surgiu da imensa vontade de ressaltar a identidade cultural do povo negro. Pioneiro nesse movimento social o Ilê, do famoso bairro da Liberdade, mais precisamente da Ladeira do Curuzu, influenciou a criação de outros blocos Afro como; o Olodum do Pelô, do Malê de Balê de Itapuã e posteriormente o Araketu e Muzenza. Nomes provenientes da forte ligação dos membros com aos terreiros de Candomblé.E o que falar do Gandhy? O maior afoxé da Bahia, com cerca de dez mil associados, levando suas mensagens de paz por onde passam, reverenciando Oxalá através das suas cores azul e branco e que neste ano completou 60 anos. Os filhos de Gandhy dispensam apresentações. Esses blocos buscam a todo o momento a referência do continente africano para os seus desfiles, seja ele na estética com suas fantasias e cabelos trançados ou na musicalidade, através de coreografias que lembram as danças para os orixás nos terreiros, mostrando pra todos a sua beleza no carnaval.
Quem não deixa de marcar presença nos inúmeros camarotes que oferecem de tudo no carnaval ou que nunca viu a passagem desses blocos, precisa ver e sentir, pois é uma aula de cultura baiana que realmente encanta, o som da percussão é pulsante e a beleza é irradiante. Já dizia Goli Guerreiro, antropóloga, que em seu livro A Trama dos Tambores mergulhou neste universo Afro. “No terreno da world music, que privilegia uma musicalidade “étnica”, o samba – reggae se encaixa como uma luva, na medida que recria sonoridades africanas, mesclando-as com ritmos brasileiros e caribenhos, desenhadas em tambores de vários tipos, como surdo, repique, tarol, timbau, entre outros... “A música afro- baiana deixa de ser local para ser global”.
Mas o que esses blocos tem em comum no cenário do carnaval? O carnaval que movimenta milhões durante seus dias de folia, que atualmente é visto como um grande mercado. E se assemelham no exclusivo fato de não conseguirem grandes patrocínios para os seus desfiles além de não contar com a divulgação da mídia, é perceptível que as transmissões locais não mostram o movimento afro. Diante de tantas matérias sobre o carnaval, com exceção da TVE, nenhuma outra ressaltou a importância do movimento afro e seus blocos. Diante de questões como essas é fundamental a reflexão sobre esses dados. E valorizar esses blocos que manifestam a presença afro na nossa terra e contribuem muito para o desenvolvimento social das comunidades.
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